SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

quinta-feira, 11 de março de 2010

JUDAISMO

Judaísmo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Judaísmo (em hebraico יהדות, transl. Yahadút) é o nome dado à religião do povo judeu, a mais antiga das três principais religiões monoteístas (as outras duas são o cristianismo e o islamismo).
Surgido da religião mosaica, o judaísmo, apesar de suas ramificações, defende um conjunto de doutrinas que o distingue de outras religiões: a crença monoteísta em YHWH (às vezes chamado Adonai ("Meu Senhor"), ou ainda HaShem ("O Nome") - ver Nomes de Deus no Judaísmo) como criador e Deus e a eleição de Israel como povo escolhido para receber a revelação da Torá que seriam os mandamentos deste Deus. Dentro da visão judaica do mundo, Deus é um criador ativo no universo e que influencia a sociedade humana, na qual o judeu é aquele que pertence a uma linhagem com um pacto eterno com este Deus.
Há diversas tradições e doutrinas dentro do judaísmo, criadas e desenvolvidas conforme o tempo e os eventos históricos sobre a comunidade judaica, os quais são seguidos em maior ou em menor grau pelas diversas ramificações judaicas conforme sua interpretação do judaísmo. Entre as mais conhecidas encontra-se o uso de objetos religiosos como o quipá, costumes alimentares e culturais como cashrut, brit milá e peiot ou o uso do hebraico como língua litúrgica.
Ao contrário do que possa parecer, um judeu não precisa seguir necessariamente o judaísmo ainda que o judaísmo só possa ser necessariamente praticado por judeus. Hoje o judaísmo é praticado por cerca de treze milhões de pessoas em todo o mundo (2007).[1] Da mesma forma, o judaísmo não é uma religião de conversão, efetivamente respeita a pluralidade religiosa desde que tal não venha a ferir os mandamentos do judaísmo. Alguns ramos do judaísmo defendem que no período messiânico todos os povos reconhecerão YHWH como único Deus e submeter-se-ão à Torá.


Etimologia

O termo "judaísmo" veio ao português pelo termo grego Ιουδαϊσμός (transl. Iudaïsmós), que, por sua vez, designava algo ou alguém relacionado ao topônimo Judá - em grego Ιούδα (transl. Iúda), e em hebraico יהודה (transl. Yehudá).

Origem e história do judaísmo


A Grande Sinagoga (Velká synagoga) Plzeň, República Checa
A história do judaísmo é a história de como se desenvolveu a religião principal da comunidade judaica que, ainda que não seja unificada (ver Religiosidade judaica), contém princípios básicos que a distingue de outras religiões. De acordo com a visão religiosa o judaísmo é uma religião ordenada pelo Criador através de um pacto eterno com o patriarca Abraão e sua descendência. Já os estudiosos crêem que o judaísmo seja fruto da fusão e evolução de mitologias e costumes tribais da região do Levante unificadas posteriormente mediante a consciência de um nacionalismo judaico.
Ainda que seja intimamente relacionada à história do povo judeu, a história do judaísmo se distingue por enfatizar somente a evolução da religião e como esta influenciou o povo judeu e o mundo.

Ramificações do judaísmo


O Muro Ocidental em Jerusalém, Israel, é o que resta do Segundo Templo.
Nos dois últimos séculos, a comunidade judaica dividiu-se numa série de denominações; cada uma delas tem uma diferente visão sobre que princípios deve um judeu seguir e como deve um judeu viver a sua vida. Apesar das diferenças, existe uma certa unidade nas várias denominações.
O judaísmo rabínico, surgido do movimento dos fariseus após a destruição do Segundo Templo, e que aceita a tradição oral além da Torá escrita, é o único que hoje em dia é reconhecido como judaísmo, e é comumente dividido nos seguintes movimentos:
  • Judaísmo ortodoxo - considera que a Torá foi escrita por Deus que a ditou a Moisés, sendo as suas leis imutáveis. Os judeus ortodoxos consideram o Shulkhan Arukh (compilação das leis do Talmude do século XVI, pelo rabino Yosef Karo) como a codificação definitiva da lei judaica. O judaísmo ortodoxo exprime-se informalmente através de dois grupos, o judaísmo moderno ortodoxo e o judaísmo haredi. Esta última forma é mais conhecida como "judaísmo ultraortodoxo", mas o termo é considerado ofensivo pelos seus adeptos. O judaísmo chassídico é um subgrupo do judaísmo haredi.
  • Judaísmo conservador - fora dos Estados Unidos é conhecido por judaísmo Masorti. Desenvolveu-se na Europa e nos Estados Unidos no século XIX, em resultado das mudanças introduzidas pelo Iluminismo e a Emancipação dos Judeus. Caracteriza-se por um compromisso em seguir as leis e práticas do judaísmo tradicional, como o Shabat e o cashrut, uma atitude positiva em relação à cultura moderna e uma aceitação dos métodos rabínicos tradicionais de estudo das escrituras, bem como o recurso a modernas práticas de crítica textual. Considera que o judaísmo não é uma fé estática, mas uma religião que se adapta a novas condições. Para o judaísmo conservador, a Torá foi escrita por profetas inspirados por Deus, mas considera não se tratar de um documento da sua autoria.
  • Judaísmo reformista - formou-se na Alemanha em resposta ao Iluminismo. Rejeita a visão de que a lei judaica deva ser seguida pelo indivíduo de forma obrigatória, afirmando a soberania individual sobre o que observar. De início este movimento rejeitou práticas como a circuncisão, dando ênfase aos ensinamentos éticos dos profetas; as orações eram realizadas na língua vernácula. Hoje em dia, algumas congregações reformistas voltaram a usar o hebraico como língua das orações; a brit milá é obrigatória e a cashrut, estimulada.
  • Judaísmo reconstrucionista: formou-se entre as décadas de 20 e 40 do século XX por Mordecai Kaplan, um rabino inicialmente conservador que mais tarde deu ênfase à reinterpretação do judaísmo em termos contemporâneos. À semelhança do judaísmo reformista não considera que a lei judaica deva ser suprema, mas ao mesmo tempo considera que as práticas individuais devem ser tomadas no contexto do consenso comunal.
Para além destes grupos existem os judeus não praticantes, ou laicos, judeus que não acreditam em Deus mas ainda assim mantêm culturalmente costumes judaicos; e o judaísmo humanístico, que valoriza mais a cultura e história judaica.

Doutrinas do judaísmo

Surgiram variadas formulações das crenças judaicas, a maioria das quais com muito em comum entre si, mas divergentes em vários aspectos. Uma comparação entre várias dessas formulações mostra um elevado grau de tolerância pelas diferentes perspectivas teológicas. O que se segue é um sumário das crenças judaicas. Uma discussão mais detalhada destas crenças, acompanhada por uma discussão sobre as suas origens, pode ser encontrada no artigo sobre os princípios de fé judaicos.

Monoteísmo

O princípio básico do judaísmo é a unicidade absoluta de YHWH como Deus e criador, onipotente, onisciente, onipresente, que influencia todo o universo, mas que não pode ser limitado de forma alguma (o que carateriza em idolatria, o pecado mais mortal de acordo com a Torá). A afirmação da crença no monoteísmo manifesta-se na profissão de fé judaica conhecida como Shemá. Assim qualquer tentativa de politeísmo é fortemente rechaçada pelo judaísmo, assim como é proibido seguir ou oferecer prece à outro que não seja YHWH.
Conforme o relacionamento de YHWH com Israel, o judaísmo enfatiza certos aspectos da divindade chamando-o por títulos diferenciados (ver Nomes de Deus no Judaísmo).
O judaísmo posterior ao exílio no entanto assumiu a existência de uma corte espiritual na qual Deus seria uma espécie de rei, o qual controlaria seres para execução de sua vontade (anjos). Esta visão era aceita pelos fariseus e passada para o posterior judaísmo rabínico, mas no entanto desprezada pelos saduceus.

A Revelação

O judaísmo defende uma relação especial entre Deus e o povo judeu, manifesta através de uma revelação contínua de geração a geração. O judaísmo crê que a Torá é a revelação eterna dada por Deus aos judeus. Os judeus rabinitas e caraítas também aceitam que homens através da história judaica foram inspirados pela profecia, sendo que muitas das quais estão explícitas nos Neviim e nos Kethuvim. O conjunto destas três partes formam as Escrituras Hebraicas conhecidas como Tanakh.
A profecia dentro do judaísmo não tem o caráter exclusivamente adivinhatório como assume em outras religiões, mas manifestava-se na mensagem da Divindade para com seu povo e o mundo, que poderia assumir o sentido de advertência, julgamento ou revelação quanto à Vontade da Divindade. Esta profecia tem um lugar especial desde o princípio do mosaismo, seguindo pelas diversas escolas de profetas posteriores (que serviam como conselheiros dos reis) e tendo seu auge com a época dos dois reinos. Oficialmente se reconhece que a época dos profetas encerra-se na época do exílio babilônico e do retorno a Judá. No entanto o judaísmo reconheceu diversos profetas durante a época do Segundo Templo, e durante o posterior período rabínico.

Metafísica

Conceitos de vida e morte

O entendimento dos conceitos de corpo, alma e espírito no judaísmo varia conforme as épocas e as diversas seitas judaicas. O Tanach não faz uma distinção teológica destes, usando o termo que geralmente é traduzido como alma (néfesh) para se referir à vida e o termo geralmente traduzido como espírito (ruakh) para se referir a fôlego. Deste modo, as interpretações dos diversos grupos são muitas vezes conflitantes, e muitos estudiosos preferem não discorrer sobre o tema.

Ressurreição e a vida além-morte

O Tanach, excetuando alguns pontos poéticos e controversos, jamais faz referência a uma vida além da morte, nem a um céu ou inferno, pelo que os saduceus posteriormente rejeitavam estas doutrinas. Porém após o exílio em Babilônia, os judeus assimilaram as doutrinas da imortalidade da alma, da ressurreição e do juízo final, e constituíam em importante ensino por parte dos fariseus.
Nas atuais correntes do judaísmo, as afirmações sobre o que acontece após a morte são postulados e não afirmações, e varia-se a interpretação dada ao que ocorre na morte e se existe ou não ressurreição. A maioria das correntes crê em uma ressurreição no mundo vindouro (Olam Habá), incluindo os caraítas, enquanto outra parcela do judaísmo crê na reencarnação, e o sentido do que seja ressurreição ou reencarnação varia de acordo com a ramificação.

Cabalá

Cabalá é o nome dado ao conhecimento místico esotérico de algumas correntes do judaísmo, que defende interpretação do universo, de Deus e das escrituras através de suas naturezas divinas.

Quem é considerado judeu


Judeus rezando no Yom Kipur, de Maurycy Gottlieb.
A lei judaica considera judeu todo aquele que nasceu de mãe judia ou se converteu de acordo com essa mesma lei, segundo o judaísmo rabínico. Algumas ramificações como o Reformismo e o Reconstrucionismo aceitam também a linhagem patrilinear, desde que o filho tenha sido criado e educado em meio judaico.
Um judeu que deixe de praticar o judaísmo e se transforme num judeu não-praticante continua a ser considerado judeu. Um judeu que não aceite os princípios de fé judaicos e se torne agnóstico ou ateu também continua a ser considerado judeu.
No entanto, se um judeu se converte a outra religião, como o budismo ou o cristianismo, ou ainda, que se afirma judeu messiânico (ramificação protestante que defende Jesus como o messias para os judeus) perde o lugar como membro da comunidade judaica tradicional e transforma-se num apóstata. Segundo a tradição, a sua família e amigos tomam luto por ele, pois para um judeu abandonar a religião é como se morresse (nem sempre isto ocorre, mas a pessoa é tida como alguém não pertencente à comunidade)[carece de fontes?]. Esta pessoa, caso pretenda retornar ao judaísmo, não precisa se converter, de acordo com a maior parte das autoridades em lei judaica.
As pessoas que desejam se converter ao judaísmo devem aderir aos princípios e tradições judaicas. Os homens têm de passar pelo ritual do brit milá (circuncisão). Qualquer converso tem de passar ainda pelo ritual da mikvá ou banho ritual. Os judeus ortodoxos reconhecem apenas conversões feitas por seus tribunais rabínicos, seja em Israel ou em outros locais. As comunidades reformistas e liberais também exigem a adesão aos princípios e tradições judaicos, o brit milá e a mikvá, de acordo com os critérios estipulados em cada movimento.
Enquanto as conversões autorizadas por tribunais rabínicos ortodoxos são aceitas como válidas por todas as correntes do judaísmo, aquelas feitas de acordo com as correntes Reformista ou Conservadora são aceitas no Estado de Israel e em todas as comunidades judaicas não-ortodoxas no mundo inteiro (mais de 80% dos judeus do planeta), mas rejeitadas pelo movimento ortodoxo.

Ciclo de vida judaico


Material usado em uma cerimônia de brit milá, exibido no museu da cidade de Göttingen
  • Brit milá - As boas-vindas dos bebés do sexo masculino à aliança através do ritual da circuncisão.
  • Zeved habat - As boas-vindas dos bebés do sexo feminino na tradição sefardita.
  • B'nai Mitzvá - A celebração da chegada de uma criança à maioridade, e por se tornar responsável, daí em diante, por seguir uma vida judaica e por seguir a halakhá.
  • Casamento judaico
  • Shiv'á - O judaísmo tem práticas de luto em várias etapas. À primeira etapa (observada durante uma semana) chama-se shiv'á, à segunda (observada durante um mês) chama-se sheloshim e, para aqueles que perderam um dos progenitores, existe uma terceira etapa, a avelut yod bet chódesh, que é observada durante um ano.

Vida comunitária

Vida comunitária judaica é o nome dado à organização das diferentes comunidades judaicas no mundo. Há variações de locais e costumes mas geralmente as comunidades contam com um sistema de regras comunais e religiosas, um conselho para julgamento e um centro comunal com local para estudo. No entanto, a família é considerada o principal elemento da vida comunitária judaica, o que ao lado do mandamento de Crescei e multiplicai leva ao desestímulo de práticas ascéticas como o celibato apesar da existência através da história de algumas seitas judaicas que promovessem esta renúncia.

Sinagoga

A sinagoga é o local das reuniões religiosas da comunidade judaica, hábito adquirido após a conquista de Judá pela Babilônia e a destruição do Templo de Jerusalém. Com a inexistência de um local de culto, cada comunidade desenvolveu seu local de reuniões, que após a construção do Segundo Templo tornou-se os centros de vida comunitária das comunidades da Diáspora. Na estrutura da sinagoga destaca-se o rabino, líder espiritual dentro da comunidade judaica e o chazan (cantor litúrgico).

Cherem

O Chérem é a mais alta censura eclesiástica na comunidade judaica. É a exclusão total da pessoa da comunidade judaica. Excepto em casos raros que tiveram lugar entre os judeus ultra-ortodoxos, o cherem deixou de se praticar depois do iluminismo, quando as comunidades judaicas locais perderam a autonomia de que dispunham anteriormente e os judeus foram integrados nas nações gentias em que viviam.

Cultura judaica

Cultura judaica lida com os diversos aspectos culturais das comunidades judaicas, oriundos da prática do judaísmo, de sua integração aos diversos povos e culturas no mundo, assim como assimilação dos costumes destes. Entre os principais aspectos da cultura judaica podemos enfatizar os idiomas, as vestimentas e a alimentação (Cashrut).

Vestimentas


Kipá ,símbolo distintivo usado principalmente pelos judeus rabínicos como Temor a D-us
O judaísmo possui algumas tradições religiosas e culturais em relação à vestimentas, dentre as quais podemos destacar :

Calendário judaico

Baseados na Torá a maior parte das ramificações judaicas segue o calendário lunar. O calendário judaico rabínico é contado desde 3761 a.C. O Ano Novo judaico, chamado Rosh Hashaná (em hebraico ראש השנה, literalmente "cabeça do ano") é o nome dado ao ano-novo no judaísmo)., acontece no primeiro ou no segundo dia do mês hebreu de Tishrei, que pode cair em setembro ou outubro. Os anos comuns, com doze meses, podem ter 353, 354 e 355 dias, enquanto os bissextos, de treze meses, 383, 384 ou 385 dias. o calendario judaico começa a ser contado em 7 de outubro de 3760 a.C.que para os judeus foi a data da criação do mundo o que quer dizer que estamos vivendo no ano de 5769 (para 2009).
Diversas festividades são baseados neste calendário: pode-se dar ênfase às festividades de Rosh Hashaná, Pessach, Shavuót, Yom Kipur e Sucót. As diversas comunidades também seguem datas festivas ou de jejum e oração conforme suas tradições. Com a criação do Estado de Israel diversas datas comemorativas de cunho nacional foram incorporadas às festividades da maioria das comunidades judaicas.

Língua hebraica

O hebraico (também chamado לשון הקודש Lashon haKodesh ("A Língua Sagrada") ) é o principal idioma utilizado no judaísmo utilizado como língua litúrgica durante séculos. Foi revivido como um idioma de uso corrente no século XIX e utilizado atualmente como idioma oficial no Estado de Israel. No entanto diversas comunidades judaicas utilizam outros idiomas cuja origem em sua maioria surgem da mistura do hebraico com idiomas locais (ver Línguas judaicas).

Crença messiânica e escatologia judaica

Escatologia judaica refere-se às diferentes interpretações judaicas dadas aos temas relacionados ao futuro: ainda que se acreditarmos na Torá este tema não seja tão desenvolvido no judaísmo primitivo após o retorno do Exílio em Babilônia desenvolveu-se baseado no profetismo e no nacionalismo judaico conceitos que iriam formar a base da escatologia judaica. Entre estes temas principais podemos nomear os conceitos sobre o Messias e o Olam Habá (mundo vindouro) no qual todas as nações submeter-se-iam a YHWH e a Torá e na qual Israel ocuparia um lugar de proeminência.

Messias

Dentro do judaísmo, a doutrina do Messias é um assunto que pode variar de ramificação para ramificação. Historicamente diversos personagens foram chamados de Messias, do hebraico ungido, que não assume o mesmo sentido habitual do cristianismo como um "ser salvador e digno de adoração" . Até mesmo o conceito do Messias não aparece na Torá, e por isto mesmo recebe interpretações diferentes de acordo com cada ramificação.
A maior parte dos judeus crê no Messias como um homem judeu, filho de um homem e de uma mulher, (em algumas ramificações é considerado que viria da tribo de Yehudá e da descendência do rei David, uma herança do sentimento nacionalista que regulou a vida judaica pós-exílio) que reinará sobre Israel, reconstruirá a nação fazendo com que todos os judeus retornem à Terra Santa e unirá os povos em uma era de paz e prosperidade sob o domínio de YHWH.
Algumas ramificações judaicas (reformistas) crêem no entanto que a era messiânica não envolva necessariamente uma pessoa, mas sim que se trate de um período de paz, prosperidade e justiça na humanidade. Dão por isso particular importância ao conceito de "tikkun olam", "reparar o mundo", ou seja, a prática de uma série de actos que conduzem a um mundo socialmente mais justo.

Literatura do judaísmo

Os diversos eventos da história judaica levaram a uma valorização do estudo e da alfabetização dos membros da comunidade judaica. Na Diáspora a busca de conexão com o judaísmo e a busca de não-assimilação com os costumes gentílicos levaram a uma ênfase na necessidade da educação e alfabetização desde a infância, pelo que na maior parte das comunidades judaicas o analfabetismo é praticamente inexistente. Este pensamento levou à criação de uma vasta literatura principalmente de uso religioso.
Dentro do judaísmo, a escritura mais importante é a Torá, que seria o livro contendo o conjunto de histórias da origem do mundo, do homem e do povo de Israel, assim como os mandamentos de obediência a Deus. Para a maior parte das ramificações judaicas, acrescenta-se a história de Israel e as palavras dos profetas israelitas até a construção do Segundo Templo, com sua literatura relacionada, que compiladas na época do retorno de Babilônia, constituíram o que conhecemos como Tanakh, conhecido pelos não-judeus como Antigo Testamento.
Os judeus rabinitas crêem que Moisés recebeu além da Torá escrita, uma tradição oral que serviria como um complemento da primeira, e que seria passada de geração à geração desde Moisés, e que viria a ser compilada no século IV d.C. como o Talmude. Os judeus caraítas recusam estes textos .
Cada ramificação tem seus próprios textos e livros.

Literatura rabínica

Judaísmo e o mundo


Mapa dos 50 países com maior número de judeus.

Judeus e não-judeus: as leis de Noé

O judaísmo não é atualmente uma religião proselitista, ainda que no passado já tenha efetuado missões deste tipo. Mais precisamente apenas o patriarca Avraham o fazia, após se tornou uma prática proibida. Atualmente o judaísmo aceita a pluralidade religiosa, e prega a obrigação dos cumprimentos da Torá apenas ao povo judeu. No entanto defende que certos mandamentos (chamados de Leis de Noé, devido à terem sido entregues por Deus a Noé depois do Dilúvio), devem ser seguidas por toda a vida.

Judaísmo e Cristianismo

Apesar do Cristianismo defender uma origem judaica, o judaísmo considera o cristianismo uma religião pagã. Apesar da existência de judeus convertidos ao Cristianismo e outras religiões, não existe nenhuma forma de judaísmo que aceite as doutrinas do Cristianismo como a divindade de Jesus ou a crença em seu caráter messiânico (ver Religiosidade judaica e Judaísmo messiânico). Algumas ramificações tentaram ver Jesus como um profeta ou um rabino famoso, mas hoje esta visão também é descartada pela maioria dos judeus.
Existem diversos artigos sobre a relação entre o judaísmo e o cristianismo. Esses artigos incluem:
Desde o Holocausto, deram-se muitos passos no sentido da reconciliação entre alguns grupos cristãos e o povo judeu. O artigo sobre a reconciliação entre judeus e cristãos estuda este assunto.
Tentativas por parte de grupos religiosos cristãos (principalmente de origem evangélica) de conversão ao judaísmo são desprezadas e condenadas pelos grupos religiosos judaicos.

Judaísmo e islamismo

O islamismo toma diversas de suas doutrinas do judaísmo, sendo que as duas religiões mantêm seu intercâmbio religioso desde a época de Maomé, com períodos de tolerância e intolerância de ambas as partes. É especialmente significativo o período conhecido como Idade de Ouro da cultura judaica, entre 900 a 1200 na Espanha muçulmana. Também deve enfatizar-se o atual conflito entre parte da população muçulmana e os judeus devido à questão do controle de Jerusalém e outros pontos políticos, históricos e culturais.
O islão reconhece os judeus como um dos povos do Livro, apesar de acreditarem que os judeus sigam uma Torá corrompida. Já o judaísmo não crê em Maomé como profeta e não aceitam diversos mandamentos do islão.



FÉ DE MAIMÔNIDES
http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpios_de_f%C3%A9_judaicos


MAIMÔNIDES: O RAMBAM
http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/rambam/home.html



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

HIEROFANIA
Somos um universo
na existência histórica
no tempo cósmico que se faz sendo
e que não se limita em nenhuma ortodoxia,
embora haja a pretensão
de uma real utopia.
Se disser que é mito, digo qte tem forma,
e que de uma incógnita
se revela uma mensagem, um conteúdo, e a vida.
E que do prncípio originante
se define o ser pensante
e não uma mera fábula sem sentido.
E no sentido da linguagem
o corpo oculta um símbolo transignificativo
como imagem reveladora advindo de uma memória ancestral.
E no eu pessoal se encontra um mundo coletivo
em crise e em transformação
convergente num ponto de integração
que vai da inferioridade à plenificação.
O mundo humano ou profano,
não está separado do Sagrado.
Tudo está dentro da gente.
E esta hierofania se sente e vê com o coração.
Relendo na interioridade do ser
aparece uma ponte natural que permite atraverssar o intransponível
reunindo força sobrenatural.
O que parece inacessível e intocável
se sente no corpo como um tremor
que espanta e seduz,
que causa temor e atrai.
E como uma fecundação reinicia todo o processo da criação,
refutando a gnose iluminista do estranhísmo em si mesmo,
do vazio mórbido e repressor.
E apesar de todo o subjetivismo,
o que se diz indescritível na dimensão psicofísica,
se vivencia na realidade supranormal.
E a convivência que integra com o Todo,
faz a experiência com sabedoria
e tem contato intenso com o verdadeiramente real.

(Baseado na obra de Fcº García Bazán:
Aspectos Incomuns do Sagrado).

TREMENDUM MYSTERIUM

O indefinido se define
Da obscuridade à luminosidade
Das trevas à luz
Da imensidão do infinito
O imensurável ínfimo
O sentimento da Totalidade do Único Eterno
O Tremendum mysterium
Da razão à razão do Sagrado.

O numinoso iluminado
Santo e santificado
A impressão da existência real
A essência do Pleno Ser Onipotente
Que causa temor e tremor
A força da energia cósmica oposto ao caos
O fascinante encantamento
Entre o Todo e o nada
O repleto e o vazio
O numem e o daimon.

Do esvaziamento de si
O mistério de profunda ad-mira-ação
A consagração do mundo e do humano
O equilíbrio e a hamonia - a adoração
A escuta, o recolhimento e o acolhimento
A divinização universal visível no mistério
O ponto convergente da fé
A revelação do Sagrado.

No princípio do tempo
O início do Ser
O centro do mundo
A árvore da vida
Do conhecimento do bem e do mal
No meio do jardim do Paraíso
Da pré-vida à vida e o além da vida
O trans-humano
O Ser e o Sagrado na coexistência
No espaço aberto para o alto
O Cosmos que vive e fala
A imagem da Casa e do Corpo
Como o Céu e a Terra
O Sol e a Lua
O Útero e o Coração
No Todo, o sentido da Vida.


(Baseado na obra de Rudolf Otto: O Sagrado).
SAGRADO-PROFANO


Homo religiosus infinito
Ser completamente integral
Fenômeno Sagrado-Profano
Ser imanente-transcendental
Amplo dimensional
Ato e potência
Cultural
Dos mitos à cosmogonia
Algo Sagrado: hierofania
Donada, o Todo revelado.

Inteiro Ser Sagrado
Ser em-si para saber de si
Essencial materializado
Dialético inacabado
Mundo humano concreto
Incorporado
Símbolo místico
Desmitificado em ciência
Real Sagrado-Profano
Manifestação indizível.


Sensível Ser ontológico
De arquétipo ritual
Ser do vir a ser real
O cônscio mundo humano
Inserido contextual
Corpo-Espírito
Histórico, complexo, racional
Do caos à viva luz universal
Ser e Tempo atemporal
No espaço existencial

(Baseado na obra de Mircea Eliade: O Sagrado e o Profano).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DEUS - OXALÁ




Deus-Oxalá Zamby Axé Shalom
dos caboclos-guias, pretos velhos,
mediúnicos, babalorixás e sacerdotes,
no Gongá-altar e nos terreiros atuam
e em todo campo astral
iluminam no Céu-Olorum.

Na mística sincrética do mito de yemanjá
a mãe d'água, a cabocla Yara,
da teogonia de Tupã do Pajé, Tupi-Guarani,
Maria, a mãe de Jesus, é cultuada.

Xangô, orixá que comanda a lei da natureza,
( no encanto de S. Jerônimo ),
se une a Oxossi, comandante dos vegetais
( com S. Sebastião),
e a Ogum que domina as guerras com (su)a espada
( de S. Jorge).
Oxum das águas doces e do arco-íris
chama Yansã que domina as tempestades
( como S. Bárbara ).
E os Yerês de santos meninos brincam com Ialorixá no terreiro
( de São Cosme e Damião ),
enquanto Exu-Jurupari com tridente na mão
faz magia e despacho na encruzilhada.

Os Ogans cantam e tocam atabaque e agogô
para Yaô, filha de santo, dançar,
ao sair da camarinha - o quarto sagrado -
que manifesta o orixá nos ritos de banhos, búzios e descargas...


E entre a festa e o sacrifício
as cozinheiras Iabassês ofertam os manjares
aos deuses no santuário.
O mistério encanta e faz sentir as vibrações
dos Querubins, Arcanjos e Serafins,
e o momento se faz transe
e o êxtase é real.


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Em nome da Africanidade e da Lei n° 10.639/03, alterando a Lei 9394 de 20 de novembro de 1996 da Lei de Diretriz e Base da Educação- LDB, que obriga incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a temática "História e Cultura Afro-Brasileira" ).







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AFRICANIDADE


Ao som do AGOGÔ e do BERIMBAU


um BATUQUE se ouvia ao redor de uma CACIMBA


num cortejo de SAMBA e MARACATU.


Dentro de alguns BÚZIOS serviam


ACARÁ, ACARAJÉ e ANGU,


CANJICA, INHAME, FUBÁ e CHUCHU,


MUNGUZÁ, MAXIXE, QUIABO e TUTU,


QUITUTE, VATAPÁ, DENDÊ e JILÓ,


e a CACHAÇA era dentro de uma QUENGA.


Alguns MALUNGOS faziam incenso com CACHIMBO


expulsando as coisas ruins para o CAFUNDÓ.


Outros faziam CAFUNÉ para acalamar o DENGO.


Com um CARIMBO os MOLAMBOS eram marcados


com imagens de MARIMBONDOS e CALUNGAS.



Os MOLEQUES e as MUCAMAS enfeitavam-se com MIÇANGAS.

Os MOCAMBOS eram protegidos por ORIXÁS



e pelo grande QUILOMBO liderado por ZUMBI.


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domingo, 24 de janeiro de 2010

HINDUÍSMO





























































Hinduísmo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Brama, uma das principais divindades do hinduísmo.
O hind
uísmo é uma tradição religiosa[1] que se originou no subcontinente indiano. O hinduísmo é frequentemente chamado de Sanātana Dharma (सनातन धर्म) por seus praticantes, uma frase em sânscrito que significa "a eterna dharma (lei)"[2]
Num sentido mais abrangente, o hinduísmo engloba o bramanismo, a crença na "Alma Universal", Brâman; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós-budista.[3] Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia e, como tal, o hinduísmo é citado frequentemente como a "religião mais antiga",
[4] a "mais antiga tradição viva"[5] ou a "mais antiga das principais tradições existentes".[6][7][8] É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador.[9] Estes tipos, sub-tradições e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal.[10] Outros pa
íses com populações significativas de hinduístas são Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trinidad e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.
O vaso corpo de escrituras do hinduísmo se divide em shruti ("revelado") e smriti ("lembrado"). Estas escrituras discutem a teologia, filosofia e a mitologia hinduísta, e fornecem informações sobre a prática do dharma (vida religiosa).
Entre estes textos os Vedas e os Upanixades possuem a primazia na autoridade, importância e antiguidade. Outras escrituras importantes são os Tantras, os Ágamas, sectários, e os Puranas (AFI: [Purāṇas]), além dos épicos Maabárata (AFI: [Mahābhārata]) e Ramáiana (AFI: [Rāmāyaṇa]). O Bagavadguitá (AFI: [Bhagavad Gītā]), um tratado do Maabárata, narrado pelo deus Críxena (Krishna), costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas.[11]
Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas qu
e são vistos como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu Ser.
A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares (manifestações corporais) da divindade suprema, Brâman. Particular destaque é dado à Trimurti - uma trindade constituída por Brama (Brahma), Xiva (Shiva) e Vixnu (Vishnu). Tradicionalmente o culto direto aos membros da Trimurti é relativamente raro - em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos praticantes, como por exemplo Críxena (Krishna), avatar de Vixnu e personagem central do Bagavadguitá.
Os hindus cultuam cerca de 33 milhões de divindades diferentes.

























vídeo sobre o hinduismo



















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S
EXUALIDADE  E  RELIGIÃO
















Marcelo Natividade*


Religião e sexualidade: convicções e responsabilidades, organizado por Emerson Giumbelli, 181 p. Ed. Garamond.
Como diferentes religiões lidam com o tema da sexualidade na sociedade contemporânea? Como importantes bandeiras da luta pelos direitos sexuais, como a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o direito ao aborto, são contempladas por certas crenças religiosas? Quais os limites de interferência da religião nas esferas pública e política no que se refere ao exercício da sexualidade e à conquista dos direitos sexuais? O livro polemiza estas e outras questões com textos que reproduzem o discurso de religiosos, em seminário dedicado ao diálogo entre distintos atores sociais (religiosos, acadêmicos e ativistas).

A publicação permite antever um panorama de posicionamentos doutrinários contemporâneos não contemplado em pesquisas no Brasil, assinalando as formas de regulação da sexualidade em contextos religiosos. As mudanças recentes apresentam-se no contraste entre perspectivas hegemônicas e minoritárias. Tensões são evidenciadas, relativas aos direitos humanos e ao exercício da sexualidade. Por exemplo, enquanto a Igreja Católica mantém a condenação oficial de práticas abortivas e uso de contraceptivos, como os preservativos, cresce o número de mulheres pobres que morrem em situações de aborto clandestino. O discurso religioso cristão – em uma perspectiva hegemônica – se apresenta com uma grande carga de concepções morais apesar de propagar a idéia de ‘acolhida’ de homossexuais: são difundidas nesse universo representações que caracterizam as práticas homossexuais como “pecado”, “anormalidade” e comportamento que se opõe ao “plano divino”. O aborto permanece como tema tabu em diferentes cenários religiosos, quase sempre condenado, a partir da valorização e respeito à vida humana. O embate travado em torno da proposta evangélica de reversão da homossexualidade por meio de terapias e/ou conversão religiosa ressalta a complexidade da articulação entre religião e sexualidade.

Homossexualidade, aborto e AIDS: convicções e responsabilidades

O primeiro conjunto de textos (Religião e seus posicionamentos I) aborda a aceitação/condenação da homossexualidade em distintas perspectivas religiosas, chamando a atenção pra o conservadorismo das doutrinas quando o assunto é sexualidade.

A posição oficial da Igreja Católica é contrária à prática da homossexualidade, principalmente a partir de um posicionamento acerca da legitimidade do projeto de Parceria Civil: “a Igreja Católica não admite que se façam comparações entre a união entre pessoas do mesmo sexo e o matrimônio no sentido cristão do termo”. Por outro lado, o catolicismo comporta posturas mais flexíveis no convívio cotidiano entre fiéis e sacerdotes, como mostra o sacerdote franciscano Antônio Moser, ao comentar sobre a crescente sensibilidade pastoral para o atendimento a homossexuais no Brasil.

Outro posicionamento cristão abordado é o da Igreja Anglicana, que concebe a homossexualidade como “incompatível com as Sagradas Escrituras”. Nesse sentido, a Diocese Anglicana do Recife chega a proibir a ordenação de clérigos homossexuais ou de heterossexuais “que defendam a normalidade da opção homoerótica”. A Igreja Presbiteriana no Brasil (em uma perspectiva hegemônica) também condena a homossexualidade como “pecado”, alinhada a outras denominações protestantes, portadoras de uma ética sexual puritana centrada em perspectiva literalista da Bíblia. Já a visão do espiritismo kardecista considera a existência de uma trajetória do espírito em sucessivas vidas. A teoria da reencarnação compreende a homossexualidade como uma tendência/personalidade adquirida em experiências vivenciadas em diferentes encarnações. Do ponto de vista dos ensinamentos doutrinários, a homossexualidade pode ser significada também como uma “prova”, possibilidade de “educação dos sentimentos” através dos sofrimentos e lutas interiores.

A segunda seção (Religião e seus posicionamentos II) apresenta uma perspectiva mais ampla, incluindo a discussão sobre o aborto. Também destaca os posicionamentos favoráveis à homossexualidade. A atuação da ONG feministaCatólicas pelo direito de decidir, chama a atenção para a pluralidade de pensamentos no catolicismo, e assinala os conflitos que se estabelecem entre forças conservadoras e progressistas. No interior de uma Igreja que sustenta firmemente sua posição combativa ao aborto, surge como uma voz dissonante que defende a descriminalização e legalização do aborto. Outro discurso minoritário é o de igrejas protestantes “liberais” como a Igreja Presbiteriana Bethesda de Copacabana, no Rio de Janeiro, que “aceita” a homossexualidade a partir da proposta de uma igreja inclusiva e liberal. Já o culto afro-brasileiro aparece como religião mais flexível à presença de homossexuais.

Os textos da terceira seção (Experiências e propostas em redes religiosas) consistem em relatos de líderes religiosos sobre pastorais de atendimento a pessoas com Aids e homossexuais e também de pesquisadores-ativistas em trabalhos de prevenção à Aids e outras DSTs. O grupo ecumênico Convivência Cristã abriga pessoas que se sentem excluídas de espaços religiosos que condenam a homossexualidade, permitindo a possibilidade de conciliação entre opção sexual e exercício da fé religiosa. No caminho oposto, perspectivas religiosas de vertente evangélica/protestante como o Corpo de psicólogos e psiquiatras cristãos, prometem a reversão da homossexualidade por meio de terapias e/ou conversão. Nesse sentido, a psicóloga religiosa Rosângela Justino polemiza ao afirmar que “há pessoas em todo o Brasil procurando apoio para sair da homossexualidade”.

O catolicismo é enfocado através do relato de iniciativas que acolhem portadores de HIV. O padre Valeriano Paitone, criador de casas de apoio a pessoas vitimizadas pela Aids, critica o moralismo oficial da Igreja e ressalta a responsabilidade das religiões em favor dos direitos humanos. Para ele, a Igreja deveria rever sua posição sobre temas que ainda considera tabu, como a Aids – o que permitiria que muitos trabalhos realizados com desviantes da norma religiosa saíssem da clandestinidade. Destaco ainda nesta seção, os relatos dos pesquisadores Luis Felipe Rios e José Marmo sobre representações da sexualidade entre adeptos do candomblé, cuja proposta interventiva é voltada à formação de sujeitos sexuais.

O desafio dos direitos humanos

O livro debate e explicita a complexidade da tarefa de promoção de um diálogo entre diferentes visões de mundo. Perspectivas doutrinárias e cosmológicas estão em jogo, em diálogo com tradições religiosas. Valores caros à promoção dos direitos humanos, como respeito à diversidade sexual e a não estigmatização das minorias sexuais, indicam a necessidade premente de indagação sobre as formas de abordagem e de regulação da sexualidade em discursos religiosos. Indo além, questionam as conseqüências sociais e políticas de tais posicionamentos. O desafio que aqui se coloca diz respeito ao impasse referente a conciliar diferentes convicções com as responsabilidades sociais em questão. A leitura do livro é um bom ponto de partida aos interessados no tema, por proporcionar um panorama geral e apresentar as tendências contemporâneas religiosas sobre a sexualidade.


* Doutorando em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.