SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

quarta-feira, 22 de maio de 2013

O SAGRADO NAS NOVAS EXPRESSÕES RELIGUIOSAS

A PROCURA DO SAGRADO NAS NOVAS EXPRESSÕES RELIGIOSAS


Leomar Brustolin*


A aula de Ensino Religioso é o espaço de troca sobre o relacionamento com o sagrado. As crianças e os adolescentes acompanham a religiosidade dos pais. Os jovens, porém, procuram se emancipar por caminhos novos. 

As últimas décadas têm trazido novas expressões na relação com o sagrado. São os chamados novos movimentos religiosos. O termo “novo” indica temporalidade – são mais recentes – e qualidade - pretendem inovar a prática religiosa por meio da emoção e da experiência comunitária. Sociologicamente, resultam da reação à modernidade, que propôs utopias dissociadas da religião. 

Novas respostas

Os movimentos religiosos, Igrejas e seitas, no caos da cidade, são espaços de reconhecimento diante da exclusão social e da solidão. São alternativas às velhas respostas das tradições religiosas para perguntas novas de contextos recentes. 

Ressignificam a dor, a violência, a pobreza e a falta de perspectiva de vida. Propõem cura, libertação, harmonia conjugal e familiar e sucesso financeiro. Oferecem às pessoas esquecidas pelo sistema ou angustiadas pela condição existencial o acesso à fonte da felicidade que remete à transcendência, ao sagrado e ao divino. 

O milagre, o mágico e o emocional são fundamentais nestes novos movimentos. Existe acolhida, cordialidade e reconhecimento pessoal, por meio de testemunhos e partilhas de experiências. O papel de Deus é somente ajudar as pessoas na luta da vida. É uma alternativa ante a religião intelectualizada com doutrinas e teologias formais.   

Há movimentos dualistas que reagem contra a modernidade, pregam uma moral sexual rígida e opõem-se aos cultos considerados pagãos: feitiços, idolatrias, superstições. Organizam a vida social dentro do movimento e evitam contato com idéias diferentes. Outros absorvem elementos da modernidade e se identificam com práticas da Nova Era, enquanto pretendem valorizar a experiência do sujeito mais do que delimitar um objeto para a fé. 

Tendências diversas

É difícil classificar os novos movimentos religiosos, pela complexidade de elementos que se entrecruzam. É possível identificar alguns de base cristã, com acento evangélico e pentecostal. São grupos fundamentalistas, católicos ou protestantes. 

Enfatizam a relação pessoal com o Espírito Santo e a mudança de vida, porém não acolhem a diferença. São críticos em relação à prática religiosa tradicional, mas retomam e radicalizam normas, ritos e interpretações das antigas tradições. Sentem-se interpelados às mudanças devido às novas condições da sociedade e da cultura moderna. 

Há também movimentos de origem oriental, que acentuam a experiência religiosa com base no hinduísmo ou no budismo. Nas grandes cidades, oferecem alternativa de reação à cultura e à religião do Ocidente, racionais, pragmáticas e pouco holísticas. Nesse contexto ressurgem vertentes da gnose, do ocultismo e do esoterismo. 

Existem, ainda, movimentos que prometem desenvolver potencialidades humanas desconhecidas. Associam ao dado religioso recursos e técnicas corporais e empregam noções pouco profundas de Psicologia, Física e Astronomia para explicar práticas e crenças. Refletem sobre dimensões cósmicas e ecológicas das religiões e formam um complexo sincretismo. 

Por fim, há movimentos que surgem ao redor de um líder dotado de dons e carismas pessoais capazes de persuadir, os seguidores o têm como inspiração e norma de conduta. 

Relação com a sociedade

Os novos movimentos religiosos são rejeitados e criticados porque condenam valores e comportamentos e evocam um mundo menos materialista. Outros assimilam as novas tecnologias e adaptam-se às necessidades e esperanças das pessoas. Finalmente, há movimentos que não se preocupam com a sociedade e sim com o indivíduo. Não fogem da sociedade, mas enfatizam a libertação do ego em vista do bem-estar e da felicidade individual. 

Não há entre os novos movimentos engajamento ecumênico. Muitos se fortalecem justamente no afastamento das tradições religiosas históricas e outros pensam de forma exclusiva a relação com Deus. 

Poucos entram em iniciativas comuns de Igrejas e religiões na promoção da paz, da ecologia e da justiça. 

Quando surgiram

No Brasil, a urbanização dos anos 1960 trouxe isolamento e a fragmentação e os movimentos religiosos favoreceram a integração social às novas populações urbanas. Permitiram ao povo reorganizar a vida social, dar sentido ao peso da vida cotidiana e alimentar a esperança.  

A partir de 1980, surgiram movimentos neopentecostais, enfatizando que a causa dos males é o demônio e a necessidade de se libertar as pessoas. Passaram a atrair pessoas de níveis sociais mais elevados, à procura de ritos e práticas religiosas capazes de ajudar na reestruturação da personalidade. Nessa perspectiva, difundiu-se a idéia de que o objetivo da procura de Deus é a felicidade neste mundo. 

A cultura de massa, atualmente, tende a ajustar a mensagem dos movimentos às novas exigências religiosas. No Brasil, movimentos compraram jornais e redes de TV e de rádio e usaram a internet, bem como as novas tecnologias, para expandir sua mensagem. O enriquecimento de alguns grupos foi surpreendente. A intensa coleta de ofertas baseou-se na idéia de que a pessoa se liberta do diabo mediante desprendimento financeiro em favor do altar. Há um contrato de troca de favores: o fiel dá o dízimo para receber inúmeras bênçãos que garantirão seu bem-estar. 

Critérios, com urgência!
 
A sala de aula é espaço de acolhida e respeito, porém, é necessário ter critérios claros para um conhecimento esclarecedor e significativo na vida dos alunos. É indispensável saber que os novos movimentos religiosos tendem a reduzir a religião à simples procura de realização humana. Fala-se de Deus, mas se deseja satisfazer necessidades vitais. 

A linguagem sobre o sagrado permanece na imanência. Por isso, há críticas até para a denominação: “Novos movimentos religiosos”, pois eles têm pouco de religião. Para alguns teóricos, esses grupos decompõem a religião na mágica, ou numa espécie de novo humanismo. Se considerarmos religião, os novos movimentos devem ser vistos como terapia para os processos de violência moderna. Não combatem nem transformam a realidade, mas oferecem paz e segurança para as vítimas do mundo desumanizador. 

No eixo das teologias, pode-se mostrar aos alunos que os novos movimentos religiosos proporcionam uma nova leitura da religião ante o Transcendente. Diante da fragilidade e dos limites humanos, é preciso propor a relação com o sagrado capaz de organizar a vida, dar-lhe sentido, oferecer responsabilidade e participação e abrir esperanças de futuro, à luz da transcendência. 

O desafio dos novos grupos às Tradições Religiosas é o testemunho de que o relacionamento com Deus leva para muito além do individualismo e da necessidade imediata.
* Doutor e padre Leomar Brustolin, professor de Teologia e coordenador do curso de Pós-graduação em Ensino Religioso da PUC-RS – Porto Alegre (RS).


Conheça mais

MARTELLI, Stefano. A religião na sociedade pós-moderna. São Paulo: Editora Paulinas, 1995. 496 p. (Coleção Sociologia Atual, cód. 08449-1).
Um estudo sociológico sobre o fenômeno religioso na sociedade pós-moderna.  

CATALAN, Jean-François. O homem e sua religião, enfoque psicológico. São Paulo: Editora Paulinas, 1999. 160 p. (Coleção Atualidade em Diálogo, cód. 9178-2).
A partir de uma sociedade secularizada, a obra aborda o fenômeno religioso sob o ponto de vista da Psicologia. 

BONFATTI, Paulo. A expressão popular do sagrado: uma análise psico-antropológica da Igreja Universal do Reino de Deus. São Paulo: Editora Paulinas, 2000. 192 p. (Coleção Religião e Cultura, cód. 09794-2).
Estudo da crença, da cultura e do psiquismo do povo brasileiro e análise do fenômeno do crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus.

terça-feira, 21 de maio de 2013

YOGA


Ioga
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.





Iogue em postura de lótus praticando pranayama.


Prática de asana: Parshvakonasana / rája trikônásana. Nomenclaturas diferentes dependendo da linha do praticante.
Ioga (em sânscrito e páli: योग, IAST: yoga, AFI: [joːgə]) ou yoga é um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia.1 A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo.2 3 No hinduísmo, o conceito se refere à uma das seis escolas (āstika) ortodoxas da filosofia hindu, e à sua meta rumo ao que esta escola determina como suas práticas.4 5
Os principais ramos do ioga incluem a raja-ioga, carma-ioga, jnana-ioga, bacti-ioga e hata-ioga.6 7 8 O Raja Yoga, compilado nos Ioga Sutras de Patanjali, e conhecido simplesmente como ioga no contexto da filosofia hinduísta, faz parte da tradição Samkhya.9 Diversos outros textos hindus discutem aspectos da ioga, incluindo os Vedas, os Upanixades, o Bagavadguitá, o Hatha Yoga Pradipika, o Shiva Samhita e diversos Tantras.
A palavra sânscrita yoga tem diversos significados,10 e deriva da raiz yuj, que significa "controlar", "jungir", ou "unir".11 Algumas das traduções também incluem os significados de "juntando", "unindo", "união", "conjunção" e "meios".12 13 14 Fora da Índia, o termo ioga costuma ser associado tipicamente com o Hatha Yoga e suas asanas (posturas), ou como uma forma de exercício.
Um(a) praticante avançado(a) da ioga é chamado de iogue.





O vocábulo ioga.

O termo ioga.
No devanágari, alfabeto utilizado no sânscrito, o termo é originalmente escrito desta forma: योग. Provém da raiz sânscrita yuj, que significa "jungir", "cangar", "arrear", "atrelar", "prender", "juntar". Quando se atrela o boi à canga ou jugo, ou ainda quando se junta a parelha de animais, isto significa que se está colocando esses animais em condições para o trabalho. Por isso, a raiz "yuj" também significa "adequar", "preparar" ou "utilizar".





A idéia de que a raiz "yuj" poderia significar "unir" no sentido de "integrar" (física ou misticamente) surge possivelmente a partir de uma afirmação vedantina que define o Ioga como a "união" entre o Jivatma e o Paramatma, que na verdade passam a ser um só. Mas "yuktam" (que é o particípio passado desse verbo) não significa "unido", mas "atrelado", "preparado" ou "adequado".
Ioga interpretado como "união" nos meios vedantinos, carece de sentido principalmente no Advaita Vedanta, onde tudo é Brâman, o Absoluto que abarca tudo o que existe, então não há a necessidade de "união", pois qualquer desunião, separação é mera ilusão (Maya), por isso há a descoberta da união sempre existente, a descoberta de Brahman em todas as coisas, inclusive no próprio individuo.
No Ioga Sutra essa interpretação de ioga como "união" também carece de sentido, pois somos e sempre fomos em essência o Purusha, a consciência incondicionada e eterna, que não precisa ser unida a nada, muito pelo contrário precisa ser desidentificada dos processos fenomenológicos da natureza (Prakrti).






Definições formais nas escrituras.

Os textos hindus que discutem aspectos da ioga incluem principalmente os Upanixades, o Bagavadguitá,o Hatha Yoga Pradipika e o texto mais importante de todos, o Ioga Sutra.
No Bagavadguitá:
"É dito que Ioga é equanimidade da mente". (II, 48) "Ioga é a excelência nas ações". (II, 50)
No Ioga Sutra:
"Ioga é o recolhimento das atividades da mente" (I, 2)
Comentários de Vyasa aos Sutras de Patanjali:
"Ioga é Samadhi". (I, 1)
Nos Upanixades:
"Não conhece doença, velhice nem sofrimento aquele que forja seu corpo no fogo do Ioga. Atividade, saúde, libertação dos condicionamentos, circunspecção, eloquência, cheiro agradável e pouca secreção, são os sinais pelos quais o Ioga manifesta seu poder." Upanixade Shvetashvatara (II:12-13).
"A unidade da respiração, da consciência e dos sentidos, seguida pela aniquilação de todas as condições da existência: isso é o Ioga." Upanixade Maitri, VI:25
"Quando os cinco sentidos e a mente estão parados, e a própria razão descansa em silêncio, então começa o caminho supremo. Essa firmeza calma dos sentidos chama-se Ioga. Mas deve-se estar atento, pois o Ioga vem e vai." Upanixade Katha, VI





Grafia.

Particularmente no Brasil, mas também em Portugal e outros países, há uma certa polêmica em relação à ortografia do termo, devido às inúmeras convenções utilizadas para a transliteração de idiomas escritos em caracteres diferentes dos latinos, como o grego, o hebraico e as línguas da Índia. As grafias atualmente propostas aparecem em quase todas as variações possíveis: "yôga", "yoga", "yóga" e, por fim, "ioga", única forma em língua portuguesa que é considerada ortograficamente correta.
No Ocidente, alguns autores diferenciam conceitualmente a palavra dependendo de sua grafia. Ironicamente, apesar de a palavra significar união, as diferenças também partem das diversas formas de se pronunciar a palavra ou redigir o termo transliterado.
A grafia adotada na Wikipédia é "ioga", a forma aportuguesada também utilizada nos dicionários. A exceção é para as citações e nomes próprios de livros ou linhagens, para os quais foram mantidas as grafias originais adotadas na literatura de cada modalidade. Por extensão, é adotada também a forma "iogue" para se designar o praticante de ioga.






Pronúncia.

Na pronúncia do termo sânscrito, ouve-se a primeira e segunda letras (considerando a palavra transliterada para o alfabeto latino) soando rapidamente, o Ô fechado e uma leve prolongação desta letra. O 'ga' é soado rapidamente com o 'g' quase mudo. Podemos ouvir a pronúncia ideal da palavra no subcontinente indiano, principalmente na Índia, já que muitos termos derivados do sânscrito estão sendo preservados pelo hindi, idioma indo-ariano comumente utilizado neste país.
Noutros países em que a filosofia vem sendo praticada com grande entusiasmo observa-se variações interessantes. Na Argentina, a variação é encontrada na pronúncia CHôga, garantindo o som chiado do "y" falado nesta região. No Brasil, a divergência fonética é sobre a letra 'O'.





Linhas.

Há dezenas de linhas diferentes de ioga no mundo, que propõem não necessariamente caminhos contraditórios, mas sim diversos caminhos para alcançar o mesmo objetivo: o Samádhi, ou Iluminação da Consciência.
Vários são os métodos e escolas para se atingir esta meta, porém ela sempre é o referencial. As escolas mais antigas utilizam-se de métodos estritamente técnicos. As escolas mais modernas tem uma conotação tendendo mais ao espiritualismo, fruto da difusão do Vedanta na época medieval. Desenvolveu-se ao longo da história no oriente, particularmente na Índia, e que nos dias de hoje está amplamente difundido no mundo todo, inclusive no ocidente.
Algumas linhas de ioga são: Ashtanga Vinyasa Yoga, Bhakti Yoga, Hatha Yoga, Iyengar Yoga, Jñana Yoga, Karma Yoga, Kriya Yoga, Raja Yoga, Raja Vidya Yoga, Siddha Yoga, Tantra Yoga, Kundalini Yoga, Prakriti Yoga entre outras.
Na Índia, país de origem da ioga, os mestres Krishnamacharya (B.K.S. Iyengar, Pattabhi Jois e Desikachar), Swami Sivananda, Gurudeva, Swami Vivekananda e Sri Aurobindo são algumas das principais referências.

Ioga Sutra de Patañjali.



Lahiri Mahāśaya sentado em lótus. Foto do livro Autobiografia de um iogue, de Paramahamsa Yogananda



Lahiri Mahāśaya sentado em lótus. Foto do livro Autobiografia de um iogue, de Paramahamsa Yogananda
Ver artigo principal: Ioga Sutra
A obra Ioga Sutra de Pátañjali (300 a 200 a.C.) é um tratado clássico da filosofia ióguica e contém seus principais aspectos. O sistema filosófico do Ioga como exposto no Ioga Sutra aceita a psicologia, metafísica e fenomenologia da escola Samkhya, por isso pode-se dizer que são duas escolas irmãs, diferenciando apenas no uso do Íshvara (Senhor, um Purusha nunca afetado pela Prakrti) que o Ioga usa para uma pratica chamada Íshvara pranidhána, entretanto o Samkhya não consegue provar ou não provar sua existência.
A obra foi escrita em sânscrito, e oferecem uma série de desafios, pois os sutras (literalmente "fio condutor") são aforismos sintéticos, curtos, alguns são tão sintéticos que chegam a ser obscuros. Feitos assim, eles deviam ser decorados pelos alunos e discípulos. E além disso há no texto o uso de diversos termos chave sem sua formalizações, principalmente provenientes do sistema Samkhya que é tomado como base. Por esses motivos o Ioga Sutra se torna de difícil entendimento por aqueles que não fazem parte da cultura do ioga. Assim o Ioga Sutra foi vastamente traduzido e interpretado durante séculos das mais diversas maneiras, por comentadores. O primeiro comentador, além de mais famoso e autorizado, do Ioga Sutra é Vyása em seu Iogabasya, obra de 500 a 850 d.C.





Ashtanga: os oito pilares da ioga clássica.

Referidos como componentes ou etapas, são passos que se sobrepõem à medida que se avança no caminho. São:
1 - Yama ou refreamentos
1.1 -Ahimsa ou não violência
1.2 -Satya ou não mentir
1.3 -Asteya ou não roubar
1.4 -Brahmacharya ou não dissipar a sexualidade
1.5 -Aparigraha ou não cobiçar
2 - Niyama ou auto-observações
2.1 -Saucha ou limpeza
do corpo: alimentação, limpezas corporais (shat-karma) e pranayama.
da mente, do intelecto, das emoções
do lugar em que se pratica ioga
2.2 -Santosha ou autocontentamento
2.3 -Tapas ou autosuperação
esforço do corpo, da fala e da mente
2.4 -Svadhyaya ou autoestudo
2.5 -Ishvara pranidhama ou autoentrega
3 - Asana ou posições psicofísicas
4 - Pranayama ou expansão (ayama) da força vital (prána) através de exercícios respiratórios
5 - Pratyahara ou abstração dos sentidos externos
6 - Dharana ou concentração mental
7 - Dhyana ou meditação
8 - Samadhi ou absorção meditativa






Obstáculos: Nove dispersões mentais.

Patañjali enumera nove obstáculos ao yoga (Sutra 1.30) que são dispersões ou oscilações mentais, embora outros fatos não enumerados também possam ser considerados obstáculos.
1 - Doença, desequilíbrio do corpo-mente
2 - Apatia, inércia da consciência
3 - Dúvida, conhecimento que oscila entre os pares de opostos
4 - Negligência, falta de investigação dos meios de se alcançar o Ioga
5 - Preguiça, ausência de esforço do corpo e da mente
6 - Incontinência, apetite da consciência pelo gozo dos sentidos
7 - Percepção errônea ou noção incerta, vem do conhecimento errôneo (viparyaya)
8 - Não-realização das etapas, é a falha em se alcançar os estados do Ioga
9 - Instabilidade, é a não estabilização da consciência
Aparecem junto com essas dispersões (Sutra 1.31):
1 - Sofrimento
2 - Angústia, devido a não satisfação de um desejo
3 - Agitação do corpo
4 - Inspiração, uma respiração agitada, sem ritmo, não-profunda, rápida, irregular é sintoma de uma mente ainda dispersa
5 - Expiração
Para preveni-las, deve-se praticar disciplina (abhyása) sobre um princípio (tattva) qualquer (Sutra 1.32).

RELIGIÃO E VIDA



No universo em que vivemos, notamos uma série de angústia de formas diversas.
Existem pessoas que a vã esperança de serem salvas, pelo menos em outro Universo, e desta forma acabam procurando a fé religiosa. Isto porque os homens sempre procuram fugir da angústia cotidiana a procura da obtenção da felicidade. todavia, embora procurem essa felicidade incessante, acabam vivendo às avessas do que desejam, pois a vida é cheia de precalços e sofrimentos. Por que será?
Isto porque, as pessoas limitam em procurar tão somente a felicidade, mas esquecem algo mais importante, isto é, o seu comportamento espiritual. esquecem na maioria das vezes a purificação de seu espírito, que trará como consequência direta, o benefício para a sua conduta pessoal.
Com a correção de sua própria conduta, obviamente passará a obter um bom relacionamento humano, e a sociedade em que vivemos tornar-se-a mais bela e harmoniosa e, consequentemente haverá a felicidade para si própria.
Como se vê, na obtenção da felicidade por si próprio, o objetivo essencial é a reformulação do seu estado espirital. Bem, o que é este estado espiritual? Na maioria das vezes pensar que a conduta pessoal depende exclusivamente da sua livre iniciativa. Será que isso acontece?
"pensa-se não se zangar, mas acaba ficando nervoso". "Procura-se em não se queixar de nada, mas sem querer acaba-se desabafando e trazendo dissabores para os indivíduos com quem vivemos". Seria a mesma coisa que procurar por todos oe meios não caira em tentação por determinada coisa. Com o domínio excessivo de ego, não se é capaz de controlar por si mesmo, espiritualmente. Quando de tem saúde, pensa-se que com a própria enerdia se é capaz de fazer tudo sozinho, é uma superestimação de sii próprio, entretanto, uma vez atacada pela doença, percebe-se que mesmo querendo trabalho, não se é capaz de dominar a própria consistência física.
O homem é frágil, cercado de incerteza, então no que se deve apoiar para viver?



                                                         

                               
                            

                            

A RELIGIÃO NA VIDA DO HOMEM

Como nasceu a Religião?
Há quem diga que não nasceu com o Homem, outros afirmam que anterior ao próprio Homem.
O Homem apareceu na Terra 10 milhões de anos atrás na forma de Australopitecus, a primeira forma autêntica de Homem e posterior aos Ramaphitecus, que foram os últimos homens-macacos. Nos primeiros milhares de anos o Homem leva uma vida similar a um animal alimentando-se de raízes, plantas, caramujos, insetos.
A primeira ferramenta que descobre é sua própria mão e com seu uso inicia uma lenta progressão para uma vida melhor. Do convívio com outros homens cria uma comunicação mediante a linguagem e começa a se diferenciar dos outros animais.
Criam-se tribos, amplia-se sua base social e se desenvolve a observação da natureza, começa a pensar em diversas situações que acontecem, tais como os sonhos, os fenômenos atmosféricos, o nascimento de uma nova vida, as doenças e a morte.

As práticas religiosas são uma fase recente dentro da evolução do Homem. Digamos que anterior a 200.000 anos o Homem careceu de todo sentimento religioso. A religião existe, mas ainda o Homem na sua ignorância não tem consciência dela.
A resposta a essas suas preocupações há de estar em um ser superior que não habita nossa comunidade.

O Homem sente a necessidade de um Deus como um meio de atingir a imortalidade. A existência de um Deus, mesmo que disfarçadamente, é de interesse pessoal do Homem usando-o como seu protetor e para lhe garantir sua ressurreição.
Sua primeira descoberta como Ser superior e que lhe acompanha, inatingível, é o Sol. O Homem, animal racional, tentou compreender o mistério do Sol; era seu amigo, pois durante o dia com a sua luz facilitava-lhe a caça, protegia-o do frio, mas que, infelizmente, todos os dias era derrotado pelas trevas e perecia, deixando-o totalmente inerme, sem defesa.
O ocaso do Sol causou-lhe receio e, provavelmente, medo. Amou a luz e temeu as trevas. Adorava o nascimento do Sol e chorava sua desaparição. Este estado espiritual foi-se transmitindo por gerações. E assim, desde a Antigüidade, o Sol foi considerado uma divindade e, como tal, adorado pelo Homem. Povos históricos tais como os indianos, os persas, os gregos, os egípcios, os romanos, os astecas e os incas, renderam-lhe homenagens e tributos. Em efeito, todos os livros sagrados das primitivas religiões revelam que a teologia de todos os povos fundava-se em que os astros, especialmente o Sol, eram os causadores de todos os bens e desgraças do Homem, através da sua ação nas forças da natureza.
Fonte de luz e calor, o Sol foi proclamado Rei dos Céus e Soberano do Mundo. A emocionante regularidade da sua brilhante aparição e seu ocaso ensinava os Homens as verdades da vida, da morte e do renascimento. Era vencido pelo gênio do Mal, representado pelas trevas, mas reaparecia novamente como renascido e vencedor. Com esta morte e ressurreição alegórica, o Homem conhece pela primeira vez, as vicissitudes da vida e o dogma glorioso, análogo como vida nasce da morte.
Pela adoração ou culto do Sol, o Homem chegou na Antigüidade com a concepção das idéias mais sublimes sobre a divindade e a existência humana. É sabido que todos os deuses solares (Horo, Mitra, Freyr, Baco, Adonis, Jesús, Huetsilopochtli, etc) nascem no solstício de inverno e morrem no equinócio da primavera. Essa coincidência mostra que não se trata da história de um Homem e sim de um herói de um mito solar.


O Homem começa a criar mitos, pequenos dramas para explicar e humanizar tais ritos. Os mitos serviram no passado para expor certas verdades de forma que somente os iniciados poderiam entender. O primeiro mito que o Homem conheceu é o Mito Solar. O Sol representava o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição. Assim a religião católica estabeleceu o nascimento de Jesus em 25 de

Dezembro, no solstício de Inverno (Hemisfério Norte) quando a constelação da Virgem aparece no horizonte simbolizando que Ele nasce de uma virgem. Logo, similar ao Sol, a Jesus pesa a todos os perigos que lhe ameaçam na sua infância  e se levanta triunfante para proclamar sua doutrina. O Sol renasce na primavera e cria uma nova vida na natureza que havia perecido no inverno. O Sol foi o início das religiões.

O sepultamento de cadáveres é outra conseqüência inequívoca de uma manifestação religiosa. Começa no início da pré-história quando o Homem ainda não conhecia a existência da alma. Pensa que o defunto continua vivendo em um lugar desconhecido, por isso toma medidas que assegurem sua subsistência após a morte; seus restos são pintados de vermelho relacionando à caça para subsistir simbolicamente com a cor do sangue dos animais com que se alimentara. Lembremos que atualmente os restos do Papa morto são envolvidos em tecidos na cor vermelha.

A religião chega ao Homem como uma concepção geral que cada povo vai adequando aos seus costumes e crenças que lhe foram transmitidos pelos seus antepassados.





E que é Religião?
- Conjunto de crenças e dogmas acerca uma divindade. Do latim religare.
- Conhecimento que nos relaciona com as grandes forças cósmicas
- Medo ao desconhecido
- Crença na existência de poderes superiores ao Homem que controlam sua própria vida
- Adoração de seres sobrenaturais

Todas as religiões possuem os mesmos elementos, mesmo que em algumas se encontrem mais ocultos que em outras; estes elementos são:

- Animismo:
A crença que nas coisas vivem espíritos. 

- Magia:
Obra por médio de causas naturais para ter efeitos sobrenaturais

- Totem:
A dependência dos homens respeito aos animais e seu temor a bestas de grande tamanho.

- Tabu:
Palavra polinésia que significa "proibido". O tabu consiste no ato que não deve realizar-se porquanto colocaria as forças do "Mana" (poder que não é físico) em contra de quem romper o tabu.

- Culto dos antepassados:
Deve ter aparecido com a aparição dos mortos em sonhos.

- Mitos:
Dramas para humanizar os ritos

- Alma:
Os gregos pensavam que a alma é um livro onde são escritas todas as realidades e todas as leis. A Alma fica entre dois mundos, o visível e o oculto como instrumento supremo do conhecimento.
Como vimos acima à origem das religiões foi de proteção; o Homem se descobre como um ser limitado no tempo e no espaço. Inerme frente a forças naturais.
Depois a Religião começa a ser utilizada pelos pensadores para encontrar a razão da existência do Homem.
As religiões tem tido um aspecto duplo: o aparente (as escrituras) e o oculto (o espírito).
Cada religião considera suas escrituras como sagradas e recebidas como a verdades reveladas por Deus. Não nos interessa analisar que profeta recebeu a revelação verdadeira. Pensamos que todas as religiões são possuidoras da mesma verdade entregue a elas pelo mesmo profeta e que Deus é único. Sabemos que esta afirmação não vai ser do agrado quase que de nenhum representante religioso.

Ciência versus Religião

“Podemos ainda dizer que se um pouco de ciência nos afasta de Deus, muita ciência nos reconduz a Ele”  (Pasteur).

O Homem tem estado sempre preocupado por conhecer o mundo exterior para adaptar-se a ele.  A Ciência tem desenvolvido esforços através dos séculos e algo tem avançado; mas, devido à imensidão do Universo e sua complexidade, quanto mais se avança mais se aumentam as dúvidas. Mas o Homem não desanima e continua escrutando e estudando o Universo, mesmo tendo a certeza que nunca conheceremos a VERDADE.
Séculos atrás a religião, representada pela Igreja Católica, preocupou-se com os avanços da ciência pensando que estes novos conhecimentos iriam a destruir a fé religiosa. 
Mas pensadores e até lideres de diferentes religiões concordam que a Ciência e a Religião caminham no mesmo sentido. O Homem e o Universo são unidades inseparáveis, e tanto a Ciência como a Religião ajudam o Homem a pensar e procurar respostas aos grandes enigmas:

O que é o Mundo?
O que é a vida?
O que somos? Considerando o Tempo e o Espaço, somos infinitos.
Por que estamos aqui, inseridos em um Universo infinitamente grande e em permanente expansão?
Qual o futuro do Homem?
Se o homem vai ser destruído, por que existe?
Deixará uma mensagem, uma lição? Ao benefício de quem?
Por que a natureza morre no Inverno e renasce na Primavera? Por que não fica sempre viva pra que seus frutos fiquem a disposição do Homem? 

O que se oculta neste processo de morte e renascimento? Algo persiste; tem que haver uma substância, no sentido filosófico, algo que continua sendo o mesmo pese a este eterno morrer e renascer.

Por que existe alguma coisa em vez do nada?
O que é Nada?
Quem criou o espaço, o tempo, os elementos, os fenômenos físicos?
Seria a religião necessária?
A religião une ou separa os Homens?

Maçonaria

A Maçonaria é correta quando nos pede estudar o sentido dos símbolos do nosso Templo e, com esta ajuda, buscar a verdade sem que exista qualquer imposição.
A Maçonaria fornece uma Tocha para iluminar nosso caminho, caminho no qual não existem deuses antropomórficos e nos entregando a fórmula do G.A.D.U. representando a Verdade, incansável, e que cada passo que damos à frente surge maior número de dúvidas, mas não devemos desencorajar, continuando com um espírito aberto para nossas esperanças. 
A verdadeira Religião não é uma manifestação exterior, deve estar dentro do Homem, dirigindo-o em seus passos pelo caminho da Virtude. A verdadeira religião está acima das religiões criadas pelo Homem por interesses egoístas e separatistas e muitas vezes, financeiros.
Se o Universo foi criado, é por que existe um Criador.
Deus é o Ser por excelência, origem de todos os seres, Tríplice e Único: Substância, Essência e Vida, resumo do todo o Universo.