SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

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segunda-feira, 31 de março de 2014

EVIDÊNCIAS - Mitos da Bíblia, 2012 - TVNovoTempo






ALGUNS FALSOS MITOS SOBRE A BÍBLIA

"A Bíblia perdeu parte de seu conteúdo original devido as sucessivas traduções"

Apesar de que qualquer tradução sem dúvida prejudique a essência de uma obra, não é procedente acreditar que a Bíblia que possuímos hoje seja diferente daquela que foi originalmente escrita. Ao contrário do que se pensa, a Bíblia não sofreu diversas traduções sucessivas. Mesmo as que possuímos em Português foram em sua maioria traduzidas de seu idioma original.

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico e Aramaico, e o Novo em Grego. Nenhuma dessas línguas está morta como ocorreu com o Latim, a primeira língua para a qual foi traduzida. Qualquer um desses idiomas é ainda hoje falado por milhões de pessoas no mundo e qualquer um pode aprendê-lo com facilidade em cursos, escolas especializadas ou universidades.

A maioria dos estudiosos afirma que a melhor tradução da Bíblia é a versão para o Inglês demoninada King James Bible, em Português as preferências recaem para a versão de João Ferreira de Almeida, utilizada pelos Protestantes, e para a Bíblia Católica de Jerusalém.

"A Bíblia teve seu conteúdo original deliberadamente alterado pela Igreja Católica"

Este é um mito sem o menor fundamento, embora de fato alguns trechos de certas versões da Bíblia tenham sofrido interpretações temporais, ela não sofreu nenhuma alteração em sua essência.

Além da Igreja Católica, a Bíblia também foi guardada por diversas comunidades do oriente médio, principalmente árabes, pela Igreja Ortodoxa Oriental e o Velho Testamento também pelos Judeus. Não há qualquer diferença significativa entre elas.

Ademais seria muito estranho que tal fosse verdade, pois pareceria um trabalho de péssima qualidade uma vez que diversas posturas da Igreja Católica são claramente Anti-Bíblicas, e se ela a tivesse alterado, teria pelo menos atenuado tais contradições.

Vale lembrar que o Catolicismo é uma religião baseada não somente na Bíblia, mas também em quase 2.000 anos de obras filosóficas, éditos e bulas papais.

"A Bíblia traz, disfarçadamente, o conceito de Reencarnação"

Esse mito é em geral alimentado pelos dois anteriores.

Apesar de ser este o desejo de diversos místicos, é preciso muita distorção interpretativa para se retirar a idéia de reencarnação diretamente da Bíblia. Há inúmeras citações que inviabilzam tal possibilidade, e pouquíssimas que se interpretadas isoladamente, poderiam sugerir qualquer apoio à crença da reencarnação.

"De acordo com a Bíblia, as pessoas boas estão no Céu e as Más no Inferno"

Essa é uma das mais flagrantes evidências do quanto a maioria dos cristãos não conhece sequer o básico sobre seu próprio livro sagrado.

Qualquer interpretação teológica séria da Bíblia mostra claramente que até hoje, NINGUÉM foi para o Céu ou Paraíso, nem exatamente para o Inferno ou mesmo Purgatório. De acordo com a Bíblia TODOS OS MORTOS ESTÃO MORTOS! Deixaram de existir! E sendo assim não tem qualquer consciência. Ou no máximo estariam em algum plano incogniscível.

Os mortos só serão ressuscitados no dia do Juízo Final, quando finalmente serão julgado por Deus e aí sim, os ditos ímpios serão lançados ao Abismo/Inferno e os escolhidos PERMANECERÃO NA TERRA, que voltará a ser um Paraíso como fora o Jardim do Éden. Pela maioria das teologias, ninguém ira exatamente para o Céu!

A Bíblia também não menciona o Purgatório.

"A Bíblia declara que os condenados ao Inferno sofrerão Eternamente"

Embora essa idéia seja predominantemente difundida entre boa parte dos cristãos, ela não é declarada explicitamente na Bíblia. No Velho Testamenteo com certeza não há qualquer menção a Condenação Eterna, mas há sim citações no Novo Testamento que dão essa idéia. Entretanto ela é extremamente duvidosa uma vez que as palavras empregadas, inclusive a usada para "eterno", tem outros significados.

Muitos teólogos e igrejas específicas propõem que os condenados serão aniquilados pelas chamas do Inferno, ou seja, deixarão definitivamente de existir. É a doutrina do Aniquilacionismo.

Além disso a própria expressão "Punição Eterna" possui uma contradição básica que pode ser evidenciada em qualquer dicionário. "Eterno" é um conceito que está fora do Tempo, tendo sempre existido, já "punição" ou "condenação" claramente dependem do conceito de Tempo, só se pode ser julgado ou condenado por algo que se fez no passado, e só se pode ser punido a partir de algum momento no tempo, o que contraria a idéia de Eterno.

O termo mais correto seria Punição Perpétua, que mesmo assim, não possui base Bíblica clara.

"Pela Bíblia o Ser Humano possui uma alma imortal que transcende o corpo físico"

Outro mito difundido mas sem base. Pela Biblia, o Ser Humano só possui alma enquanto possuir corpo. Não há uma essência espiritual independente. Após a Ressureição no Juízo Final, que ressucita tanto a alma quanto o corpo, os escolhidos para o Paraíso viverão fisicamente nele, assim como os lançado ao Inferno.

"A Bíblia, se bem interpretada, não apresenta erros sobre a concepção da natureza"

Esse é um mito pró-bíblico recente disseminado em geral por fundamentalistas cristãos, em especial pela Sociedade Torre de Vigília e várias designações batistas. Trata-se de tentar provar, sacando versículos isolados e alterando-lhes a interpretação, que a Bíblia contém uma visão de mundo plenamente compatível com a visão científica atual. Faço uma abordagem que demonstra uma visão Geocêntrica e Plana da Terra no texto CIÊNCIA X BÍBLIA. Há inúmeros outros erros de ordem científica na Bíblia, que pretendo abordar pouco a pouco.

A ser continuado...

Embora seja evidente que a Bíblia dê margens a múltiplas interpretações, há limites para tais. Há de fato muito pontos discutíveis, contraditórios e dúbios, porém, nada muda o fato de que a Bíblia Cristã seja um livro RELIGIOSO, CRIACIONISTA, MONOTEÍSTA, NÃO-REENCARNACIONISTA, SALVACIONISTA, de considerável teor MANIQUEÍSTA e sobretudo MITOLÓGICO.






Mitologia cristã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
É considerada como mitologia cristã o corpo de histórias
 que explicam ou simbolizam crenças cristãs. Um mito
 cristão é uma história religiosa que os cristãos consideram
 ter profunda explicação ou significado simbólico.
 Para os especialistas em cristianismo, este termo é usado
 universalmente para se referir a todas as crenças do cristianismo.
mitologia cristã, mesmo sem se referir a assuntos-chave da
 doutrina cristã, inclui o corpo de lendas que se acumularam sobre
 os personagens do Novo Testamento e da vida dos santos para
 enfatizar ou explicar as crenças. Os detalhes lendários da carreira
 de Pôncio Pilatos são exemplos clássicos de mitologia cristã.
 Muitos detalhes de hagiografias estão nos padrões de mitografiacristã.
Essas histórias ilustram temas cristãos podendo ou não estar na biblia.
 Outras histórias, que foram criadas para ensinar valores ou tradições
 espirituais cristãs, podem ser incluídas na categoria de mitologia cristã.
 As histórias de São Jorge e São Valentim eram aceitas como verdadeiras,
 mas hoje colocam-se como histórias fictícias.

Mitologia cristã bíblica


Fazem parte da mitologia cristã, JesusDeusEspírito Santo,
 os 3 principais; além de anjosanjo da mortearcanjos,
 celestiais,demôniosespíritos de demônios, vermes infernais,
 bestas demoniacas, dragões, feras de sete cabeças,
 homens gigantesbeemotesjumento-falante, serpente-falante,
 serpente-bípedeárvoreda vida, comida caindo do céu, cajados
 virando serpentes, água virando sangue, pessoas voltando dos mortos,
 o Sol parando por horas, abertura do Mar Vermelhobruxas lendo o futuro,
 anjos dormindo com humanas, pessoas que passam dias no
 estômago de uma baleia, entre outros. Além de histórias,
 contos e passagens não comprováveis cientificamente que se encontram naBiblia.
Acontecimentos importantes na história mitológica que são aceitas
 (com variações) por muitos cristãos:
Mitos compartilhados com o Tanakh hebraico
  • Cosmogonia
O Cristo

Escatologia

Mitologia cristã não bíblica








São exemplos de mitos cristãos não mencionados no cânone
 e elaborações literárias e tradicionais na mitologia cristã canônica:

Ver também[editar | editar código-fonte]


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segunda-feira, 24 de março de 2014

A VIOLÊNCIA E O SAGRADO



Entrevista – René Girard (A VIOLÊNCIA E O SAGRADO)

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Para o filósofo e historiador francês, a tendência das multidões é canalizar a violência coletiva em um único indivíduo
Melissa Antunes de Menezes
“A concepção romântica do desejo é ilusória”, afirma René Girard, 85, membro da Academia Francesa e professor de Literatura Francesa na Universidade de Stanford. Sua teoria do desejo mimético indica que entre o sujeito e o objeto não existe somente o desejo, mas também o modelo, o mediador do desejo, ou o rival. O conceito de mimesis aqui estabelece o ponto central da articulação. Desde as sociedades primitivas, o desejo mediado é o desejo causador dos conflitos. Pela imitação, aprendemos a falar, a andar e a desejar. E, pela imitação do desejo alheio, competimos e rivalizamos, dando início a um ciclo de violência, capaz de se atenuar pelo sacrifício, neste caso, de uma vítima que acaba por aliviar as tensões do coletivo, reestabelecendo a paz momentânea. Torna-se inevitável, dentro deste esquema, que também o ciúme e a inveja façam parte da mimesis do desejo.
Radicado nos Estados Unidos há mais de 50 anos, Girard estudou o Antigo Testamento sob a ótica sociológica e vê no cristianismo a primeira religião que consegue amenizar a violência pelo expediente da crucificação.
Nesta entrevista, concedida com exclusividade à CULT, o historiador fala sobre alguns dos temas presentes naquele que é considerado seu mais importante livro, Coisas ocultas desde a fundação do mundo, publicado originalmente em 1978 e lançado neste mês pela editora Paz e Terra. Nele, Girard aprofunda, através de diálogos com dois psiquiatras franceses, suas hipóteses sobre a violência, o desejo e a representação do sagrado, desenvolvidas a partir de temas de seu livro anterior, A violência e o sagrado.
CULT – Fala-se muito hoje em violência. Mas não vivemos uma época em que há maior controle social e cultural da violência do que em qualquer outro período da história?
René Girard – Temos um grande controle da violência no que se refere ao local. Entretanto, as pessoas não estão cientes da violência em si. A mediação externa resolve o problema da violência de forma imperfeita porque o faz através de uma vítima. Considero que temos paz no âmbito individual, mas a ameaça está no coletivo. Tanto o rito quanto a proibição somente adiam a explosão da violência.
Sistemas religiosos como o cristianismo atuam no sentido de conscientizar sobre o uso da vítima expiatória. E não existe uso deste mecanismo de forma consciente. O bode expiatório é inconsciente, ou não é.
Em um nível exponencialmente maior, estamos lidando hoje com a possibilidade da destruição total, do uso da violência em termos absolutos, através do crescente desenvolvimento de tecnologias novas como a nanotecnologia — manipulação de partículas que podem desencadear reações de potencial altamente destrutivo.
CULT – Assim como Peter Gay, o senhor afirma que o coletivo é assassino por natureza e não o homem. Poderia explicar?
RG – Penso que o indivíduo não é assassino em sua natureza e, sim, o coletivo. As descobertas coletivas são perigosas em vários aspectos do desenvolvimento humano.
A primeira metade do século 20 foi intensamente bélica. O século 21 traz novos desafios e preocupações, que são o desenvolvimento científico e as descobertas para as quais não estamos novamente preparados.
Acredito que nossa natureza mimética é responsável pela tendência das multidões de focalizar sua violência em um único indivíduo que se transforme, arbitrariamente, no bode expiatório de alguma comunidade. A matança unânime de uma vítima inocente, no passado, pacificava multidões perigosamente perturbadas e tornou possível sua estabilização.
Acredito que o bode expiatório tem um papel essencial na criação e na perpetuação de religiões arcaicas. As culturas arcaicas foram essencialmente a repetição de sacrifícios religiosos, evacuando a violência interna através destas vítimas substitutas. Isto não significa que eu recomende o mecanismo do bode expiatório para a manutenção da paz dentro das comunidades. Uma vez que o ciclo do sacrifício é compreendido, ele perde sua eficácia, como uma arma contra a violência interna.
Os deuses arcaicos, na minha opinião, são vítimas da matança daqueles que põem fim à violência disruptiva e são considerados divindades da violência e da paz.

CULT – Thomas Mann se perguntava: “Não é a paz um elemento de corrupção civil e a guerra purificação, liberação, uma enorme esperança?” O rito sacrificial – o uso da violência para apaziguar ânimos – vem sendo há muito tempo discutido pela literatura universal?
RG – Não concordo que a guerra traga purificação. Na literatura há comentários sobre o comportamento mimético tanto do desejo, quanto da violência. O rito sacrificial é arcaico, é gênese da violência humana. O uso do bode expiatório está presente na literatura, como em Shakespeare, por exemplo.
Esta declaração do jovem Thomas Mann reflete a atitude à época do início da Primeira Guerra e foi compartilhada por muitos ingleses e franceses. Este espírito durou até, aproximadamente, 1916. Estas opiniões sofreram mudanças extremas devido às terríveis perdas da guerra e do progressivo aumento do poder militar.
Mann era muito comprometido e leal às ideias antinazistas e perdeu sua crença no poder enobrecedor do aparato de guerra. Concordo com o Thomas Mann mais velho. No futuro, ou não haverá nenhuma guerra como aquelas do século 20, ou nós veremos a destruição da civilização.
CULT – Em Coisas ocultas desde a fundação do mundo, o senhor diz que os ritos sacrificiais perderam força sob influência do judaísmo e do cristianismo. No que concerne à relação entre Israel e Palestina, existe o uso do mecanismo sacrificial?
RG – Devemos tentar ver todos os conflitos e guerras que temos hoje sob a ótica do mecanismo mimético. Mimesis tanto do desejo, quanto do uso da violência. No cristianismo, quebra-se o ciclo. Cristo oferece a outra face e redime seus algozes. Não busca vingança, não derrama mais sangue. É pela cruz, pelo amor, que se dá a interrupção do ciclo de violência. O cristianismo mostrou que a sociedade humana produzia vítimas únicas. A crucificação desobstruiu o caminho para o entendimento do processo da vítima expiatória.

CULT – Mimetizamos o desejo e também a violência? Ou, ao mimetizar o desejo, criamos a violência?
RG – Sim, as duas sentenças estão corretas. Criamos rivalidade na mimesis, competindo pelo mesmo objeto, desejando os desejos do nosso modelo, o outro. Esta admiração velada do prestígio do outro, do que o outro possui, é a constatação clara de ser insuficiente. Constatação esta muito angustiante e incômoda. Já o modelo, o intermediário, não é passivo dentro deste mecanismo. Pelo contrário, faz de tudo para provocar o desejo do outro sobre seu objeto. Pois, que valor tem o objeto, senão pelo desejo de outrem? Este é o ciclo infernal do desejo. E também dos conflitos.
CULT – Para Freud, o mal-estar do homem moderno ocorreria devido à repressão de sua violência natural, que gera outros problemas de ordem interna e também conflitos sociais de diferentes naturezas. A teoria de Freud não vem de encontro à sua?
RG – Sim, há uma oposição entre as ideias de Freud e as minhas. Muitos diriam que tanto na repressão da libido em Freud, quanto no uso do mecanismo de vítimas arbitrárias para aplacar explosões, reside uma ideia similar. Mas não concordo com Freud e com sua teoria de que tudo está relacionado ao desejo sexual. Freud justifica todo comportamento humano baseando-se nesta ideia. Ele foi o primeiro a ver a profunda influência que uma pessoa tem sobre a outra. Mas discordo de sua visão de que a influência dos pais delinearia a personalidade. A visão de Freud ficou muito restrita ao período em que viveu, no qual predominava um certo tipo de estrutura familiar.


CULT – E quanto àqueles que somente desejam o impossível? Ou, como disse Kierkegaard, “cometem o pecado capital de não querer nada profunda e autenticamente”?
RG – Minhas ideias estão bem mais próximas às de Kierkegaard do que foi visto nas entrevistas que dei e nos artigos escritos sobre minha obra. Para mim, o desejo do impossível e o não-desejo ainda estariam de acordo com mecanismos miméticos.
Kierkegaard constatou, em sua análise dos três estágios do ser, a presença de um homem que se escora no outro. Possuindo um vazio existencial aterrador, ele procura na observação do outro, do que o outro possui, do que o outro aparenta, uma forma de saber quem é e como sentir-se pleno. Portanto, para ser ele mesmo, este homem necessita tomar conhecimento do outro, como no mecanismo do desejo mimético, onde este desejo somente se faz possível pela intermediação do que é e deseja um outro.