SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

domingo, 27 de fevereiro de 2011

ECUMENISMO



ECUMENISMO

Ecumenismo (ou eucumenismo) é o processo de busca da unidade. O termo provém da palavra grega "oikos" (casa), designando "toda a terra habitada". Num sentido mais restrito, emprega-se o termo para os esforços em favor da unidade entre igrejas cristãs; num sentido lato, pode designar a busca da unidade entre as religiões ou, mesmo, da humanidade. Neste último sentido, emprega-se também o termo "macro-ecumenismo".
Dicionário Aurélio define ecumenismo como movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católicaortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs.
Do ponto de vista do Cristianismo, pode-se dizer que o ecumenismo é um movimento entre diversas denominações cristãs na busca do diálogo e cooperação comum, buscando superar as divergências históricas e culturais. Segundo a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, o termo ecumênico quer representar que a Igreja de Cristo vai além das diferenças geográficas, culturais e políticas entre diversas igrejas[1]. Nos ambientes cristãos, a relação com outras religiões costuma-se denominar diálogo inter-religioso. Este artigo foi desenvolvido na perspectiva do ecumenismo como a busca de unidade entre igrejas cristäs. Para uma visão macro-ecumênica.
Histórico

O termo ecumenismo

No mundo grego, ecumenismo significava "terra habitada", e tinha o sentido de "povo civilizado", de cultura aberta, tanto com uma perspectiva geográfica, como de civilização. Com as conquistas do império romano, o termo ganha mais uma conotação, a conotação política. Já no cristianismo, a palavra é utilizada numa perspectiva espiritual: a "terra habitada" passa a ser considerada obra de Deus, tornada habitável pela colaboração humana. Assim, assume a conotação de uma tarefa a realizar.
Em 381, o Concílio de Constantinopla refere-se ao Concílio de Nicéia como Concílio ecumênico. Neste contexto, a palavra ecumênico refere-se tanto à reunião de pessoas de distintos lugares, quanto à doutrina e costumes eclesiásticos aceitos como norma para toda a Igreja Católica. Após o império romano, o termo ecumenismo deixa de ter a conotação política e passa a ser utilizado na Igreja. Por exemplo, o Credo Niceno-Constantinopolitano é considerado ecumênico por ser a profissão de fé aceito por todos os cristãos.
A raiz do ecumenismo moderno data do final do século XVIII, com as missões protestantes. O grande impulsionador destas missões, William Carey propôs a cooperação entre os cristãos para fazer frente à evangelização de um mundo cada vez maior a ser cristianizado. Mas o termo ainda tem conotações geográficas, enquanto busca a unidade em vista da expansão do Evangelho.
A partir dos movimentos Fé e Constituição e Vida e Ação, o termo ecumenismo espalhou-se nos ambientes eclesiais como o relacionamento entre as igrejas cristãs divididas na direção de superar as divergências teológicas, de aproximar os cristãos das diversas denominações e cooperar com a paz mundial.


História do movimento ecumênico

Em 1846, foi criada em Londres a Aliança Evangélica, com a finalidade de congregar as diversas igrejas diante da ameaça de fragmentação do Protestantismo. Durante a primeira reunião da Aliança Evangélica em Londres, o pastor calvinista francês Adolphe Monod ressalta o "espírito ecumênico" demonstrado pelos organizadores do evento.
A partir da segunda metade do século XIX, surgiram as associações mundiais leigas de jovens, que foram fundamentais para o desenvolvimento do ecumenismo. A primeira destas associações de cunho ecumênico foi a Associação Cristã de Moços, criada em Londres em 1844, por George William, que se espalhou pelo mundo e organizou-se em uma Associação Mundial a partir de 1855. A Associação Cristã Feminina, também londrina, foi criada em 1855. Outras organizações também tiveram sua importância: Movimento de Estudantes Voluntários para as Missões Estrangeiras, de 1886, e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos, de 1895, ambos organizados por John Raleigh Mott, que foi um grande líder das iniciativas ecumênicas.
No âmbito católico, o papa Leão XIII, ao promulgar a encíclica Provida Mater, em 1895, instituiu um tempo de novena pela reconciliação dos cristãos entre as festas da Ascensão e dePentecostes, que foi constituído em um tempo perpétuo dois anos depois.
Em 1908, os anglicanos Spencer Jones e Lewis Thomas promoveram oito dias de oração pela unidade dos cristãos entre 18 de janeiro (Festa da cátedra de São Pedro) e 25 de janeiro (festa da conversão de São Paulo). Posteriormente, Watson converteu-se ao catolicismo e foi instituído na Igreja Católica a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos neste mesmo período.
Em 1905, foi criado nos Estados Unidos o Conselho Nacional das Igrejas.
A Conferência Missionária Mundial, em Edimburgo, em 1910, é considerada o marco do ecumenismo como é entendido hoje: a busca da unidade entre as igrejas cristãs. Foi idealizado e realizado por John Mott. Ao convocar esta conferência, Mott conclamava os líderes do protestantismo para a necessidade de cooperação entre as igrejas no campo missionário, para além das diferenças confessionais. A Conferência resultou em dois congressos posteriores, em Estocolmo, em 1925 e Oxford em 1939. A partir de então floresceram diversas iniciativas ecumênicas: a criação do Conselho Internacional de Missões (1921), o Conselho Universal da Vida e do Trabalho (Estocolmo1925) e o Conselho Mundial Fé e Ordem (Lausanne1927), que estavam a gestar a criação de um organismo internacional das igrejas cristãs.
Entretanto, o papa Pio XI via com suspeita estes movimentos e publicou em 1928 a encíclica Mortalium animos, que afirmava que a única igreja verdadeira é a igreja romana e que a salvação só pode ser alcançada pelo regresso a ela. Apesar desta posição oficial, diversas iniciativas no âmbito católico foram efetuadas no sentido da aproximação e cooperação com outras denominações cristãs.
Em 1948, foi criado o Conselho Mundial das Igrejas - CMI, que reuniu inicialmente 197 denominações. No âmbito desta organização, o termo ecumenismo designa os esforços entre Igrejas com vista a uma reconciliação cristã que aceite a realidade da diversidade das diversas igrejas cristãs.
Numa edição especial, a revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, p. 36) descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as váriasIgrejas cristãs. E explica: "Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim como Ele e o Pai são um só."
A Igreja Católica incorpora-se oficialmente ao movimento ecumênico a partir de 1960, quando o papa João XXIII criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos. Este organismo participou ativamente no assessoramento ao papa e aos bispos durante o Concílio Vaticano II, além de ajudar os padres conciliares na elaboração do decreto Unitatis Redintegratio de 1964. Estabeleceu o diálogo sobre a doutrina com outras igrejas, assessorou as Conferências Episcopais pelo mundo no tema do ecumenismo. Foi responsável ainda pelos documentos Diretório Ecumênico (1967-1970) e A colaboração ecumênica em nível regional, nacional e local (1975). O Papa João Paulo II reafirmou o ecumenismo como essencial para a fé cristã na Encíclica Ut unum sint ("Que todos sejam um")
Algumas denominações protestantes participam do movimento ecumênico. Outras, entretanto, não só não o aceitam como creem que o ecumenismo cumpre perfeitamente as profecias bíblicas no livro do Apocalipse que prevê o seu líder - o falso profeta - que levará a humanidade a aceitar o Anticristo que está por vir (Apocalipse 13.11-12). Esta visão é compartilhada sobretudo pelos pentecostais e neopentecostais


Tipos de ecumenismo

O ecumenismo tem uma face plural. As iniciativas e o diálogo ecumênico ocorrem em diferentes níveis e entre diferentes atores. Bosch classifica estas iniciativas segundo:
  • Ecumenismo espiritual: o ecumenismo espiritual pressupõe que a superação das diferenças humanamente insuperáveis é uma obra de Deus. Requer uma atitude orante e também uma atitude de diálogo que brota da convicção de unidade espiritual entre aqueles que creem em Jesus Cristo. O Concílio Vaticano II afirma que "a oração é a alma do ecumenismo" (UR 8).
  • Ecumenismo institucional: é aquele que ocorre ao nível das instituições promotoras do ecumenismo, como o Conselho Mundial de Igrejas e o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.
  • Ecumenismo oficial: é aquele que envolve as autoridades eclesiásticas das diversas igrejas.
  • Ecumenismo doutrinal: trata-se das iniciativas de diálogo sobre as diversas questões doutrinais que estão na raiz das divergências. Busca-se atingir pontos de convergência no que é o essencial do cristianismo através de encontros, colóquios e diálogos entre as diversas igrejas.
  • Ecumenismo local: o ecumenismo local corresponde às iniciativas e ações comuns que ocorrem na base das igrejas.
  • Ecumenismo secular: o ecumenismo secular é uma corrente do movimento ecumênico representada por aqueles que, diante do impasse e da lentidão das diversas instituições em realizar a unidade, creem que somente a aplicação do método indutivo – que parte da história concreta em que se está inserido e da encarnação como tema central - poderá levar adiante a tarefa ecumênica. Segundo os secularistas, o pensamento e a ação ecumênicas devem estar centradas no mundo secular, no serviço do ser humano. Assim, o ecumenismo secular coloca-se na busca da justiça, da paz, da ecologia e da luta contra a pobreza expressa nas diversas teologias da libertação.


Organismos ecumênicos


No Brasil

No Brasil e no mundo existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante, no Brasil, é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), fundado em novembro de1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: "Igreja Católica Apostólica RomanaIgreja Episcopal Anglicana do BrasilIgreja Evangélica de Confissão Luterana no BrasilIgreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil".
Existem organismos ecumênicos que atuam em causas comuns, como Koinonia e Diaconia que têm ações de apoio ao movimento popular e às igrejas.


Na América Latina

Na América Latina, mencione-se o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), criado provisoriamente em 1978, em Oaxtepec / México, e definitivamente em 1982, em Huampani /Peru. Com sede em Quito / Equador, reúne hoje 150 diferentes igrejas de todos os países do continente latino-americano. Realizou assembleias gerais em Haumpaní (1978), Indaiatuba/ Brasil (1989), Concepción / Chile (1995) e Barranquilla / Colômbia (2001). A quinta assembleia geral foi realizada em Buenos Aires / Argentina (2007).


No mundo

No âmbito global, destaca-se o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em Amsterdão (1948), contando hoje com 350 igrejas do mundo, com mais de 500 milhões de fiéis. Fazem parte dele a maioria das denominações protestantes e das igrejas ortodoxas. A Igreja Católica Romana ainda não é membro pleno, mas é-o de unidades específicas do CMI, como a Comissão de Fé e Ordem, que trata dos assuntos doutrinários. Realizam-se suas assembleias gerais a cada sete ou oito anos entre elas, tendo a VIII Assembléia Geral sido realizado em Harare / Zimbábue (1998) e a IX Assembléia Geral em Porto Alegre / Brasil, em fevereiro de 2006. O novo Comitê Central, eleito nessa assembleia, elegeu por sua vez como seu Moderador, Walter Altmann, Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
Também existe a Comunidade de Taizé.

DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO




DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO: 
O DESAFIO DA ACOLHIDA DA DIFERENÇA
Faustino Teixeira 
PPCIR-UFJF/ Iser-Assessoria 
“De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres 
humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de 
inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a 
simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem 
mandado matar em nome de Deus”  
(José Saramago) 
Introdução   
O diálogo inter-religioso constitui neste início do século XXI um dos desafios mais 
imprescindíveis para a humanidade. Tem-se falado inúmeras vezes que a paz entre 
as religiões constitui condição fundamental para a paz no mundo. Infelizmente, este 
horizonte de fraternidade e diálogo encontra-se ainda bem distanciado. O quadro do 
tempo atual é revelador de um espectro de violência e fascínio do mal. Tal cenário 
revela-se ainda mais doloroso ao se perceber a presença e o lugar da religião nos 
embates e conflitos contemporâneos. Desde as últimas décadas tem-se verificado 
“um surpreendente surto de violência condicionada pela religião. Em todos os 
continentes surgiram conflitos étnicos, nacionais ou sociais, onde a religião 
desempenhou um papel fatídico”1. Trata-se de uma realidade que tem levado 
alguns intelectuais a sinalizar a impossibilidade de uma aproximação ou 
congraçamento dos seres humanos através das religiões e a proclamar a vinculação 
entre religião e violência. Denuncia-se o “fator Deus”  ou as violências que ocorrem 
“em nome de Deus”, abrindo corações e mentes para as intolerâncias mais 
sórdidas.2             
O discurso teológico sobre a força ética das religiões esbarra muitas vezes na 
dinâmica concreta e histórica das agressões, fanatismos, ódios e hostilidades interreligiosas. Em muitos casos, as posturas de intransigência e exclusão apoiam-se em 
sentimentos arraigados de superioridade, arrogância identitária e pretensão 
exclusiva de verdade, que impossibilitam qualquer exercício de fraternidade 
recíproca. Há um traço de ambigüidade ou enigma que atravessa todas as religiões, 
implicando a presença de um dualismo que pode possibilitar tanto a afirmação de 
humanidade, como o acirramento da violência.3 Em razão de sua inserção histórica, 
as religiões podem, contrariando a sua motivação original, exercer uma 
“instrumentalização do sagrado” em favor da afirmação de seu poder particular com 
respeito aos outros. 
                                                          

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

TEXTOS SAGRADOS



TEXTOS SAGRADOS NAS GRANDES RELIGIÕES

            Leomar Antônio Brustolin[1]

REVISTA RENOVAÇÃO DA CNBB SUL 3
Porto Alegre, julho/agosto de 2004, n. 357.


As tradições religiosas preservam seus ensinamentos e normas através de textos que são considerados sagrados. Atribui-se a eles uma origem divina através de um mensageiro, um iluminado ou um discípulo. Os textos são expressões da relação do humano com o divino. Neles há um forte apelo do Criador e das forças sobrenaturais para que o ser humano torne-se mais justo, compassivo, bom e santo.  O leitor sabe que, ao acolher os ensinamentos dos textos sagrados, pode tornar-se perfeito ou aproximar-se da divindade, dando maior sentido à sua existência.  Os livros sagrados revelam o desejo de transcendência presente nas culturas e povos das mais diferentes regiões do planeta nos diversos períodos da história.

São exemplos de escrituras sagradas: o Bhagavad-Gita do hinduísmo; a Torah do judaísmo; o Tri-Pitakas do budismo; o Novo Testamento do cristianismo e o Alcorão dos muçulmanos. Há muitos textos e saberes sagrados difundidos pelo globo, mas estes são os mais conhecidos e pela maior parte da população mundial. 


1.

O BHAGAVAD-GITA dos hindus


É conhecido como Sublime Canção, Canção do Senhor ou a Mensagem do Mestre, que é um dos pilares da literatura sagrada mundial. No livro, Krishna, que viveu na Índia antiga há mais de 5.000 anos, há uma mensagem de amor, fé e esperança. Reverenciado por budistas, hindus e brâmanes é também, por excelência, o livro principal da religião hindu. Sua filosofia é um episódio da antiga epopéia hindu: Mahâbhârata (Maha = grande, Bhârata = Índia), que compreende 250 mil versículos, descrevendo a grande guerra entre os Kurus e os Pândavas. A batalha teve início quando Brishma, comandante dos Kurus, deu o sinal, tocando a sua corneta e logo foi respondido pelos Pandâvas. Arjuna pede então a Krishna no princípio da batalha que deixe parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos e eis que vê de perto seus parentes e amigos, em ambos os lados, fica horrorizado por constatar que se trata de uma guerra fratricida, dizendo a Krishna que preferia morrer sem se defender, a matar seus parentes.

A resposta de Krishna é um comovente discurso filosófico, que forma a maior parte do Bhagavad Gita. Escrito na melhor tradição dos livros sagrados, a luta aqui relatada não é outra que a luta travada no espírito humano do Bem contra o Mal. A supremacia do espírito sobre o egoísmo, paixões e prazeres mundanos. Sua leitura leva a diversos níveis de compreensão de verdades místicas e esotéricas.


2.

O TRI-PITAKAS dos budistas

Do sânscrito significa As Três Seções das Escrituras Budistas e compreendem o Sutra-Pitaka (Sermões), o Vinaya-Pitaka (Preceitos da Fraternidade Budista) e o Abhidarma-Pitaka (Comentários).

Sidarta Gautama, o Buda, nasceu em 556 a.C., no sopé do Himalaia, atual Nepal. Abandonou a vida principesca e se tornou um mendigo em busca da realidade espiritual. Em 521 a.C., à sombra de uma árvore, atingiu a iluminação. Após 45 anos, pregando a sabedoria e a compaixão, entrou no Nirvana ou alcançou a "Grande Morte".

As escrituras budistas foram traduzidas na China no ano 151 d.C., pelo Imperador Huan. Durante 1.700 anos as traduções para o chinês se processaram, alcançando a cifra de 1.440 escrituras contidas em 5.586 volumes.  
Seus ensinamentos referem-se a quatro preceitos fundamentais: (1) procurar boas companhias; (2) entender a lei; (3) fortalecer a mente através da reflexão; (4) praticar a virtude.

Quanto ao comportamento prevê dez mandamentos:
I. Não matar.
II. Não roubar.
III. Não falar mal dos outros.
IV. Não mentir.
V. Não ingerir alimentos antes das horas pré-fixadas e se abster de bebidas alcoólicas.
VI. Não assistir à festas e espetáculos.
VII. Abster-se de perfumes, ungüentos, adornos e grinaldas.
VIII. Não cobiçar nada de ninguém.
IX. Evitar o conforto de leitos macios.
X. Abster-se de receber esmolas em dinheiro.

 

3. A TORÁ dos judeus.


A Tora (Lei) original foi transmitida por Deus a Moisés, após ter permanecido 40 dias e 40 noites sem comer, dormir ou beber. A Torá foi ensinada ao povo e seu conteúdo foi compilado na íntegra, para que jamais fosse esquecido e permanecesse imutável, mesmo com a morte dos sábios que a transmitiram, de geração a geração


O rolo da Torá que é aberto e lido na sinagoga, é escrito com uma técnica especial por um sôfer ( escriba) , em pergaminho de couro de animal e tinta à pena. Qualquer letra a mais, a menos, falhada ou apagada, invalida todo o rolo da Torá e sua santidade. Ela deve ser periodicamente revisada



3.1 A precisão do texto


A Torá foi originalmente ditada por Deus a Moisés, letra por letra. O Midraxe nos diz: "Antes de sua morte, Moisés escreveu treze rolos de Torá. Doze foram distribuídos a cada uma das doze Tribos. O 13º foi colocado na Arca da Aliança juntamente com as tábuas". Como eram conferidos os novos rolos? Um autêntico "texto de prova" era sempre mantido no Templo Sagrado em Jerusalém, e os outros rolos podiam ser conferidos baseando-se nele. Após a destruição do Segundo Templo em 70 dC, os sábios faziam conferências periódicas para eliminar qualquer falha.

Quantas letras há na Torá? São 304.805 letras e 79.976 palavras. O meticuloso processo de copiar um rolo à mão leva mais de duas mil horas (trabalho de tempo integral por um ano).
Para eliminar qualquer chance de erro humano, o Talmud enumera mais de vinte fatores relevantes para que um rolo de Torá possa ser considerado apto. Este é o sistema de segurança embutido na Torá. Se faltar algum destes fatores, ela não terá a santidade necessária nem poderá ser usada para leitura em público. 


Quando um rolo da Torá fica pronto para ser entregue num estabelecimento, geralmente sinagogas e casas de estudos onde será utilizada para os serviços religiosos, uma grande festa toma lugar. É armada, em honra à Tora, uma chupá, pálio - cobertura de tecido que é usada sob os noivos no dia de seu casamento sob a qual recebem as bênçãos de sua união. Este costume é alusivo ao noivo, Deus, e seu casamento com Sua noiva - Israel. Todos dançam com a Torá com música e alegria.
A leitura da Torá é realizada segundas e quintas-feiras, no Shabat e nas festas judaicas, em Rosh Chôdesh (o primeiro dia do mês) e com jejuns. 


Para os judeus Moisés escreveu todos os cinco livros da Torá. As passagens que se referem a ele aparecem na terceira pessoa, pois cada uma de suas palavras foi-lhe ditada por Deus.
A Torá é também denominada pelos seguintes nomes: Leis de Moisés, Chumash ou Pentatêuco. É composta por cinco livros: Bereshit (Gênesis), Shemot (Êxodo), Vayikra (Levítico), Bamidbar (Números) e Devarim (Deuteronômio).

3.2

O Talmud e a Mishná


A Torá oral foi ensinada de boca em boca através das gerações até o século IV d.C., quando então foi demais para o povo lembrar, fez-se anotações em um enorme documento, constituído de muitos volumes, chamado Mishná.
A Mishná foi ensinada nas escolas no decorrer de gerações, acompanhada de uma explicação oral. No século V d.C., tornou-se muito vasta e confusa para as pessoas entenderem, assim, a explicação oral foi escrita em uma coleção que explica melhor a Mishná. É o Talmud (a explicação da Mishná).
Os 63 volumes da Mishná são divididos em seis seções, cada uma sobre uma área diferente da antiga vida judaica: agricultura, dias Festivos, lei civil, relações familiares, sacrifícios no Templo e pureza ritual.
O Talmud define e dá forma ao judaísmo, alicerçando todas as leis e rituais judaicos. Enquanto o Chumash (o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) apenas alude aos Mandamentos, o Talmud os explica, discute e esclarece.

4. O NOVO TESTAMENTO dos cristãos

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo, destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado.
A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.




A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.



4.1 Outros Manuscritos


Além dos livros que compõem o atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e a Didaché (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.



4.2 Traduções


Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.

A primeira tradução se denominou Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), e foi realizada por 70 sábios. Contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.


4.3 Esclarecendo os termos:

É conveniente fazer algumas distinções quanto aos nomes:
1) Cânon, do grego Kanón = regra, medida e catálogo;
2) Canônico = livro catalogado - o que significa que é considerado de inspiração divina, portanto é um texto oficial e comum;
3) Protocanônico = livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado;
4) Deuterocanônico = livro catalogado, déuteron ou em segunda instância, posteriormente (após ter sido controvertido);
5) Apócrifo, do grego: apókryphon = livro oculto, isto é, não lido nas assembléias públicas de culto, reservado à leitura particular.  Não significa livro secreto, mas livro que não é considerado de inspiração divina e, portanto não oficial.

4.4 Dois cânones: duas listas de livros, duas Bíblias?


           
No começo do cristianismo, existiam dois cânones, o de Alexandria e o da Palestina. Havia uma certa confusão sobre quais deveriam ser seguidos.  O papa S. Dâmaso, no ano 374, confiou a S. Jerônimo o cuidado de coligir e traduzir os livros santos, sujo conjunto forma o atual cânon ou catálogo da Igreja. O catolicismo reconheceu sempre, e o Concílio Tridentino confirmou a lista de S. Damaso e a
Igreja Católica adotou o cânon grego.

Os protestantes adotaram o cânon farisaico.
O cânon protestante conta apenas com 38 livros, faltando, os seguintes livros: 1 e 2 dos Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. Faltam no livro de Ester uns seis capítulos (10,4 - 16, 24) e no livro de Daniel faltam a oração de Azarias, o cântico dos mancebos, o episódio de Susana e a história de Bel e do Dragão.

A Escritura Sagrada dos Protestantes é composta de 66 livros, sendo 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento. As bíblias de edições católicas contêm 07 livros a mais e pequenos acréscimos em mais dois livros. As Igrejas evangélicas consideram como apócrifos todos os livros e as partes dos livros que foram acrescentados nas bíblias de edições católicas. Os católicos consideram apócrifos os textos que não entraram no elenco dos textos inspirados que  formam a Bíblia.

 

4.5 Os Apócrifos do Novo Testamento


AA    
Apócrifo significa falso, sem autenticidade em relação a bíblia, refere-se aos livros que não foram inspirados por Deus e ausentes na Escritura Sagrada. 

São considerados apócrifos:
1)    Evangelhos: de Maria Madalena, de Tomé, Filipe, Árabe da Infância de Jesus, do Pseudo-Tomé, de Tiago, Morte e Assunção de Maria;


2)  Atos: de Pedro, Tecla e Paulo, Dos doze apóstolos, de Pilatos;


3)   Epístolas: de Pilatos a Herodes, de Pilatos a Tibério, dos apóstolos, de Pedro a Filipe, Paulo aos Laodicenses, Terceira epístola aos Coríntios, de Aristeu;


4) Apocalipses: de Tiago; de João, de Estevão, de Pedro, de Elias, de Esdras, de Baruc; de Sofonias;

5)Testamentos: de Abraão, de Isaac, de Jacó, dos 12 Patriarcas, de Moisés, de Salomão, de Jô.

            
Encontramos nos livros apócrifos valores que a piedade popular conservou como “dogma de fé”. Se não fossem os apócrifos do Segundo Testamento não saberíamos os nomes dos avós de Jesus, dos três reis magos, dos dois ladrões crucificados com Jesus, do soldado que abriu o lado direito de Jesus com a lança, bem como as histórias de Verônica, da infância de Maria, consagração e assunção ao céu, das travessuras de Jesus menino, da descida de Cristo aos infernos, etc. E poderíamos enumerar muitos outros dados.


Também vale ressaltar a presença das mulheres como lideranças marcantes entre os primeiros cristãos. Dos apócrifos não nos resultam a afirmação de que Maria Madalena era prostituta. Aliás, muito menos dos escritos canônicos. Assim como Maria Madalena, Maria, a mãe de Jesus, aparece nos apócrifos como discípula e apóstola. Os cristãos, entretanto, não acolhem esses textos apócrifos como textos sagrados como são os canônicos.

5. O ALCORÃO dos muçulmanos


Alcorão é a palavra de Allah (Deus), revelada a Mohammad (Maomé), desde a Surata (capítulo) da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o texto sagrado dos muçulmanos, da religião islâmica.

O Islam é uma palavra árabe e implica submissão, entrega e obediência voluntária. O Islam significa completa submissão voluntária a Deus, outro significado literal da palavra Islam é Paz, e isto significa que só se pode encontrar a paz física e mental através da submissão e obediência voluntária a Deus.
Origem

Aos quarenta anos de idade, enquanto estava empenhado em um retiro meditativo, o profeta Mohamed recebeu sua primeira revelação de Deus por intermédio do anjo Gabriel. Maomé era analfabeto e precisou ditar aos seus escribas tudo o que lhe fora revelado por Alá. Essa revelação, que prosseguiu por vinte e três anos, é conhecida como Alcorão.Tão logo ele começou a recitar as palavras que ele ouviu de Gabriel, e a pregar a verdade que Deus havia lhe revelado, ele e seu pequeno grupo de seguidores sofreram perseguições amargas, que se tornaram tão violentas no ano de 622 que Deus lhes ordenou que emigrassem. Este evento é a Hégira (migração), na qual eles se mudaram de Meca para a cidade de Medina, cerca de 260 milhas ao norte, marca o início do calendário muçulmano. Depois de muitos anos, o profeta e seus seguidores retornaram a Meca, onde perdoaram seus inimigos e estabeleceram o Islam definitivamente.  

           
Nenhuma palavra das suas 114 suratas (capítulos) do Alcorão foi mudada no decorrer dos séculos. Diz Deus no Alcorão: ''Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus, que crêem no incognoscível, observam a oração e gastam daquilo com o que os agraciamos.’’

           
O Alcorão é a principal fonte da fé e da prática de todo muçulmano. Ele trata de todos os assuntos relacionados com os seres humanos: sabedoria doutrina, rituais e lei, mas o seu tema básico é o relacionamento entre Deus e suas criaturas. Ao mesmo tempo, ele dá orientação para uma sociedade justa, a conduta humana decente e para um eqüitativo sistema econômico.

O Alcorão abrange vários assuntos:
Primeiro - O Alcorão dá o conhecimento de Deus; os seus nomes e atributos, dos anjos, dos Livros por Ele revelados, dos mensageiros por Ele enviados, do dia do juízo final e da predestinação. E mostra as obrigações diante dessa crença.
Segundo - Mostra as regras do bom comportamento, e as virtudes com as quais os homens devem se moldar.
Terceiro - As regras das práticas que organizam a relação dos homens com Deus (orações, paga do Zakat (dízimo), jejum, peregrinação, promessas etc...) e as que regulamentam as relações dos homens entre si, seja individualmente, em grupos ou enquanto nações.
Quarto - As histórias dos povos passados, para que se tire proveito delas, aprendendo com os acertos e com os erros do passado.
 

5.1 Outras fontes sagradas


A Suna, o texto que se refere á prática e ao exemplo do Profeta Maomé é a segunda autoridade para os muçulmanos. Exemplos dos Ditos do Profeta Mohamed O Profeta disse:  
"Deus não tem misericórdia daquele que não tem misericórdia dos outros".
"Ninguém de vós crê realmente, antes de desejar a seu irmão o que deseja a si próprio.'' ''Aquele que se alimenta, enquanto o seu vizinho está passando fome, não é crente.''“ O comerciante honesto está associado aos profetas, aos santos e aos mártires.’’

Consideração Final


            A humanidade conhece muitas formas de se relacionar com o transcendente. Os textos sagrados são pedras preciosas da história das religiões, pois estão carregados de ensinamentos e preceitos que normatizam a vida humana desde os seus aspectos mais básicos até a regularização da boa convivência social.

As escrituras sacras pretendem estimular o crente a desenvolver sua religiosidade através da adesão fiel ao texto revelado que supõe uma fé explícita. Comparados os escritos há muitas diferenças e por isso pretendem uma singularidade diante de outras relações com o sagrado. É inevitável, entretanto,  perceber em todos os textos o desejo de paz e equilíbrio da pessoa e da sociedade que acolhe os escritos. Oxalá o conhecimento dessas semelhanças aproxime os povos da terra para dissipar as forças do ódio que tem dilacerado a humanidade em todo os tempos. Isso não exige que cada religioso perca sua identidade, mas pressupõe que toda relação com o sagrado seja humanizadora e pretenda uma convivência pacífica.

A Regra de Ouro de todas as religiões é o amor. Este conceito não é abstrato, mas se define na relação com o semelhante: Um mestre judeu escreveu: “O que é odioso a vós, não façais aos outros”. O Buda afirmou: Não firais os outros com o que vos fere “. O Mahabaratha hindu diz:” Eis a súmula de todo dever: não façais aos outros o que, se fosse feito a vós, vos causaria dor “. Mohamad (Maomé) ensina:” Nenhum de vós sois um crente até devotar pelo próximo o amor que devotais a vós mesmos “. E Jesus sentencia:” Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei vós a eles “.

Arrisquemos a viver pelo amor, seguindo os mestres e os escritos das religiões, atingiremos o bem maior: amar para ser amado!









[1] Doutor em Teologia e professor de Tradições Religiosas na pós-graduação de Ensino Religioso da Universidade de Caxias do Sul.