SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

SOMOS ÁTOMOS DE DEUS

sábado, 17 de setembro de 2011

A RELIGIÃO E OS VALORES RELIGIOSOS

Introdução
A filosofia da religião consiste no estudo filosófico dos conceitos e afirmações religiosas. Apesar da enorme quantidade de religiões com diferentes cultos, mitos e práticas.  As religiões mais abordadas hoje em dia são as ocidentais- judaísmo, cristianismo e islamismo – pelo facto de que estas fornecem-nos visões complexas acerca do modo como o mundo e o Universo se comportam, em oposição com o que se passa nas religiões orientais – budismo, hinduísmo – que se preocupam mais com as formas de conduta e de viver.  O fundamental, independentemente da religião de cada um, é saber se a visão religiosa do Universo é ou não verdadeira.  Comum às religiões ocidentais é a crença na existência de Deus. Deus é caracterizado como uma pessoa sem forma e imortal, moralmente perfeita, que é toda poderosa (omnipotente), que sabe tudo (omnisciente) e que está em todo o lado (omnipresente).  Diz-se que este Deus é teísta, sendo teísmo a crença na sua existência.
Existem alguns paradoxos relativamente à coerência do conceito da existência de Deus. O culto a Deus é geralmente realizado em locais ditos sagrados, como igrejas, mesquitas ou templos. Mas se Deus é omnipresente, porque são estas rezas realizadas em lugares específicos?
Outro facto que nos suscita curiosidade, é o de se deus é omnipotente e omnipresente porque razão ajuda tudo e todos a qualquer altura e a qualquer momento?  E se é omnisciente, então sabe tudo. E se sabe tudo, então sabe o que vamos fazer. Mas se sabe o que vamos fazer, todas as nossas acções já estão predestinadas. Logo, é-nos retirado o poder de escolha e decisão. E sem esse poder, não somos livres. A existência de Deus é, então, compatível com a liberdade?
 Todas estas questões irão ser abordadas neste trabalho de modo racional, apresentando opiniões bem fundamentadas.
As Religiões ocidentais e orientais
Budismo
O budismo formou-se no Nordeste da Índia num período em que existiam várias alterações económicas, sociais e políticas nesta região do mundo.
Esta religião baseia-se nos valores morais de Siddhartha Gautama ou Buda histórico.
Hoje o budismo encontra-se em quase todos os países do mundo e conta com cerca de 376 milhões de seguidores.
Para seguir a religião budista há que respeitar certos ensinamentos básicos como evitar fazer o mal, fazer sempre o bem e cultivar a própria mente. A moral budista é baseada nos princípios de preservação da vida e moderação, ou seja, o treino mental foca a moralidade, a concentração meditativa e a sabedoria.
Cristianismo
O Cristianismo é uma religião monoteísta, ou seja, os crentes acreditam numa só divindade e é baseado na crença em Jesus Cristo, que é a figura central desta religião. Os cristãos acreditam que Jesus é filho de Deus e que veio a Terra para libertar os seres humanos do pecado através da sua morte na cruz e da sua ressurreição, 3 dias depois da morte. O Cristianismo diferencia-se das restantes religiões por anunciar a salvação pela mediação redentora de Cristo.
Para a maioria dos cristãos, Jesus, é um ser humano, completamente divino. O cristianismo também é baseado em valores morais de Jesus, entre os quais o amor a Deus e ao próximo. Os cristãos acreditam que Jesus é a salvação e julgam que precisam de cumprir certas obras para obter a salvação e a vida eterna. Dando um exemplo, normalmente quando uma pessoa está numa situação de aperto tem logo a tendência para implorar a Jesus que a salve.
A “visão” que os cristãos têm sobre a vida depois da morte é, de uma maneira geral, a crença no céu e no inferno. Os cristãos acreditam que depois da morte, as pessoas vão para o céu ou inferno conforme os pecados que cometem em vida.
Hebraísmo
Javé, o deus único do Universo, estabeleceu uma aliança com um povo, os Hebreus. Libertou-os da escravidão em que tinham caído, dotou-os duma lei e deu-lhes uma terra para habitarem. Esta relação com o próprio deus constitui a essência do Hebraísmo.
Os hebreus são um povo nómada de origem semita, como os árabes. Por volta do séc. XVIII a.C., deslocaram-se da Mesopotâmia para o Egipto, onde viveram sujeitos ao rígido sistema de economia centralizada do Reino Egípcio. Entre 1250 e 1200 a.C., conseguiram escapar ao domínio egípcio, emigrando para a Palestina, terra que, segundo a tradição, Deus teria concedido como domínio aos hebreus. Os hebreus consideram-se, na verdade, o Povo Eleito de Deus, e a terra da Palestina o sinal tangível da sua aliança com Deus. Essa é mesmo a característica do Hebraísmo: basear-se não num profeta ou num salvador, mas num povo e na terra que Deus lhe prometeu.
A religião hebraica está marcada por um claro monoteísmo e em constante contraste e polémica contra as crenças de outras populações circundantes de Canaã, que envolvim o culto de vários deuses. O Hebraísmo tem uma característica particular, é uma religião monolática, ou seja, apesar de apenas praticarem culto a um só Deus, admitem que outros povos possam ter os seus Deuses particulares.
É portanto, uma religião mais “aberta” que as restantes por admitir tal facto.
Cristianismo - Hebraísmo
   . Religiões monoteístas – prestam culto a um só deus.
. Jesus – judeu nascido na Palestina, a terra sagrada dos judeus.  
. Foi por alguns aclamado “ O Messias”, esperado pelos hebreus
. Abrão, Isaac e Job, os fundadores do povo hebraico eram simples pastores, tal como Jesus Cristo.
. As formas de culto destas religiões são idênticas.
. Ambas as religiões se baseiam nos ensinamentos de um Deus único.
Hinduísmo
Teve origem na expressão religiosa mais antiga conhecida por Vedismo ( a religião do Veda). Os Vedas datam do início da civilização indiana e chegaram até hoje durante um período de 10000 anos há mais de cinco milénios.
Cerca de 13,7% da população é Hindu. A maior parte dos seguidores encontra-se na Índia.
O Hinduísmo remonta a mais de 3500 anos na bacia do Indu.
Está fundamentada nos 4 livros dos Vedas (conhecimento), colecção dos textos sagrados compostos de hinos e rites- Rgveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda.
Os Vedas contêm verdades eternas e a ordem que rege os seres e as coisas organizando-as em castas. Cada casta possui os seus próprios direitos e deveres espirituais e sociais. A posição do Homem é definida pelo Karma acumulando em vidas anteriores.
A casta ( classe social)  á qual pertence cada individuo indica o seu lugar espiritual.
O objectivo de cada pessoa é atingir o moksa, ( libertação ou iluminação) a sua sabedoria do conhecimento de si e do Universo.
Não – Agressão
A não – agressão é um conceito relacionado com a necessidade de sobrevivência de ser humano com dignidade. Esta é a base integrante.
Sanatana Dharma
Velha forma de orientação de todas as actividades para o bem da sociedade e para alcançar o divino. Muitas das formas do Dharma remontam a antigas civilizações do sub continente existentes desde 2500 a.c. ou mesmo anteriormente. Algumas foram trazidas do sul da Rússia. Outras são práticas de devoção desenvolvidas durante o século 7 d.c.

A RELIGIÃO E A PESSOA (Religião e moral)


Religião e moral

Desidério Murcho
A ideia de que a religião deve estar firmemente separada da ciência levou algum tempo a afirmar-se; mas é hoje um lugar-comum — infelizmente só depois de muitos cientistas terem sido silenciados ou até assassinados pela Igreja. A ideia de que a religião deve estar firmemente separada do Estado é ainda uma luta que países mais atrasados, como Portugal, têm de travar. Mas há uma outra separação que urge aprofundar e defender: a separação entre a religião e a moral.
A ideia errada de que a moral ou a ética tem qualquer coisa a ver com a religião está patente no modo como se enfrenta no nosso país as questões éticas, como o aborto ou a eutanásia. Quando se pensa em discutir estas questões pensa-se em convidar padres ou pessoas profundamente ligadas à religião para exporem as suas ideias. Mas isto é tão absurdo como convidar um padre ou uma pessoa ligada à religião quando se discute a origem do universo.
Do mesmo modo que o pensamento religioso confundiu e impediu o desenvolvimento da ciência, também o desenvolvimento do pensamento moral e ético fica castrado e confuso quando a religião se intromete. A confusão começa logo nisto: um católico, ou um muçulmano, defendem um código moral específico, mas não são de modo algum especialistas em ética, nem têm nada a dizer às pessoas que não professam a sua religião. Por que razão hei-de ouvir as opiniões de um padre sobre a eutanásia ou o aborto se ele baseia a sua posição na ideia de que a vida foi dada por Deus? E por que razão há-de o padre pensar que os seus argumentos religiosos contra o aborto ou contra a eutanásia têm um carácter universal? Mas se não têm um carácter universal, o padre não deve fazer mais do que explicar aos seus fiéis as razões pelas quais eles, e só eles, não devem praticar o aborto nem a eutanásia; mas aqueles que não são seus fiéis nada têm a aprender com os seus ensinamentos.
A ética secular, a ética filosófica, é uma ética para todas as pessoas e não apenas para as que professam determinadas crenças. Claro que as pessoas que professam essas crenças, religiosas ou para-religiosas, merecem todo o nosso respeito. Mas também as pessoas que não professam essas crenças merecem o nosso respeito. E legislar como se todas as pessoas fossem crentes é uma injustiça. É por esta razão que, se os únicos argumentos que os padres têm contra o aborto e a eutanásia é o facto de estas práticas violarem a ideia de que a vida é sagrada, tanto uma prática como outra devem ser permitidas, pois muitas pessoas não acreditam, pura e simplesmente, na existência do sagrado, tal como não acreditam na água benta. Num país com uma legislação permissiva relativamente ao aborto ou à eutanásia, as pessoas com crenças religiosas que não queiram praticar abortos nem eutanásia, têm toda a liberdade de o não fazer. Tal como as mulheres cristãs têm toda a liberdade de não tomar a pílula; mas proibir a pílula a toda a gente só porque os padres acham que a pílula viola um qualquer código moral cristão seria injusto.
A religião é um obstáculo ao desenvolvimento de um pensamento ético livre. A religião desnorteia o pensamento ético normal das pessoas, tal como desnorteia o pensamento científico normal das pessoas. Qualquer pessoa razoável diria, perante as provas de Galileu: a Terra move-se. Mas as pessoas de formação religiosa disseram o contrário. Qualquer pessoa razoável percebe que a eutanásia é um direito humano inalienável, ou que o direito à escolha da sexualidade é também inalienável. Mas as pessoas de formação religiosa, não.
Nas pessoas de formação religosa verifica-se a síndrome da proibição: o ponto de partida do pensamento moral religioso é a proibição, mesmo que do inócuo, como o facto de uma pessoa ter relações sexuais com pessoas do seu sexo. Esta atitude confunde o verdadeiro pensamento moral, tornando-o uma caricatura. Pelo contrário, o verdadeiro pensamento moral procura o bem comum e não a defesa de dogmas religiosos que só são aceitáveis para os respectivos fiéis.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

VERDADE DE FÉ (DOGMA)

Verdade de fé e doutrina da Igreja
Autor: Frei Boaventura

Vale a pena assinalar a diferença que há entre “verdade de fé” (“dogma”) e “doutrina da Igreja” (que não é necessariamente nem “dogma” nem imutável). É óbvio que as verdades de fé, devidamente propostas, são também doutrina da Igreja. Porém nem toda doutrina da Igreja, mesmo as que são severamente propostas e mantidas, são verdades de fé. Como o Concílio Vaticano II parecia estar produzindo quantidade de documentos, surgiu a questão do valor ou da qualificação teológica destes ensinamentos conciliares. Na Comissão teológica do Concílio, na qual eu trabalhava, esta questão surgiu várias vezes. Então no dia 25-10-1963 a comissão aprovou a seguinte fórmula: “Tendo em conta o costume conciliar, este Concílio define somente aquilo que deve ser mantido em matéria de fé e de costumes e que o Concílio indica claramente. Por isso aquilo sobre o qual o Concílio não o declarar não é definido pelo Concílio [como verdade de fé ou dogma], mas exposto pelo autêntico Magistério como doutrina da Igreja”. Observe-se bem: pode haver “doutrina da Igreja” proposta pelo autêntico Magistério, depois de muita discussão, até mesmo num Concílio Ecumênico.          
Aparece, pois, a expressão “doutrina da Igreja” como algo bem diferente da “fé da Igreja”. Esta fórmula foi no dia seguinte comunicada aos Moderadores do Concílio. Portanto é dito que o próprio Magistério autêntico pode propor algo como “doutrina da Igreja” mesmo quando não a entendam proclamar com um ato definitivo, quer dizer: sem que seja infalivelmente definido. E por conseguinte tal doutrina pode em alguns casos ser modificada ou até anulada pelo mesmo magistério autêntico que a propoz. Isso faz parte do dever ou do poder de governar. Mas o fato de um texto não ser infalivelmente definido não significa que não precisa de ser aceito e respeitado. Todas as verdades que têm uma premissa não revelada também não podem ser definidas como verdades de fé, mas nem por isso podem ser modificadas ou abolidas por qualquer cristão, mesmo que seja Bispo. Certa corrente da teologia da libertação fazia questão de partir de uma premissa não revelada: a situação dos pobres. Neste caso podia haver “doutrina da Igreja” mas não dogmas de fé e, mudada a premissa não revelada, a doutrina poderia ou até, em alguns casos, deveria ser modificada ou abolida.
(Site da Diocese de Novo Hamburgo)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MÚSICA SOBRE DEUS

ESSENCIAL



                                


 "OS QUE IMAGINAM O ESSENCIAL NO INESSENCIAL,
VÊEM O INESSENCIAL NO ESSENCIAL,
ESTES HABITAM A ESFERA DO FALSO PENSAMENTO 
E JAMAIS ATINGIU A ESSÊNCIA."
(Dhammapada: a senda de virtude nº 11).

ÉTICA E RELIGIÃO


Moralidade, Ética e Religião

Por Marcos de Almeida
É possível que haja uma moralidade sem religião? É necessário existir um deus ou deuses de modo a que isso se torne indispensável para a moralidade? O fato de que algumas pessoas não são religiosas, as impedem de ser, automaticamente, morais? E se a resposta a estas questões exigirem a crença em uma divindade, qual das religiões é o real fundamento para a moralidade? A grande constatação é que ao olhar-se o quadro mundial dos dias de hoje, é possível afirmar que existem conflitos em número equivalente ao das religiões e pontos de vista religiosos.
A religião é uma das mais antigas instituições humanas. Há, por exemplo, pouca evidência de que a linguagem tenha existido em tempos pré-históricos, mas temos evidências claras de que práticas religiosas já eram interligadas com expressões artísticas e de que leis ou tabus exortavam os seres humanos daquela época a comportarem-se de certas maneiras. Naqueles tempos primordiais a moralidade estava implantada nas tradições, hábitos, costumes e práticas religiosas de cada cultura.
Além disso, a religião servia (como o fez até bem recentemente) como a mais poderosa das sanções para manter as pessoas, moralmente bem comportadas e obedientes. As sanções de recompensa ou punição tribal eram desprezíveis ao lado da idéia de uma punição ou recompensa tão grande, que poderia ser mais terrivelmente destrutiva ou mais deliciosamente compensadora do que qualquer outra que os simples mortais pudessem oferecer.
Entretanto, o fato de que a religião possa ter precedido qualquer código legal formal, ou sistema moral separado, na história da raça humana, ou por que possa ter fornecido sanções poderosas e efetivas, para um comportamento moral, não prova de modo algum, que a moralidade deva ter, necessariamente, uma base religiosa. Meu argumento é, precisamente, o de que, por múltiplas razões, a moralidade não necessita e, de fato, não deve ser baseada somente na religião, muito embora, como adverte Fabri dos Anjos, a religiosidade (e não uma religião em particular ) e a idéia daquilo que nos é transcendente (não necessariamente uma divindade, sejam antropologicamente inerentes ao nosso refletir bioético.
Que razões seriam estas?
Em primeiro lugar, de modo a provar que é obrigatório ser religioso para poder ser moral, teríamos que demonstrar conclusivamente que um mundo supranatural existe e que a moralidade existe lá tanto quanto no mundo natural. Mesmo que isso possa ser demonstrado, o que é altamente improvável, teríamos que mostrar que a moralidade lá existente tem alguma conexão com aquela presente em nosso mundo. Parece óbvio, no entanto, que ao lidar com as questões morais, a únicabase que temos, para exercitar nosso pensamento ético, é este mundo em que vivemos, as pessoas que nele existem, as idéias e valores que elas possuem e as ações que elas praticam.
Um teste, para a veracidade dessa razão, seria tomar qualquer conjunto de preceitos religiosos e perguntar, francamente, quais deles seriam absolutamente indispensáveis para o estabelecimento de qualquer sociedade moral. Por exemplo, podemos usar os Dez Mandamentos sem validar os três primeiros. Os três primeiros podem ser um conjunto necessário para uma comunidade judaica ou cristã, mas se uma comunidade não religiosa seguir, rigorosamente, apenas os mandamentos de quatro a dez, de que modo, refletindo moral e honestamente, as duas comunidades diferem? Não estou querendo dizer que a moralidade não possa ser atrelada à religião; é um fato real que tem sido, é e, provavelmente, será no futuro. O que estou querendo dizer é que a moralidade não precisa ser fundada, de modo algum em uma religião. A religião, definitivamente, não é indispensável para a moralidade. E acrescentaria ainda, que existe um enorme risco real (demonstrado múltiplas vezes pela história), da restrição e da intolerância, caso uma religião passe a ser o referencial, o único fundamento da moralidade.
Se pudermos, de modo sumário, caracterizar a moralidade desse mundo, como não ferir ou matar os outros e, de um modo geral, tentar tornar a vida e o mundo melhor para todos e tudo o que nele existe, e se muitos seres humanos não aceitarem a existência de um mundo supranatural e, ainda assim agirem tão moralmente quanto quaisquer outros que acreditam, então deve haver alguns outros atributos, diferentes das crenças religiosas, que são necessários para alguém ser moral. Embora seja óbvio que a maioria das religiões contenha sistemas ét icos, isso não transforma em verdade a afirmação de que todos os sistemas éticos tenham uma base religiosa; por tanto não existe uma ligação obrigatória entre moralidade e religião. O simples fato de que pessoas completamente não religiosas (como, por exemplo, vários eticistas ateus humanistas), podem desenvolver sistemas éticos significativos e consistentes, é prova suficiente disso.
Fornecer um fundamento racional para um sistema ético já é bastante difícil, sem ter de oferecer também um fundamento para a religião que propõe tal sistema ético. E a dificuldade de fundamentar racionalmente a maioria dos sistemas religiosos é inescapável. É impossível comprovar conclusivamente a existência de alguma supranatureza, pós-vida, deus ou deuses. Nem precisamos apelar para os argumentos modernos e tradicionais, sobre a existência ou inexistência de um deus ou deuses neste ponto, mas simplesmente verificar que não há evidência conclusiva de que tais seres existam ou não existam.
Portanto, se nenhuma evidência é conclusiva e nenhuma lógica dos argumentos é irrefutável, então a existência de um mundo supranatural, um pós-vida, um deus ou deuses, fica pelo menos colocada na categoria das coisas não provadas. Isso, naturalmente, não significa que grande número de pessoas não continuará a acreditar nas suas existências, baseando suas crenças na fé, no medo, na esperança ou na sua própria leitura das evidências. Todavia, como fundamentação lógica da moralidade, as religiões são, de fato, muito frágeis, exceto para aqueles que crêem. Acreditar que Deus, ou um pós-vida exista, pode fazer as pessoas sentirem-se melhor agindo de determinadas maneiras. Pode igualmente fornecer poderosos reforços para alguém agir moralmente (ou, pelo menos, não agir imoralmente) . Só que isso não se configura como uma fundamentação racional válida para a moralidade, que nos forneça razões, sent imentos, evidência ou lógica para agirmos de um modo e não de out ro. A qualidade moral de um ato reside no fato dele ter sido escolhido livremente e não comandado. Como declarou Scriven: “A religião pode fornecer um fundamento psicológico, mas não lógico para a moralidade”.
Ainda que as religiões pudessem ser racionalmente fundamentadas, qual religião deveria ser a escolhida como a base para a ética humana? Dentro de uma religião em part icular, essa questão é facilmente respondida, mas, obviamente, não respondida de modo satisfatório para os membros de outras religiões conflitantes, ou para aqueles que não acreditam em qualquer religião. Mesmo se os pressupostos das religiões pudessem ser conclusivamente provados, qual religião deveríamos aceitar como a verdadeira e legítima geradora da moralidade? É claro que existem muitas religiões que têm muitas prescrições éticas em comum, como, por exemplo, não matar. Mas é também bastante evidente que existem numerosas prescrições não congruentes.
Só para ficar no cristianismo, por exemplo, há muitas declarações éticas em desarmonia, relacionadas a sexo, guerra, casamento, divórcio, roubar e mentir.
Em resumo, qual a conexão entre a religião e a moralidade? A resposta é que não há uma conexão necessária. Pode-se ter um sistema ético completo, sem mencionar outra vida, que não esta, deus ou deuses, nada supranatural, ou qualquer pós-vida. Quer dizer, então, que para sermos morais precisamos evitar a religião? De modo nenhum! Os seres humanos devem ser permitidos livremente a acreditarou desacreditar, desde que exista alguma base moral que proteja todas as pessoas contra tratamento imoral tanto nas mãos de religiosos, como de não-religiosos. Uma religião que advogue o sacrifício humano de não-voluntários, não pode ser permitida existir dentro de um sistema moral amplo. Se, por outro lado, as religiões puderem aceitar alguns princípios morais abrangentes e seus membros puderem agir de acordo com tais princípios, então eles podem coexistir com pessoas não religiosas e, ao mesmo tempo, manterem seus próprios princípios de modo significativo, sem pretenderem impor suas crenças.
Nos dias atuais é uma insanidade pretender que as pessoas cresçam ingênuas. Não podemos, e certamente não devemos, re-introduzir a famigerada era da credulidade. Está muito claro que o dogmatismo é um terrível obstáculo à educação e temos a convicção que representa um enorme perigo. Existe uma tendência, há muito perceptível nos Estados Unidos, e que vem aumentando também em outras partes do mundo, de tentar enveredar pelos caminhos do fundamentalismo religioso. A principal característica de qualquer religião fundamentalista seja cristã, judaica ou muçulmana, é que ela se baseia em um texto que supostamente deve funcionar como fundamento para a educação e a verdade. O conhecimento é, assim,finito, e essencialmente a-histórico. Dessa maneira, o único conhecimento novo permitido deve ser uma nova interpretação de um certo texto que, por supostamente conter verdades que foram definitivamente reveladas, não é um objeto adequado para uma investigação crítica ou histórica.
O fundamentalismo é um convite, uma exortação, para se aceitar inquestionavelmente o que é tido como sendo os ensinamentos centrais da fé (e isto não apenas com relação a questões como a criação do mundo, mas em assuntos do século XX, como engenharia genética, clonagem terapêutica, células-tronco, etc.). Dessa forma negativa, o fundamentalismo atua como um empecilho à pesquisa científica e à busca de evidências históricas. O fundamentalista não acredita que seja desejável possuir conhecimento, seja para onde for que este o possa levar. O conhecimento não é considerado um objetivo em si. A mensagem é que nós deveríamos acreditar naquilo que nossos professores de religião nos ensinam e não nos intrometer em questões que seria melhor deixar ocultas. No entanto, o fato é que não podemos desaprender o que foi uma vez descoberto e demonstrado. Não devemos e não podemos desejar voltar ao período medieval, à era pré-Galileu ou pré-cartesiana. É impossível, ainda que tentássemos, acreditar que o que Aristóteles e Tomás de Aquino disseram, consistia na soma de todo o conhecimento possível.
Dizer que a ética é independente da religião não é negar que teólogos ou outros crentes religiosos possam ter um importante papel a desempenhar em Bioética. Tradições religiosas freqüentemente têm longas histórias no trato com dilemas éticos; e o acúmulo de sabedoria e experiência que representam, podem fornecer valiosos modos de enxergar determinados tipos de problema. Só que esses modos de enxergar devem estar submetidos à análise crítica, na mesma medida em que quaisquer outras propostas devam sê-lo. Se, no final, nós as aceitarmos, será porque as julgamos sólidas e racional e emocionalmente justificáveis, e não meramente porque sejam declarações de um papa, um bispo evangélico, um rabino, um monge budista, um mulá ou qualquer outra pessoa supostamente infalível ou sagrada.
Toda decisão moral deve ser embasada, fundamentalmente, em três elementos: a maior quantidade de conhecimento que se possa adquirir sobre a questão, o tempero do sentimento e da emoção humanos e, sobretudo, o máximo de liberdade e isenção para fazer a escolha. Isso adiciona predicado humanitário à nossa estatura ética e confere responsabilidade real à escolha. Sem conhecimento, sem sentimento, sem isenção e sem liberdade para decidir, não há ação moral possível. Há imposição. Mando e obediência. E toda imposição é moralmente injustificada, teologicamente herética, subversiva da dignidade humana e, pior do que tudo é obscurantista e espiritualmente opressiva.
Não há qualidade moral em um teatro de marionetes.
Com toda a certeza, claramente não nas próprias marionetes.

SÍMBOLOS RELIGIOSOS


Simbolismo religioso é o uso de símbolos, incluindo arquétipos, atos, trabalhos artísticos, eventos, ou fenómenos naturais, por uma religião.Religiões visualizam textos religiosos, rituais, e obras de arte como símbolos de idéias convincentes ou ideais. Os símbolos ajudam a criar um reseonant mythos que exprime os valoresmorais da sociedade, os ensinamentos da religião, cria um sentimento de solidariedade entre os seguidores religiosos, ou funciona como uma forma de trazer um adepto mais perto de seu deus ou deuses.O estudo do simbolismo religioso é ou Universalista, como uma componente da religião comparada e mitologia, ou localizadas no âmbito de aplicação, dentro dos limites e fronteiras de uma religião.


Religião ou filosofiaNomeSímbolo
Ayyavazhi
Lotus transportando NamamAyyavazhi Lotus outline.svg
Fé Bahá'í
Estrela de Nove PontasBahai star.svg
Budismo
Roda do DarmaDharmacakra.svg
Flor de LotusLotus.svg
Cristianismo
Ichthys (peixe)Ichthus.svg
Cruz cristãChristian cross.svg
Cruz PatriarcalOrthodoxCross.svg
Religiões étnicas, Reconstrucionismo politeísta
PaganismoNeopaganismoWicca
Mãos de DeusHandsGod.svg
Mjölnir (Thor's Hammer)Mjollnir.png
PentagramaPentagram green.svg
Sun crossSimple crossed circle.svg
GnosticismoSun cross (também um símbolo do neopaganismo)Simple crossed circle.svg
Ouroboros (também um símbolo da Alquimia e Hermetismo)Ouroboros-Zanaq.svg
HumanismoHappy Human
Hinduismo
Omkar (Aum)Aum.svg
Lotus FlowerLotus.svg
SwastikaHinduSwastika.svg
Islão
Kalima/ShahadahShahadah.png
Nome de AllahAllah.JPG
Estrela e Crescente (Otomano símbolo)IslamSymbol.svg
Rub el HizbROUB EL HIZB 06DE.svg
JainismoSwastikaHinduSwastika.svg
Judaismo
Estrela de DavidBlack Star of David.svg
MenorahMenorah.svg
LaVeyan SatanismSigil of BaphometBaphosimb.gif
Neopaganismo eslavoMãos de DeusHandsGod.svg
PastafarianismSpaghethysPredefinição:Ifdc
SikhismoKhandaKhanda1.svg
Ek OnkarEkonkar.normal.png
XintoísmoToriiTorii.svg
Southeastern Ceremonial ComplexSolar crossSouthern Cult Solar Cross.svg
Taoismo (Daoismo)Yin e yang (Taiji)Yin yang.svg
ThelemaUnicursal hexagrama55px
Sufismo Universal"Tughra Inayati"Wingedheart.svg
Unitário-UniversalismoFlaming chalice
ZoroastrismoFaravaharFaravahar.svg