" CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ "

domingo, 16 de janeiro de 2011

RELIGIÕES INDÍGENAS



RELIGIÕES INDÍGENAS


O conhecimento do fenômeno religioso nas tradições  indígenas sugere 
um repensar sobre o nosso conceito acerca desses povos e sua milenar 
sabedoria e cultura. Desde a colonização, os povos 
indígenas têm sido explorados e excluídos ao longo da 
história do Brasil.  
O que podemos aprender com a sua rica cultura e 
tradição? Como podemos contribuir para que os índios 
se integrem na sociedade sem perder a sua 
identidade? Muitas vezes a mídia apresenta-os como 
ingênuos e incapazes; povos condenados à 
desintegração social. Porém, apesar do preconceito,
discriminação e exclusão de que são vítimas, existem 
comunidades indígenas que têm mostrado o seu valor e 
habilidade para conviver na sociedade de hoje, buscando resgatar e preservar 
a sua história e cultura, sem perder o seu referencial. Um exemplo disso são as 
várias comunidades indígenas do Xingu, no Mato Grosso. “O Parque Indígena 
do Xingu engloba, em sua porção sul, a área cultural conhecida como Alto 
Xingu, integrada pelos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro, Matipu, Mehinako, 
Nahukuá, Trumai, Wauja e Yawalapiti. A despeito de sua variedade lingüística, 
esses povos caracterizam-se por uma grande similaridade no seu modo de 
vida e visão de mundo. Estão ainda articulados numa rede de trocas 
especializadas, casamentos e rituais inter-aldeias. Entretanto, cada um desses 
grupos faz questão de cultivar sua identidade étnica e, se o intercâmbio 
cerimonial e econômico celebra a sociedade alto-xinguana, promove também a 
celebração de suas diferenças”. 
Os índios querem continuar sendo índios e têm esse direito assegurado 
na Constituição do nosso país. “São reconhecidos aos índios sua organização 
social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as 
terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, 
proteger e fazer respeitar todos os seus bens.” (Constituição Federal – Art. 
231).  
Conhecer as expressões religiosas dos povos indígenas permite 
compreender melhor a sua cultura e superar o preconceito que muitos ainda 
têm em relação ao índio e seu modo de vida.  
As influências da cultura do branco e das religiões, principalmente de 
matriz cristã, impregnaram suas crenças e costumes, na maioria das vezes de 
forma negativa, levando muitos índios a perderem sua identidade. Cabe hoje a 
todos os cidadãos conscientes defender os direitos  de liberdade e dignidade 
dos povos indígenas do Brasil. 
O índio acima de tudo como ser humano deve ser respeitado. Sua 
cultura precisa ser preservada, conhecida, resgatada e valorizada para que ele 
tenha condições dignas de vida na sociedade contemporânea.

  
SOCIEDADES SOLIDÁRIAS -  As sociedades indígenas são 
organizadas a partir dos princípios de solidariedade, partilha e generosidade 
entre os membros da tribo. Essas atitudes éticas abrangem a todos e em 
muitos casos até mesmo os inimigos. Com certeza, esse é um exemplo a ser 4 
aprendido e seguido pela nossa sociedade marcada pelo individualismo, 
ganância, competição e consumismo desenfreado. 



OS INDÍGENAS NOS PRIMEIROS TEMPOS DA COLONIZAÇÃO DO
BRASIL E NOS DIAS DE HOJE - Nos primeiros tempos da colonização do 
Brasil, os povos indígenas eram vistos a partir do  olhar dos dominadores de 
então, como “gente sem fé, sem lei, sem rei”. Assim, projetava-se a sociedade 
indígena em termos daquilo que lhe faltava, na opinião dos europeus. Os 
europeus queriam a todo custo impor-lhes a sua cultura e religião.  
Com o decorrer do tempo percebeu-se que o 
índio era resistente, ele tinha convicção quanto às
suas próprias crenças e mitos. Assim, o catolicismo
daqueles tempos encontrou dificuldades em 
converter os índios que, segundo  o pensamento 
vigente, não tinham  Deus, nem hierarquia, nem 
disciplinamento litúrgico.  
A opressão encontrou seus caminhos e a 
dominação se deu através da introdução da cachaça, 
pois o entorpecimento e dependência favoreciam a 
conquista de seus corpos e almas. Através de 
doenças, contaminando previamente roupas e 
cobertores que seriam presenteados aos índios, esses “selvagens teimosos” 
eram, então, dizimados.  
Também através de castigos, surras, acorrentamento  e palmatória, 
juntamente com a exploração de mão de obra, desvirtuamento de seus 
costumes, e é claro, através da evangelização, toda a cultura religiosa nativa 
era desvalorizada e substituída pelo catolicismo de então. 
Os índios ou brasilíndios eram vistos como o “outro diferente”, que 
representava ameaça, por isso, na visão dos colonizadores deviam ser 
convertidos, catequizados e dominados. Pelo fato de se recusarem a aceitar as 
condições impostas foram perseguidos, escravizados  e muitos foram mortos 
com crueldade. Nações inteiras foram dizimadas, sua cultura, tradição e 
sabedoria perdidas para sempre. 
Toda a riqueza cultural e sabedoria do povo indígena não foi respeitada 
nem compreendida pelos invasores portugueses que diziam ser o índio apenas 
um animal com corpo humano, mais ou menos como a mulher e o negro 
também foram vistos.  
Ainda  hoje não é raro haver comentários pejorativos direcionados a 
momentos específicos de ritualização dos índios e negros. Provavelmente você 
irá se lembrar de expressões como:  Isso é coisa do diabo! Deus não gosta 
disso! Toda essa gente vai para o inferno! São pagãos que precisam ser 
convertidos à fé cristã!...  
Esta sempre foi uma forma de exercer a superioridade e a posição de 
dono da verdade a custo de denegrir e inferiorizar o “outro”, atitude que ainda 
hoje se repete em nossa sociedade, em relação aos índios de hoje e às 
minorias excluídas. 


UMA DAS TEORIAS DA ORIGEM DOS POVOS INDÍGENAS -  Após 
500 anos de dominação, eles ainda são aproximadamente 215 nações com 
170 línguas diferentes, com culturas diversas entre si, segundo pesquisadores.  5 
Entre diversas teorias, a mais aceita é a de que seus ancestrais 
chegaram às Américas pelo estreito de Bering, originários de regiões distintas 
da Ásia.  
Essa saga, calcula-se agora, começou há 27.500 anos, 15.500 anos 
antes do que era aceito. A conclusão é que ainda há muito a descobrir, mas 
não há mais dúvidas de que os índios têm um passado e uma cultura tão 
grandiosos como de qualquer outra etnia.  
A origem histórica das tradições religiosas indígenas como a de todas as 
religiões nativas perde-se nos tempos da história da humanidade. Todas 
possuem seus mitos fundantes transmitidos oralmente e revividos por meio dos 
ritos. É através dos mitos que essas culturas explicam o mundo, o 
desconhecido, a origem do seu povo e a sua organização social e religiosa.


ESTRUTURA DAS RELIGIÕES INDÍGENAS - A estrutura das religiões 
indígenas é sólida e muito bem elaborada, permitindo a equilibração do homem 
com o meio intra e extra psíquico. A harmonia deste com a Mãe Terra é 
condição básica para sua sobrevivência e é, portanto, elemento inseparável de 
seus ritos e encontro com a transcendência. 


RELIGIÕES MARCADAS PELA PRATICIDADE - As religiões indígenas 
caracterizam-se pela praticidade, tudo gira em torno da experiência do sagrado 
e não numa fundamentação teórica. O cotidiano da vida está impregnado de 
religiosidade. A vida na aldeia é vivida de modo contextualizado, a religião é 
parte integrante da vida. 


RELIGIÕES DIFERENTES ENTRE SI - As tradições religiosas indígenas 
são diferentes entre si, há uma diversidade de povos e culturas que se 
distinguem no tipo biológico, línguas, costumes, ritos, organização social, etc. 
Suas religiões são profundamente marcadas por rituais nos quais os mitos são 
revividos com intensidade de modo que em algumas comunidades os 
participantes no ato ritualístico sentem-se parte da divindade. As práticas 
religiosos caracterizam-se de ritos de defumação, entoação de cantos, uso de 
instrumentos musicais, incorporação, transe e uso de remédios retirados das 
plantas e ervas. 


A IDÉIA E A REPRESENTAÇÃO DO TRANSCENDENTE -  O 
Transcendente (Deus) em algumas tribos é compreendido como um ser 
natural, bondoso, que gosta de todos e que está em paz com todos os seres. 
Algumas nações acreditam no Transcendente como um Ser Superior e em 
seres menores, seus auxiliares.  
Há também religiões que acreditam num mundo espiritual povoado de 
divindades (espíritos), sem uma hierarquia definida entre eles. São os espíritos 
dos ancestrais, os espíritos das florestas, das ervas medicinais, entre outros. 
Os espíritos maus devem ser apaziguados e os bons devem ser 
convencidos a ajudá-los. Os nomes dados à divindade superior e aos espíritos 
variam de uma nação para outra: Maíra, Itukoóviti (aquele que criou todas as 
coisas), Nhyanderú, Nhyanderuvusú, Nhyanderupapá, etc.  
Entretanto, a maioria das tribos dá mais atenção às mitologias de heróis 
míticos, caracterizados como heróis civilizadores,  que  ensinaram técnicas, 
costumes, ritos e as regras sociais aos membros da tribo.  6 
Em algumas tribos o sol ou a névoa que cobre as florestas à tardinha ou 
de manhã é considerado como o reflexo e a representação ou manifestação do 
Ser Supremo ou das divindades. Contudo, cada nação  concebe o 
Transcendente e o representa de forma diversa.


SABEDORIA DOS ANTEPASSADOS - A sabedoria dos antepassados 
é preservada através da oralidade. Honrar os ancestrais constitui-se o centro 
da ética religiosa indígena.  
  
SACERDOTES-MÉDICOS -  Os 
mediadores entre os espíritos e membros da 
comunidade são os xamãs, também chamados 
pajés, os quais exercem a função de sacerdotes 
e médicos. Para ser Pajé ou Xamã, a pessoa 
precisa passar por uma experiência psicológica 
transformadora que a leve inteiramente para 
dentro de si mesma. O inconsciente inteiro se 
abre e o Pajé mergulha nele.  
Certas vezes, esse homem - ou mulher - 
dotado de autoridade religiosa, ingere 
substâncias alucinógenas, com o intuito de, em 
rituais, atingir estados alterados de consciência, 
entrando assim em contato com entidades do 
mundo espiritual. Neste caso, os espíritos 
malévolos serão controlados e combatidos e os 
bons serão convencidos a ajudar. 


A IMPORTÂNCIA DO  RITO -O rito fundamenta toda a realidade, define 
a organização da vida social e é fonte de memória e conhecimento. Há rituais 
para celebrar o fim das estações da chuva ou seca, outros para comemorar a 
chegada das colheitas; há rituais de casamento e vitórias em guerras com 
outras tribos.  
Revestem-se de grande importância para as famílias  os rituais de 
iniciação ou passagem para a vida adulta dos jovens e também o nascimento 
de crianças. Os rituais estão ligados aos mitos. O  ritual e o mito atualizam o 
passado e ajudam a modificar e compreender o presente. 


TEXTO SAGRADO - O texto sagrado é transmitido na forma oral. São 
histórias míticas que os sábios anciões contam oralmente para toda a tribo, 
preservando assim a sabedoria e a tradição.  
Os mitos falam geralmente da origem e transformação do universo, da 
vida, das outras nações indígenas, dos fenômenos de ordem espiritual ou 
sobrenatural que acontecem com as pessoas na aldeia. Contam como os 
homens aprenderam a cultivar a terra, a fabricar os instrumentos, qual a 
posição de sua sociedade tribal em relação às outras, quem instituiu as suas 
regras sociais e ritos religiosos, o que acontece com as pessoas depois da 
morte, etc. Atualmente, porém, algumas comunidades  indígenas  utilizam a 
escrita. 7 


VIDA ALÉM MORTE - De modo geral, nas diversas nações indígenas, 
acredita-se que cada pessoa possui um espírito imortal. A idéia de espírito 
difere de um grupo para outro. Há comunidades como  os Krahó, ramo dos 
Timbíra, que acreditam que não somente os seres humanos possuem espírito, 
mas todos os seres sejam animais, vegetais ou minerais.  
Alguns dividem a alma em duas forças, uma das quais permanece na 
terra em situação de perigo para os seres vivos e outra parte vai para o 
paraíso.  
Os Kaingáng acreditam que o indivíduo, após a morte, torna-se outra 
vez jovem, vivendo mais uma vida em outro plano existencial. Morre 
novamente, transformando-se num pequeno inseto, formiga preta ou mosquito. 
Os Kayová acreditam que o espírito ou alma tem uma parte sublime, de 
origem celeste e outra parte menos boa da alma que se desenvolve durante a 
existência do indivíduo. Para essa tribo, a reencarnação só é possível para as 
almas das crianças que morreram.  
De modo geral, predomina a crença de que a 
morte é o corte abrupto da vida e início de outra vida 
repleta de alegrias. 


SISTEMA DE EDUCAÇÃO - Não há uma 
sistematização de educação semelhante a dos 
povos das cidades. A educação acontece também 
de uma forma sistematizada, mas dentro de 
períodos, de ciclos, marcados por rituais e 
cerimônias. As crianças são cercadas de carinho, 
cuidados e proteção, não só dos pais, mas de toda 
a tribo. São filhos de todos.


SISTEMA SOCIAL INTEGRADO À NATUREZA - Natureza e sociedade 
são partes de um sistema social único. O homem é parte da natureza como a 
natureza é parte do homem. 
  
RELAÇÃO COM A TERRA, UMA QUESTÃO RELIGIOSA - A terra é de 
todos, é a propriedade coletiva. A relação com a terra passa pela questão 
religiosa. A terra é o espaço de vida, lugar para se viver bem, ela é chamada 
de “Mãe Terra”. O índio sente-se acolhido pela Mãe  Terra. Ao contrário do 
homem capitalista, que vê a terra como meio de produção e exploração, 
visando apenas o lucro pessoal e egoístico, o índio estabelece um 
relacionamento de afeto com a Terra, vendo nela uma mãe, que o acolhe 
generosamente. Assim, a relação com a Terra passa pela questão religiosa. 
Deus, “o Grande Espírito”, “o Grande Pai” ou “o Grande Avô” ordena e orienta 
para que se trate bem a natureza por que a vida de  todos na comunidade 
depende dela.  


VISÃO ORGÂNICA OU SISTÊMICA DE MUNDO - Predomina entre os 
indígenas uma visão orgânica ou sistêmica de mundo. Tudo está em harmonia. 
Os elementos da natureza, os astros, todos os seres foram colocados e 
organizados harmoniosamente. Originalmente o índio vivia de forma integrada 
à natureza, ele tinha consciência de sua relação de interdependência com os 8 
elementos naturais. Percebia o equilíbrio e a harmonia no cosmo e essa paz 
devia ser vivida na aldeia ou comunidade, por meio da partilha e solidariedade.


ORGANIZAÇÃO DA VIDA SOCIAL - O modo de vida numa aldeia 
indígena é bastante diferente da  vida dos povos que vivem nas vilas e grandes 
cidades. A aldeia é como se fosse uma grande família, onde os homens e as 
mulheres têm funções definidas. Todos cuidam das crianças, protegendo-as e 
ensinando os costumes da tribo. Os alimentos vindos da caça, da pesca, da 
coleta e da agricultura são repartidos entre todos. Os direitos são iguais para 
todos, como casa, alimento, educação e medicina de  ervas dos Pajés. Os 
idosos não são desprezados e nem abandonados, mas tratados com carinho e 
respeito. 


SONHO, CRENÇA OU UMA POSSIBILIDADE? “TERRA SEM MALES” -
Algumas nações indígenas acreditam na “Terra sem males”, onde não haverá 
maldade, injustiça, guerra e doença. Onde todos os seres viverão felizes, em 
plena harmonia e paz.

VER O ÍNDIO COMO ELE É... O professor precisa conhecer a realidade 
indígena para não apresentar aos alunos uma visão romântica e irreal sobre os 
povos indígenas, como se fossem seres perfeitos ou  o inverso disso, como 
seres selvagens e maus. Os índios, como todos os seres humanos, têm suas 
limitações, dificuldades e conflitos na convivência grupal.  
Deve-se apresentar o índio como ele realmente é, enfatizando os aspectos 
positivos que existem em seu modo de vida, ética e  organização social 
baseada na maioria das vezes na solidariedade e partilha.   
Os povos indígenas ainda hoje sofrem discriminação  e injustiças. Muitos 
são expulsos de suas terras. As florestas são destruídas pelos madeireiros e 
exploradores de minas, as águas são poluídas e os animais exterminados. Por 
causa disso, muitos índios perderam o rumo de suas vidas, muitos vivem em 
condições desumanas, em reservas ou nos subúrbios das cidades.  
Mas, também existem algumas tribos, como os Yanomâmis no Alto Xingu, 
Mato Grosso, que já encontraram a forma de sobreviver ao contato com a 
civilização moderna sem perder o seu referencial cultural. Segundo 
pesquisadores, há ainda algumas poucas tribos no Brasil vivendo nas selvas 
da Amazônia que não tiveram contato com o homem civilizado.


A IDÉIA DO DEUS TUPÃ - “Muita gente acredita ser Tupã o principal deus 
das crenças indígenas. (Mas a verdade é outra). Tupã é um ser sobrenatural 
em que somente os índios que falam língua do tronco Tupi acreditam. Os 
demais indígenas não conheciam Tupã, pelo menos antes do contato com os 
homens civilizados. 
Mesmo para os índios do tronco Tupi, o ser que denominam Tupã não é 
considerado de modo nenhum o principal dos entes sobrenaturais. Para eles, 
Tupã é como um (espírito) que controla o raio e o trovão, podendo, por isso, 
provocar morte e destruição. Foram os primeiros missionários que, ao 
ensinarem a doutrina cristã aos índios, na língua destes, procuraram expressar 
o conceito que os cristãos faziam de Deus com o termo Tupã. O termo foi  mal 
escolhido, uma vez que são completamente discordantes a idéia que os 
cristãos fazem de Deus e a idéia que os índios fazem de Tupã. Mas o erro dos 9 
missionários perdurou e até hoje muitos afirmam que Tupã é a principal 
divindade indígena.” (Julio Cezar Melatti – Índios do Brasil – Ed. Hucitec).


VOCÊ SABIA QUE... O jogo da peteca é de origem indígena? Os Mbyá 
chamam a peteca de Mangá? Que esse é o jogo dos deuses? E que eles o 
jogam sem parar, durante todo o verão? É que, durante a época das chuvas 
quando se escutam os trovões, são os deuses batendo na peteca. Os 
relâmpagos são os rastros da peteca, indo de um lado para outro... 
A palavra “peteca” é de origem tupi? Ela significa  “tapear”, “esbofetear”, 
“golpear com as mãos”. 


COMO FAZER UMA PETECA -  Use palha seca de milho, mas também 
pode ser feita com folhas verdes de milho. Dobre-as fazendo um quadrado. 
Faça isso com vários pedaços de palha ou folhas sobrepondo-as. Estas 
camadas devem ficar bem firmes, pois formam a base da peteca. 
Depois, amarre essa base com algumas palhas de milho desfiadas, bem 
firmemente. Ou, no lugar das palhas desfiadas, coloque algumas penas de asa 
de galinha ou outra ave, isso dá equilíbrio à peteca. Assim ela está pronta para 
o jogo.


COMO JOGAR PETECA - É um jogo típico dos índios Mbyá. Ele é coletivo 
e exige reflexos rápidos, agilidade e habilidade. Para jogar, se faz um círculo 
com todos os participantes. Não tem número certo. Todos podem jogar. 
Existem dois jeitos para se fazer isso: 
1 – Um jogador bate na peteca com a palma da mão, de baixo para cima, 
fazendo com que ela suba e faça um arco no ar até o outro lado do círculo. 
Então, a peteca será rebatida por outra pessoa, que faz os mesmos 
movimentos, passando-a adiante. Tudo isso “sem deixar a peteca cair”. Você já 
ouviu isso antes, não é? 
2 – Na outra forma de jogar, uma pessoa fica no centro do círculo. Ela 
dá a primeira batida na peteca, que sempre tem que  ser devolvida para ela, 
que passará adiante.  
Nas duas formas de jogar, quem deixar a peteca cair, sai  do jogo. Este 
segue até que fique apenas uma pessoa. 


ALGUNS RITOS DAS TRADIÇÕES INDÍGENAS -  Praticamente em 
todas as culturas e tradições religiosas, o comportamento humano é permeado 
de rituais. Os rituais são marcos que pontuam momentos importantes na vida 
das pessoas. Os rituais indígenas não estão separados da vida cotidiana. Há 
diferentes elementos simbólicos, como danças, cantos, pintura no corpo, 
adornos, vestimentas de palha e de  materiais diversos extraídos da natureza. 
Os rituais fundamentam toda a realidade e organização da vida social na tribo. 
Entre quase todas as comunidades existem os ritos de passagem, que 
marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. 
Esses ritos estão ligados à gestação e ao nascimento, à iniciação na vida 
adulta, ao casamento, à morte e outras situações. 
As festas acontecem na época de abundância de colheita do milho ou da 
caça e pesca. Há também festas relacionadas aos rituais de iniciação e aos 
heróis fundadores do povo. Nestas festas, as variadas formas de pintura do 
corpo, os enfeites com penas, os cantos e as danças têm grande importância. 10 
As cores mais usadas são o vermelho, o preto e o branco, cujas tintas são 
extraídas do urucum, jenipapo, carvão, barro e calcário.  
Conforme a tradição de cada tribo, a música é executada pelos homens 
e mulheres. Os instrumentos são construídos de madeira, casca de frutas, 
bambu, entre outros materiais disponíveis para isso. 
“Entre os índios da região do Xingu, a morte de um 
chefe  marca o início de um ritual funerário que inclui 
danças e lutas. Essa cerimônia é conhecida como 
KUARUP, palavra que significa "tronco de árvore". Em 
torno de um tronco de árvore acontecem as danças, que 
vão do anoitecer ao amanhecer do dia seguinte. Os 
índios acreditam que a alma do morto se liberta do tronco 
pela manhã. Nesse momento, o principal da cerimônia, 
eles rolam o tronco para dentro do rio, revivendo a lenda 
da criação do mundo”.


RITO DO NASCIMENTO - Os Tupinambá costumavam celebrar o rito do 
nascimento de uma criança com uma grande festa. O pai cortava com seus 
dentes o cordão umbilical, se fosse menino. Se fosse menina, era a mãe. 
Banhava-se a criança num rio. Em casa era colocada numa rede, colocando-se 
um arco e flecha, para o menino. Unhas de gavião ou garras de onça 
enfeitavam a rede para que o menino, quando adulto, se tornasse um valente 
guerreiro. A menina recebia objetos como uma cabaça, as jarreteiras para as 
pernas, braceletes de algodão e um colar de dentes  de capivara para que 
crescesse com dentes fortes para bem mastigar a mandioca no preparo da 
bebida chamada cauim. 


RITO PARA TORNAR-SE ADULTO -  Entre os índios Apinayé, a 
transformação dos meninos em adultos guerreiros se dá em duas etapas, no 
decorrer de um ano. Trata-se de um rito de passagem.  
Na primeira etapa, os meninos por volta de quinze anos de idade são 
separados dos demais por meio de uma cerimônia. Passam então a ser 
chamados de  pebkaáb, isto é, “semelhantes a guerreiros”. Daí por diante, 
durante alguns meses, embora durmam nas casas maternas, os jovens em 
iniciação passam praticamente os dias separados da aldeia num acampamento 
próprio, com um local de banho só para eles, um pátio deles a leste da aldeia, 
um caminho circular em torno da aldeia pelo qual vêm buscar alimento em suas 
casas maternas.  
Recebem instruções todos os dias de dois índios experientes. Vem à 
aldeia somente para dançar a noite e dormir. Durante esse período têm suas 
orelhas e lábio inferior perfurados para uso de batoques.  
Depois de algum tempo, são trazidos à vida da aldeia numa cerimônia 
constituída de ritos de incorporação e então os jovens são chamados de pemb, 
isto é, “guerreiros”. Nessa segunda etapa ficam numa reclusão rigorosa, em um 
pequeno quarto totalmente fechado dentro de suas casas maternas.  
Nessa fase, seus instrutores lhes aconselham sobre  como escolher e 
como tratar a esposa, como tratar seus colegas, como confeccionar seus 
enfeites e a importância em obedecer a seus chefes.11 


RITOS DE CASAMENTO – XAVANTE - Entre os Xavante são os pais 
que tratam da escolha dos cônjuges para os seus filhos. Assim que um grupo 
de rapazes termina a cerimônia de iniciação, realiza-se uma cerimônia coletiva 
de casamento. As mães trazem suas filhas, ainda meninas, e as deitam junto a 
seus noivos, que cobrem as faces com as mãos e estão de costas para elas. 
As meninas ficam apenas um momento nessa posição, sendo retiradas logo 
em seguida. Depois são servidos bolos de milho aos convidados, com o milho 
fornecido pelas casas dos noivos e noivas. O rapaz deve esperar que a noiva 
cresça para morar com ela. Ao nascer o primeiro filho, passa a morar 
definitivamente na casa da família da esposa. 


RITO DE CASAMENTO – DENI - Entre o povo Deni, tribo que vive na 
Amazônia, o casamento acontece entre primos cruzados, quando possível. O 
casamento é ajeitado pelas mulheres e dois homens mais velhos da tribo, 
enquanto que os outros vão para a caça. A rede da moça é desatada e levada 
ao lado da rede do rapaz. Quando os homens voltam, é dado o  aviso de que 
os dois estão casados. Logo a mãe da moça traz brasa para ela fazer fogo. Ai 
tem festa, comida, cantos e os dois podem morar juntos. 


RITO FUNERÁRIO – KAINGÁNG - Os Kaingáng no Paraná (Palmas) 
realizam uma cerimônia quando alguém morre, que se  constitui um rito de 
passagem. O pajé recita uma fórmula tradicional ao  som do maracá. Três 
homens levam o cadáver para o cemitério. Toda vez que põem o cadáver no 
chão para descansar, fazem um sinal numa árvore próxima, até que chegam 
ao cemitério, onde fazem também o mesmo sinal. Eles acreditam que o morto 
vive mais uma vida no além-túmulo, depois do que, morre outra vez, 
transformando-se num mosquito ou formiga. O espírito do morto deve ser 
afugentado para não oferecer perigo à comunidade, pois, pode trazer doenças. 
Nos meses seguintes realiza-se um rito com danças,  cantos e bebidas para 
que o morto vá embora.
Indígenas Kaingáng 12 


ALGUNS MITOS INDÍGENAS 

MITO DA CHEGADA DO FOGO - Há muito tempo, um homem Deni foi 
caçar onça, que era o único bicho mau. De repente, gritou o passarinho bubu 
ao Deni: 
- Tem fogo aí! 
O índio assustado, viu em frente uma árvore enorme em chamas. Ao se 
aproximar, sentiu muito calor. Então pegou uma vara, encostou no fogo e a 
vara queimou. Rapidamente, levou a brasa para casa e fez fogo. 
Os outros índios da aldeia se admiraram e pediram fogo para ele, mas o 
Deni não concedeu uma brasa sequer. Mandou que eles mesmos buscassem 
mais fogo na árvore no meio da floresta. Os índios  foram ao lugar indicado, 
mas ali não encontraram mais nada. 
Então o índio, que descobriu a brasa, decidiu repartir o fogo. Por isso, os 
índios Deni não deixam apagar o fogo até hoje. 
Os Deni fazem parte dos povos indígenas que ainda sobreviveram na 
Amazônia. Este povo é formado por vários grupos espalhados às margens dos 
rios Xeruã e Cuniuá, ambos afluentes do Rio Solimões.  


MITO DA ORIGEM DOS ÍNDIOS - No começo só havia Mavutsinim. 
Ninguém vivia com ele. Não tinha mulher. Não tinha filho, nenhum parente ele 
tinha. Era só. 
Um dia ele  fez uma concha virar mulher e casou com ela. 
Quando o filho nasceu, Mavutsinim perguntou para a esposa: 
 - É homem ou mulher? 
 - É homem. 
- Vou levar ele comigo. E foi embora. 
A mãe do menino chorou e voltou para a aldeia dela. A lagoa virou 
concha outra vez. 
Nós – dizem os índios – somos netos do filho de Mavutsinim.  
(Villas Boas, Orlando e Villas Boas, Cláudio, Xingu, Os índios, seus netos, R. 
de Janeiro, Zahar, 1970, p. 55). (Esse mito é dos Kamaiurá, indígenas que 
vivem atualmente no Norte de Mato Grosso). 


MITO DA ORIGEM DO MUNDO E DA HUMANIDADE - Segundo o povo 
Dessâna (Amazônia). 
No princípio o mundo não existia. As trevas cobriam tudo. Enquanto não 
havia nada, apareceu a mulher por si mesma. Isso aconteceu no meio das 
trevas. Ela apareceu sustentando-se sobre o seu banco de quartzo branco. 
Enquanto aparecia ela o cobriu com enfeites e o fez como um quarto. Ela se 
chamava Yebá Burô, a Avó do Mundo ou Avó da Terra. 
Havia coisas misteriosas para ela criar por si mesma. 
 Foi ela que pensou o futuro do mundo, sobre os futuros seres. Depois...
de ter aparecido, ela começou a pensar sobre como deveria ser o mundo.


RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS 13 
A presença das religiões de origem africana 
no Brasil se deve à entrada de muitas pessoas 
trazidas da África e submetidas à escravidão desde 
o século XVI até o século XIX. Estima-se que cerca 
de quatro milhões de africanos foram forçados a 
migrar durante esse período, provenientes de 
diferentes regiões da África e pertencentes a 
diferentes grupos étnicos.


OS DIFERENTES GRUPOS ÉTNICOS - 
Cada grupo que aqui chegou tinha suas respectivas 
crenças e costumes religiosos. Alguns deles eram 
muito mais cultos do que os colonizadores que se 
tornavam seus proprietários.  
Os sudaneses, que desembarcaram e 
permaneceram em Salvador (BA), provinham de tribos  que na África haviam 
sido convertidas ao Islamismo. Alguns deles eram profundos conhecedores do 
Alcorão, além de lê-lo corretamente, conheciam-no de memória. Esse grupo 
manteve alguns costumes da religião do Islã, tais como vestes brancas, 
turbante e chinelos.  
A influência do Islamismo na cultura africana resultou certo sincretismo, 
esses grupos islamizados adoravam ao mesmo tempo, Alá, Olorunuluá e 
veneravam Mariama, a mãe de Jesus.  
Embora não aceitassem o culto de veneração às imagens, não se 
desfaziam de seus talismãs com versos do Alcorão escritos em pequenos 
pedaços de madeira.  
Vieram muitos homens e mulheres do Senegal, Gâmbia, Angola, Zaire, 
Moçambique e da Ilha de Madagascar. 

  
A VIAGEM E AS PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NO BRASIL -  A 
viagem era em navios chamados tumbeiros (o termo tem origem na palavra 
tumba), em condições extremamente difíceis e desumanas.  
Esses homens e mulheres chegavam ao Brasil humilhados, apavorados 
e dominados, entre eles alguns eram líderes tribais, sacerdotes e sábios na 
África. Possuíam grande conhecimento da cultura religiosa de suas tribos. Mas 
com desrespeito e violência eram batizados e marcados a ferro em brasa pelos 
seus proprietários, que se denominavam cristãos.  
Então eram conduzidos às fazendas de gado, aos engenhos de açúcar 
ou à mineração, para o desumano trabalho escravo. Lá passados os primeiros 
tempos de pavor e perplexidade, devido ao modo violento e cruel com que 
foram arrancados de suas famílias e terra natal, procuravam solidarizar-se e 
apoiar-se mutuamente, visto que eram de tribos com  culturas e línguas 
diferentes, estranhas e até rivais. 


PRIMEIRA ORGANIZAÇÃO POSSÍVEL -   A primeira tentativa de 
organização possível entre eles, era a cerimônia religiosa. Então esses homens 
e mulheres, marcados pela dor e desesperança, se uniram e instauraram seus 
terreiros e cultos aos Orixás para manter viva a tradição africana, e assim 
construíram uma cultura de enfrentamento. 14 


OS DIFERENTES GRUPOS ÉTNICOS -  Entre os vários grupos, 
classificados de acordo com os seus portos de embarque na África, destacamse os sudaneses e os bantos. 
Os  sudaneses são originários da África Ocidental, das terras hoje 
nomeadas Nigéria, Benim e Togo. São, entre outros,  os iorubás ou nagôs 
(subdivididos em queto, ijexá, egbá, etc.), os jejes (ewe ou fon) e os fantiachanti. Entre os sudaneses vieram grupos islamizados como os hauçás, 
tapas, peuls, fulas e mandingas. Estes se concentraram nas regiões 
açucareiras da Bahia e Pernambuco. 
Os  bantos  são originários das regiões localizadas no atual Congo, 
Angola e Moçambique. São os angolas, caçanjes, etc.   
Supõe-se que desse grupo tenha vindo o maior número de africanos, 
pois sua influência cultural e religiosa é marcante na cultura brasileira: culinária, 
língua, música, dança etc. Espalharam-se por quase  todo o litoral e pelo 
interior, principalmente por Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. 
Na África, esses homens e mulheres eram capturados  pelos europeus 
ou comprados em regiões de intenso comércio escravagista. Outros eram 
vendidos como prisioneiros de nações inimigas ou porque pertenciam a 
facções rivais dentro das próprias nações.


A RESISTÊNCIA CONTRA A ESCRAVIDÃO -  Enquanto existiu 
escravidão, existiu também a resistência contra o cativeiro, apesar dos 
esforços dos senhores dominadores e das autoridades coloniais no sentido de 
detê-la.  
Uma das formas mais significativas de resistência 
contra a escravidão foram os quilombos, aldeias 
formadas por escravos fugitivos, onde podiam viver  em 
liberdade e de acordo com a sua cultura.  
Existiam diversos quilombos, o maior deles foi o de
Palmares, cujo principal líder foi Zumbi. Esse quilombo 
desenvolveu-se no interior de Alagoas, durante o século 
XVII. Chegou a ter cerca de 20.000 habitantes.  
Num período de sessenta anos, os quilombolas 
(habitantes do quilombo) resistiram ao cerco do exército comandado pelas 
autoridades coloniais até que, em 1695, o quilombo de Palmares foi destruído 
pelo exército do bandeirante Domingos Jorge Velho,  conhecido por suas 
crueldades, e por isso apelidado Diabo Velho.  
O governo colonial da época contratou Domingos Jorge Velho para 
comandar a destruição de Palmares e o Diabo Velho exigiu, em troca, um 
quinto do valor dos negros aprisionados, 500 mil réis em panos e roupas, 100 
mil em dinheiro vivo, imensos lotes de terras e o perdão pelos seus incontáveis 
crimes.  
Depois de muitos ataques fracassados, Domingos Jorge Velho 
organizou um exército de nove mil homens que bombardearam com balas de 
canhão a cerca que protegia os palmarinos. Milhares de crianças, jovens, 
adultos e idosos foram mortos cruelmente.  
Zumbi, o líder conseguiu escapar com alguns outros quilombolas e ainda 
continuou resistindo por dois anos, até que no dia 20 de novembro de 1695, ele 15 
foi traído por um homem de sua confiança, foi torturado e morto pelos homens 
liderados por Domingos Jorge Velho. 
Em 1978, o dia 20 de novembro passou a ser o Dia Nacional da 
Consciência Negra. E Zumbi foi transformado em um símbolo de luta contra o 
racismo e toda forma de escravidão e discriminação não só de negros, mas de 
todas as pessoas vítimas da exclusão social, existente no Brasil. Assim, Zumbi 
continua vivo através das lutas de muitos brasileiros e brasileiras que se 
organizam no sentido de superar os preconceitos, vencer toda forma de 
opressão e fazer valer a justiça e igualdade de direitos para todos. 


OS GRUPOS RELIGIOSOS AFRO-BRASILEIROS -  As tradições 
religiosas de matriz africana, também chamadas de religiões afro-brasileiras, 
abrangem os vários grupos religiosos nascidos das tradições culturais e 
religiosas trazidas da África, e que aqui se mesclaram entre si, constituindo-se 
como forte fator de resistência à escravidão. 
Desta forma, deram origem a diversos grupos ou denominações: 
Candomblé, presente principalmente na Bahia, mas também em outros 
Estados;  Umbanda, presente praticamente em todos os Estados brasileiros; 
Xangô, no Recife; Xambá e Catimbó, nos Estados do Nordeste; Tambor de 
Mina, no Maranhão; Omolocô, no Rio de Janeiro; Batuque, no Pará e nos 
Estados do Sul. 


CANDOMBLÉ 

  A palavra Candomblé significa  cantar e 
dançar em louvor e é de origem banto. O Candomblé 
é símbolo da resistência dos negros contra a 
escravidão no Brasil. Em seus ritos e mitos pouco se 
fala da história da tremenda travessia da África para o 
Brasil através do oceano ou da violência 
desagregadora dos trabalhos escravos a que foram 
submetidos, mas prevalece a ênfase no culto à 
presença dos Orixás (as forças da natureza 
mediadoras do Ser Supremo, chamado de Olorum ou 
Olodumaré) nos espaços sagrados e ao seu poder de 
influência no comportamento dos adeptos.  
Foi organizado a partir dos diversos cultos afros desde o início da 
chegada dos diversos grupos étnicos introduzidos no Brasil pelo tráfico de 
escravos.  
O Candomblé dramatiza, de uma forma solene e festiva, as relações de 
uma dimensão cósmica, relações essas que se expressam no cotidiano da 
vida.  
Não é apenas uma religião de pessoas negras, é também apreciada por 
um vasto contingente de pessoas de outras etnias presentes no Brasil.  
As divindades se manifestam por meio dos pais ou mães de santo não 
para pregar sermões, mas expressar a sua energia vital (axé) por meio de 
danças ao ritmo de instrumentos de percussão chamados atabaques e dos 
cantos em línguas africanas.  16 
O culto geralmente termina com um jantar aberto ao público, feito com 
alimentos sagrados, a comida dos Orixás.  
O Candomblé foi perseguido pelo Estado brasileiro sendo que os 
terreiros (espaços destinados ao culto) eram proibidos. A partir dos anos 50 a 
perseguição diminuiu e multiplicaram-se as casas de culto em todo o Brasil. 
Alguns movimentos culturais passaram a valorizá-lo e enobrecê-lo por meio da 
mídia escrita, do cinema, da música, do teatro, da TV, etc. 


UMBANDA 
A Umbanda é uma religião tipicamente brasileira, organizada a partir dos 
cultos afros, crenças católicas, filosofia espírita, pajelança indígena e 
esoterismo. Existem diferentes grupos de Umbanda, cada um enfatiza 
determinado aspecto de sua doutrina e prática, mas  existem também pontos 
doutrinários comuns a todos os grupos. 
Há também várias interpretações e definições para o termo Umbanda. 
Uma delas é que Umbanda vem do Kimbundo, um idioma  falado na África e 
significa a arte de curar; outra é que Umbanda significa a Lei Maior ou Lei 
Suprema do Bem.  
Os seguidores da Umbanda crêem nos Espíritos 
de Luz e plenitude que vêm à Terra para ensinar e ajudar 
todas as pessoas, encarnadas e desencarnadas. São 
entidades espirituais chamadas de Guias que se 
manifestam através dos médiuns durante as sessões: 
Pretos-Velhos, Caboclos, Marinheiros, Crianças, Baianos, 
Boiadeiros, Orientais, Exus, entre outros.  
A Umbanda tem como lugar de culto o templo, o 
terreiro ou o centro, que é o local onde os umbandistas se 
reunem para realização do seu culto, conhecido como
giras ou sessões. 
Segundo alguns pesquisadores, a Umbanda teve início no século XX. 
Alguns indicam o ano de 1908 e outros a década de 20, mas aconteciam 
práticas semelhantes entre os descendentes de escravos muito antes dessa 
época.  
A Umbanda como a conhecemos hoje, tem seu início no século passado  
entre pessoas que tinham ligação com as idéias difundidas pelo Espiritismo e 
que buscaram incluir outras expressões em suas práticas religiosas, 
construindo assim uma religião que absorveu elementos das tradições 
africanas, da pajelança indígena, do catolicismo, esoterismo e também do 
espiritismo.  
O primeiro centro de Umbanda surgiu por volta de 1920, com Zélio 
Fernandino Moraes, na cidade do Rio de Janeiro, o qual, quando ainda jovem, 
ficou  paralítico devido a uma enfermidade. Diante do insucesso do tratamento 
médico, seu pai, um corretor de imóveis em Niterói  e seguidor da Doutrina 
Espírita, levou-o para uma consulta na Federação Espírita Brasileira, no Rio.  17 
Na ocasião, por meio de um médium, manifestou-se uma entidade 
espiritual de um padre jesuíta, falecido há muitos anos, a qual disse ao jovem 
que ele tinha a missão de fundar uma nova religião.  
Essa religião devia ser tipicamente brasileira, dedicada à veneração de 
espíritos de caboclos, índios, ciganos, baianos, crianças e pretos velhos. 
Depois de algum tempo, em uma outra sessão mediúnica manifestou-se 
uma entidade espiritual chamada Caboclo das Sete Encruzilhadas, então foi 
confirmado por essa entidade que Zélio devia fundar uma nova religião 
chamada Umbanda.  
Assim começou o primeiro centro de Umbanda, denominado de Centro 
Espírita Nossa Senhora da Piedade, em 1930, no Rio de Janeiro.  
Em 1938, depois de anos de mudanças, o centro instalou-se 
definitivamente em um grande prédio, onde continua em atividade até hoje. 


A DIFERENÇA ENTRE CANDOMBLÉ E UMBANDA 
CANDOMBLÉ 

• Não possui o sincretismo (mistura) de elementos do Cristianismo Católico, 
nem do Espiritismo ou da Tradição Indígena, mas possui o sincretismo das 
Religiões Africanas.  
• Os Orixás são de origem africana. Nenhum santo é superior ou inferior a 
outro. Não existe o bem e o mal de forma isolada. 
• No culto há louvação aos Orixás que se incorporam  nos pais e mães de 
santos ou babalorixás e ialorixás, para fortalecer o axé (energia vital) que 
protege o terreiro e seus membros. 
• A iniciação é a condição essencial para participar do culto. O recolhimento 
durante o processo de iniciação dura de sete a vinte e um dias. O ritual 
envolve o sacrifício de animais, a oferenda de alimentos e a obediência a 
rígidos preceitos. 
• Em geral, não aceita a reencarnação, mas a ancestralidade. 
• As vestes usadas no culto são coloridas com insígnias da cada Orixá. 
• Durante o culto são cantados cânticos em línguas africanas, acompanhados 
por três instrumentos musicais, os atabaques, tocados somente por 
iniciados do sexo masculino. 


UMBANDA 

• Há sincretismo com o Candomblé Africano, Catolicismo, Tradição Indígena 
e Espiritismo. 
• As entidades são agrupadas em hierarquia, que vai dos espíritos inferiores 
aos mais evoluídos. São entidades de índios, caboclos, pretos velhos, 
espíritos de crianças e também alguns Orixás cultuados no Candomblé.  
• Durante o culto, os médiuns incorporam as entidades, dão passes e 
consultas aos participante do culto. 18 
• A iniciação não é necessária. O recolhimento para a iniciação é de apenas 
um ou dois dias. O sacrifício de animais não é obrigatório. A iniciação é feita 
nas água do mar ou cachoeira. 
• Os cânticos são cantados em português, acompanhados por palmas e 
atabaques, tocados por adeptos de qualquer sexo. 
• Uso de vestes brancas. 
• No altar há imagens católicas, de pretos velhos e caboclos. 
      
O jogo de búzios é uma técnica de adivinhação 
presente na cultura afro-brasileira que consiste em
lançar conchas marinhas e de acordo com a posição 
que caem, são interpretadas pelo pai ou mãe de santo, 
fornecendo orientações e revelações para o consulente. 


TAMBOR DE MINA 

O Tambor de Mina é a denominação mais difundida da  tradições afrobrasileiras no Maranhão e na Amazônia.  
A palavra tambor se deriva da importância desse instrumento nos seus 
rituais.  
Mina deriva da procedência de grupos étnicos vindos da Costa da Mina, 
região situada a leste do Castelo de São Jorge de Mina, nas atuais Repúblicas 
do Gana, Togo, Benin e Nigéria, na África.  
Esses grupos eram conhecidos como negros mina-jejes e mina-nagôs.  
O Tambor de Mina é uma religião iniciática. As cerimônias de iniciação 
são realizadas com discrição nos recintos dos terreiros e poucas pessoas 
recebem os gruas mais elevados ou a iniciação completa.  
O Tambor de Mina tem características das sociedades secretas. No 
culto predomina a figura da mulher, a Mãe de Santo.  
Quando uma pessoa entra em transe recebe um símbolo do Vodun 
(divindade) e uma toalha branca, a qual é amarrada na cintura. 
Os homens, durante o culto, desempenham a função de tocadores dos 
tambores ou abatazeiros e dos sacrifícios de animais de quatro patas que 
fazem parte da cerimônia de oferenda.  
As divindades são denominadas de Voduns e são venerados com 
cânticos em língua jeje. Alguns grupos também cultuam Orixás e Caboclos. 19 


ALGUNS ASPECTOS IMPORTANTES NAS 
RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

VISÃO DE MUNDO - Como nas tradições indígenas, também predomina 
uma cosmovisão sistêmica ou orgânica de mundo ou da realidade que nos 
cerca, sem uma divisão clara entre matéria e espírito, e é nesta realidade que 
os poderes cósmicos, os Orixás, desempenham papel decisivo.

TEXTO SAGRADO -  O texto sagrado é transmitido na forma oral. Servemse de mitos, lendas, canções, contos, danças, provérbios, adivinhações e ritos 
para explicar, vivenciar e perpetuar suas crenças e tradições, como por 
exemplo: Olorum era uma massa infinita de ar. Um dia, como por encanto, 
lentamente, começou a respirar, e uma parte dessa massa de ar transformouse em água, dando origem a Orixalá. O ar e a água continuavam a se mover, 
como uma dança, e eles mesmos foram se misturando, se misturando e uma 
parte deles, juntos e misturados, deu origem à lama. Dessa lama surgiu uma 
bolha avermelhada. Olorum maravilhou-se com essa bolha e soprou sobre ela 
o seu hálito  Emi e deu-lhe vida. Essa forma, em permanente expansão e 
movimento, foi a primeira dotada de existência individual. Era um rochedo 
avermelhado de laterita:  Exú.  Assim, a existência de todas as coisas é 
inaugurada pelo sopro do hálito Emi ou ar divino Ofurufú, produzindo a vida nos 
planos visíveis e invisíveis. 


A CRENÇA NO SER SUPREMO - Existe a crença num Ser Superior, que 
criou o mundo e a vida, chamado Olorum ou Olodumaré em língua iorubá; 
Mawu, em Fon; Zambi ou Zambi-anpongo, em banto, línguas estas faladas 
pela maioria dos povos atingidos pelo tráfico. Ao nos referirmos ao culto dos 
Orixás, certamente estamos nos deparando com uma forma de monoteísmo, 
uma vez que a religião Nagô admite a existência de um Deus supremo, Olorum 
(olo = sagrado e orum = céu). Esta divindade não é admoestada pelas pessoas 
e nem invocada. Mora no céu e não se relaciona diretamente com os seres 
humanos. A relação, o contato do divino com o humano se fará através dos 
Orixás. Esperam dos seres espirituais (divindades) proteção e auxílio.


ORIXÁS - AS FORÇAS DA NATUREZA - Crêem nos Orixás, auxiliares de 
Olorum, que se identificam com as forças da natureza e ancestrais divinizados. 
São narrados por parábolas que os personalizam como heróis, guerreiros e 
reis, masculinos e femininos, com uma lógica e ética próprias, mantendo uma 
relação íntima com a comunidade na qual realizam as suas manifestações. 
Olorum, no Candomblé e Oxalá, na Umbanda, é o grande Pai, Espírito da 
criação, doa o Axé, que é a energia ou força vital. Os Orixás mais conhecidos e 
cultuados, hoje, no Brasil, são: 
• Odudua – a terra mãe, esposa de Olorum  e geradora da vida. 
• Exú – intermediário entre os Orixás e os adeptos. De temperamento 
instável e ciumento. Se não for acalmado e mimado com oferendas, 
não permite que os outros Orixás se comuniquem. 
• Ogum – Orixá da guerra, dos metais e das armas, forjou o ferro 
criando os instrumentos de trabalho, para que os homens e mulheres 20 
transformassem a terra em um lugar de alegria e prosperidade para 
todos.  
• Okô – Orixá das plantas cultivadas. Dá força aos alimentos para 
manterem  a vida das pessoas. 
• Oxóssi – Orixá protetor das matas e dos animais. 
Não permite a violência e a destruição da natureza.
• Ossaê – Orixá das plantas medicinais e daquelas 
que são reservadas às cerimônias rituais. Distribui o 
axé de Olorum através da virtude que as plantas têm
de manter a saúde. 
• Xangô – Orixá das tempestades e da justiça. 
• Oxum – Orixá feminino da água doce. Protetora dos 
rios e lagos. 
• Iemanjá (figura ao lado) chamada também de Janaína, Princesa de 
Atucá, Ianaê é a Orixá feminina das águas salgadas. É a mais 
amada e cultuada. Protetora do mar, da família e da vida.  
• Ibeji – Orixás gêmeos, protetores das crianças. 
• Iansã – Orixá feminino, senhora dos temporais. 
• Oxum-maré – Orixá serpente, senhor dos venenos. 
• Ogum Edê – Orixá da sexualidade, durante seis meses do ano é 
feminino e nos seis meses seguintes é masculino. 
• Ifá – Orixá do conhecimento oculto e da sabedoria.


RITOS E RITUAIS -  A crença só pode ser entendida por meio da 
experiência participatória, daí a importância dos rituais e símbolos no culto afrobrasileiro. O culto religioso é feito de ritos e oferendas. Em seus rituais há 
cantos, danças ao som de instrumentos (atabaques) que produzem transes, as 
vibrações sonoras e rítmicas constituem a base do processo ritualístico. Há 
momentos de orientação por parte do pai-de-santo aos que os consultam. As 
vezes, o ritual inclui uma saída para banho de cachoeira. 


VIDA E COMPORTAMENTO ÉTICO -  A maneira de encarar a vida se 
funde na convicção prática de que a pessoa humana é “centro de relações”, 
ponto de passagem do invisível para o visível, em direção aos demais seres, 
humanos ou não. Não fica sem retorno uma ofensa feita a Deus, ao próximo ou 
à natureza. ”Tudo está em tudo”, a religiosidade se funde com a cultura e 
política. Vida, trabalho, religião, amor ou afeto são formas de prestar culto a 
Deus. Daí a obrigação da comunhão para que o grupo  sobreviva espiritual e 
materialmente. As três atitudes muito caras aos povos africanos são: a partilha, 
a solidariedade e o respeito.


VIDA ALÉM MORTE -  A crença na ancestralidade é a resposta para a 
perpetuação da vida depois da morte. A realidade é uma totalidade sem uma 
divisão clara entre as duas dimensões: o mundo da matéria e  mundo do 
espírito. Tudo está presente nesta realidade única, os mortos não estão 
mortos, eles vivem e se manifestam através dos elementos da natureza e dos 
novos que nascem para a vida na comunidade.

  
ASPECTOS ESSENCIAIS DA CULTURA E TRADIÇÃO AFRICANA - Três 
aspectos são essenciais na cultura e tradição religiosa afro-brasileira: a 21 
oralidade, o símbolo e o diálogo. O sistema comunicativo da oralidade prevê a 
identificação, a expressão e a conservação da bagagem etnocultural. O 
símbolo é fundamental para a expressão da crença. Através do diálogo os 
membros da comunidade têm ao seu dispor o conhecimento dos mitos e das 
alegorias na biblioteca da oralidade. O especialista do diálogo é mestre da 
palavra, é  o ancião – chamado de pai ou mãe de santo. O ancião é o ponto de 
referência vital para o grupo. 


NÃO EXISTE A CONCEPÇÃO DE PECADO - O pecado não faz parte 
deste mundo religioso, porém, por influência do Catolicismo, o peso deste se 
torna maior aqui no Brasil As religiões afro-brasileiras não possuem caráter 
proselitista. Apresentam uma visão de mundo que não exige fé ou processo de 
conversão, em que o sagrado, o mítico e o simbólico estão implícitos. Não 
existe a idéia do profano, do mal ou da culpa como concepção de pecado. A 
isso se deve a despreocupação de se elaborar um projeto de catequese ou de 
ensino sistemático de sua religião. 


O ESPAÇO SAGRADO - O terreiro é o nome que se dá ao sítio onde se 
situa o centro de práticas religiosas “grupo local”, 
segundo um padrão determinado tradicionalmente. Há 
a preocupação com o uso correto da ecologia local, 
pois, por motivos religiosos, busca-se garantir a 
preservação de um espaço verde próximo ao terreiro. A 
comunidade-terreiro é ao mesmo tempo casa de culto e 
escola, espaço de preservação da cultura e de 
resistência. Não é a escola formal da cultura ocidental 
freqüentada na busca da escolaridade ou da formação
para se viver nos moldes de nossa sociedade. O 
terreiro, além de local destinado ao culto, é também a escola iniciática, ali são 
preparados os sacerdotes e sacerdotisas, os babalorixás e ialorixás, também 
chamados de pais e mães-de-santo. Estes passam por rituais de iniciação a fim 
de se tornarem chefes religiosos e intermediários para a descida dos Orixás. 


AXÉ - A FORÇA VITAL - A palavra Axé pode ser traduzida como “aquilo 
que deve ser realizado”. Segundo as tradições religiosas africanas essa força é 
contida e transmitida por meio de elementos materiais e de certas substâncias, 
mantendo e renovando neles sua capacidade de realização. Nas 
manifestações religiosas, o sangue portador do Axé pertence ao Ser Superior, 
Criador de todas as coisas, e é oferecido a Ele em primeiro lugar. O sangue 
pode ser de origem animal, vegetal ou mineral. O coração, o fígado, os 
pulmões e os órgãos genitais são partes do corpo consideradas plenas de Axé. 
As raízes, as folhas, o leito dos rios, as pedras, e outros elementos, também 
possuem Axé. Receber o Axé significa incorporar os elementos simbólicos que 
representam os princípios vitais de tudo o que existe no mundo visível (Àiyé) e 
no mundo invisível (Òrun), num processo de expansão permanente. 
   
SÍMBOLOS - É variada e rica de significados a simbologia dos cultos afros. 
Os símbolos mais freqüentes são as vestimentas, alimentos dos Orixás, as 
insígnias representativas dos Orixás, os pontos riscados, as oferendas e 22 
sacrifícios de alguns animais (ebó) que segundo a crença dinamiza a relação 
entre vivos e ancestrais através da força axé. 

ALGUNS SÍMBOLOS DA UMBANDA -  Dentro das práticas 
ritualísticas, os símbolos ocupam espaço especial. Nos cultos afrobrasileiros, os símbolos também estão presentes e desempenham 
importantes funções. São chamados de Pontos Riscados 
(desenhados nos terreiros e templos) e, quando esboçados, traduzem o campo 
de atuação e a essência espiritual desejada, criando, segundo se acredita, a 
vibração correta para o desenvolvimento do trabalho com as entidades 
espirituais.

São alguns símbolos usados na Umbanda:
  
Cobra: símbolo de cura. 
Chave: símbolo de abertura de Caminhos fechados.
Sol: representa a força criadora da vida.




REFERÊNCIAS 


FONAPER.  Ensino Religioso – Capacitação para um novo milênio – O fenômeno 
religioso nas tradições religiosas de matriz indígena – Caderno 5, s/d. 
_________.  Ensino Religioso – Capacitação para um novo milênio – O fenômeno 
religioso nas tradições religiosas de matriz africana, Caderno 7, s/d. 
HELLERN, Victor; NOTAKER Henry; GAARDER Jostein. O livro das religiões. São 
Paulo: Companhia das letras, 2000. 
MARCHON, Benoit e KIEFFER, Jean-François. As religiões do mundo. São Paulo: 
Paulinas, 1995. 
MELATTI, Júlio Cezar. Índios do Brasil. São Paulo, HUCITEC, 1980. 
BESEN, José Artulino. Texto: O mundo religioso dos indígenas americanos
www.pime.org.br/missaojovem/mjregtradicind.htm - Acesso em 14 de setembro de 
2007.



91 comentários:

  1. Obrigada!!vc me ajudou em um trabalho!!

    ResponderExcluir
  2. AMEEEEEEEEEI, me ajudou dms para um portifolio

    ResponderExcluir
  3. que legal
    lindooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo
    muito bonito

    ResponderExcluir
  4. Muito bom o contéudo me ajudo bastante numa pesquisa... Obrigado

    ResponderExcluir
  5. bom...................

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. nao me ajudou eu precisava saber sobre os ensinamentos do povo

      Excluir
  6. muito bom mesmo........... vcs ajudaram as pessoas a se surprienderem na escola..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

    ResponderExcluir
  7. uhuuuuuuuuuuu muito bom mesmo

    ResponderExcluir
  8. k ra k s!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! mui interessant. waleu me ajudou muma peskisa

    ResponderExcluir
  9. adorei sobre os indios

    ResponderExcluir
  10. Eu gostei muito, aprender sobre a tradição indigena e muito legal,eu aprendi sobre a história que os indios contam para justificar seu nascimento.Que são netos do Mavutsinim.Muito legal...


    Nome:Antonio Henrique Azevedo Carneiro
    Escola:Dom Lustosa
    Turma:8º B
    Turno:Tarde
    Nº:06

    ResponderExcluir
  11. apesar de ser grande esse texto me ajudou

    ResponderExcluir
  12. muy bien chico.
    gracias !

    ResponderExcluir
  13. é massa a historia e tbm vai me ajuda no meu trabalho sobre os povos indigenas uhuuuuuuuu =D

    ResponderExcluir
  14. gostei aqui é colégio militar tiradentes

    ResponderExcluir
  15. Respostas
    1. Bah,adorei,me ajudo em uma peskisa.

      Excluir
  16. vai me ajuda muito pra fazer o meu trabalho mas eu tenho que fazer no minimo 64 linhas e ñ umas 500

    ResponderExcluir
  17. Valeu, senão não ia conseguir terminar meu tema NUNCA!!!!
    Valeu, Obrigado!!!

    ResponderExcluir
  18. muitooo bom, me ajudou muitíssimo, na peskisa de ens.religioso

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. idem adorei o ttexto!!!!!!!!!!!!!

      Excluir
  19. ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

    ResponderExcluir
  20. Gostei muito da abordagem que o senhor usa sobre o assunto das religiões indigenas.Todo lugar tem sua respectiva cultura seja ela qual for e todos temos que respeitar as crenças das outras pessoas.
    ADRIEL NUNES SENA 9°A MANHÃ CCR.N°01

    ResponderExcluir
  21. gostei de tudo até a musica de fundo!!
    kkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  22. gostei mto do site e as musicas de fundo são linda até xorei pensando na vida :(

    ResponderExcluir
  23. muito bom o site .. me ajudou bastante a entender as diferancas de cada religiao..

    ResponderExcluir
  24. amei. a musica do fundo me inspirou a fazer um trabalho maravilhoso sobre os indios. parabens

    ResponderExcluir
  25. gostaria que me passasse o nome da musica...

    ResponderExcluir
  26. gostei muito pois faço o mestrado de ciencias da religiao e, este artigo veio completar a minha pesquisa.

    ResponderExcluir

  27. FICO SATISFEITO COM O BOM APROVEITAMENTO QUE ESTE ASSUNTO SOBRE "RELIGIÃO INDÍGENA" TEM PROPORCIONADO A TODOS QUE UTILIZARAM PARA AS SUAS PESQUISAS. OBRIGADO. UM FORTE ABRAÇO
    Prof. Jonas Serafim.

    ResponderExcluir
  28. vc e muito burro ne sem nosao vai aprender fazer direito.......................burro.............burro

    ResponderExcluir
  29. muito bom vai me ajudar bastante.....
    e vo aprender maito mas;;;;

    ResponderExcluir
  30. n ajudou nada na minha pesquisa >:/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. não ajudou porque vc não leu tudo nee

      Excluir
  31. adordorei pro meu trabalho copiei 3 textos

    ResponderExcluir
  32. mt bom mesmo amei esse texto!!!
    mtttttttttt bommmmmmm!!!!!!!!!amei amei amei

    ResponderExcluir
  33. mmmmmmmmmmmmmmmmmmtttttttttttttttttttt bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbooooooooooooooooooooooommmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir
  34. é muito bom mas é muito graaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaande mas seria melhor ainda se fosse pequeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeno é tipo assim............__________________________________________________________________------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------____________________________________________________________________+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. tu edoida loquete

      Excluir
    2. voce esta com verme no celebro vagabunda

      Excluir
    3. tá doida é ta louca é ta chapada e ta doida pra sempre....++++++++++++++++++++++++++==================tu ta com caquinha de camarão néé ???????????????????????????????????????????????????????????????????????????/ doidona

      Excluir
    4. tu que esta doida vai caga na boca do professo aqui do laboratorio

      Excluir
    5. vamo vazer logo ese trabalho sua fili9a de um puuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa,,,,,,,.....;;;;vai caga vai

      Excluir
  35. larga de se chata velha e mi deiza brinca um bouco e vai fazer o teu trabalho e mi deixa inbas por faaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaavor

    ResponderExcluir
  36. hiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiorranaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

    ResponderExcluir
  37. oi amiga vamos para a sala de aula preciso falar com vc.

    ResponderExcluir
  38. o que e que tu que em?

    ResponderExcluir
  39. voces duas istao locas

    ResponderExcluir
  40. nãooooooooo e so a formiga pq ela tem um celebro piqueno

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. concordo...................

      Excluir
    2. com a hiorrana claro...................kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkmas é muitttttt engraçadooooooooooooooooooooooooo...

      Excluir
  41. quem mandou ela ser formiga

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Excluir
  42. eu nao tenho celebro piqueno se voce quiser saber

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. eu não quero saber.............. formigaaaaaaaaaaaaaa......................kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Excluir
  43. voces para de falar de mim por favor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. nãokkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Excluir
  44. bondo de falsas sao voces

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. so se for vc formiguinha kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Excluir
  45. quantas vezes eu tenho de dizer meu nome nao e formiga e wellen

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. vc deve ser uma idiota néh

      Excluir
  46. coitada da formiga ela não pedio para ter esse apelido não é,mas opior é que ela gosta que chamen ela assim,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

    ResponderExcluir
  47. Muito obrigado me ajudou bastante no meu trabalho de ensino religioso!!!!!!!Obrigadaaa!!

    ResponderExcluir
  48. Táá Doiido Mtt Texto . Eu Voo Coiaar Isso Tudoo Nãõ Fazeer Beem Poquiim Num Teem ><
    Evilyn akk

    ResponderExcluir
  49. noobbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb bando de gay não tem nada pra ajudar em trabalhos merda de site

    ResponderExcluir
  50. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  51. eu achei bastante interessante esse texto,o tema q eu mais gostei foi:
    a vida apos a morte
    assim,esse tema chamou minha atençao,sera que existe mesmo a vida apos a morte? wallace leite de sousa 9 ano manha n:30

    ResponderExcluir
  52. Nossa, valeu me ajudou em nadaaaaaaaaaaaaa !!!!
    nada faz sentido nessa pagina q horrorrrr
    munto melhor as outras paginas
    nao gostei nada ......

    ResponderExcluir
  53. oi, adorei bastante esse site, mais não era sobre isso a minha pesquisa, quero pedir para vc me falar sobre as "iniciaçoes que a sociedade oferece e quais delas podem ajudar ou impedir a realizações de um sonho".
    Essa é uuma trabalho de esino religioso' (:

    Desde já lhe agradeço. ABRAÇO!

    ResponderExcluir
  54. Não me ajudou muito pois não fala da tribo Bororo

    ResponderExcluir
  55. Não me ajudou eu precisava das imagens do simbolos da religião indigena

    ResponderExcluir
  56. eu gostei muito do texto "vida além morte", sim eu gostei.E a vida apos a morte e verdadeira,pois,fala-se que quem anda nos passos de deus e esta sempre em comunhao com ele entrega a sua vida a ele,nao morrera e sim tera a vida eterna, a salvaçao.Na terra se quem vive com jesus no coraçao.e lança todos os seus problemas a deus para ele resolver e confiar nele, terá uma vida de prosperidade na terra com sua vida familiar,espiritual,social.
    Marcos inacio cruz filho 9* A Manhã N*17

    ResponderExcluir
  57. eu amei pq me ajudou na pesquisa e nao so isso me fez me sentir melhor ate chorei porcausa da musica e ficou super legal esses brilhantes eu amei mesmo espero que o dono ou a dona veja meu comentario amei!!!

    ResponderExcluir
  58. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  59. Mto obrgd. me ajudou muito...

    ResponderExcluir
  60. ~valeu me ajudo muito no meu trabalho

    ResponderExcluir
  61. mds eu tive que copiar algumas boas coisas ...mas me ajudou bastantee !

    ResponderExcluir
  62. Cara, que post incrível! Sou um grande interessado nos mitos nativos do Brasil (indígenas) e descobri aqui coisas que eu desconhecia.

    Parabéns pelo ótimo site!

    ResponderExcluir
  63. AGRADEÇO PELOS COMENTÁRIOS DE LEITORES QUE FAZEM BOM PROVEITO DESTA PESQUISA... E LAMENTO PELA IGNORÂNCIA DE QUEM BANALIZA A PRÓPRIA INTELIGÊNCIA...
    Prof.Jonas Serafim

    ResponderExcluir