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quarta-feira, 17 de junho de 2015

CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II



CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II


O Concílio Vaticano II (CVII), XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, foi convocado no dia 25 de Dezembro de 1961, através da bula papal "Humanae salutis", pelo Papa João XXIII (1881-1963). Este mesmo Papa inaugurou-o, a ritmo extraordinário, no dia 11 de outubro de 1962. O Concílio, realizado em 4 sessões, só terminou no dia 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI (1897-1978).

Nestas quatro sessões, mais de 2 000 Prelados convocados de todo o planeta discutiram e regulamentaram vários temas da Igreja Católica. As suas decisões estão expressas nas 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio. Apesar da sua boa intenção em tentar actualizar a Igreja, os resultados deste Concílio, para alguns estudiosos, ainda não foram totalmente entendidos nos dias de hoje, enfrentando por isso vários problemas que perduram. Para muitos estudiosos, é esperado que os jovens teólogos dessa época, que participaram do Concílio, salvaguardem a sua natureza; depois de João XXIII, todos os Papas que o sucederam até Bento XVI, inclusive, participaram do Concílio ou como Padres conciliares (ou prelados) ou como consultores teológicos (ou peritos).

Antecedentes históricos

Da Revolução Francesa ao início do século XX, passando por todo o século XIX, a Igreja Católica foi sendo "perseguida, difamada, dessacralizada e desacreditada pelos “liberais", pelos comunistas e socialistas e pelos radicais ateus. A Igreja, por outro lado, vendo tudo isso acontecer, condenou por isso as novas correntes filosóficas agnósticas e subjectivistas, que estão associadas à heresia modernista. Esta heresia foi fortemente condenada pelos Papas Gregório XVI (1831-1846), Pio IX (1846-1878) e São Pio X (1903-1914). Esta atitude reaccionária foi também o espírito do Concílio Vaticano I (1869–70), que definiu o dogma da infalibilidade papal.

Concilio Vaticano I (1869 - 1870)
Rerum Novarum (1890 - papa Leão XIII)
Ação Católica (1922)
2ª Guerra Mundial (1939-1945)

Objetivos

O objetivo do Concílio é discutir a acção da Igreja nos tempos actuais, ou seja, a sua finalidade é "promover o incremento da católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo" e do mundo moderno. Por outras palavras, o Concílio pretende o aggiornamento (actualização e abertura) da Igreja.
O Papa João XXIII "imaginava o Concílio como um «novo Pentecostes» [...]; uma grande experiência espiritual que reconstituiria a Igreja Católica" não apenas como instituição, mas sim "como um movimento evangélico dinâmico [...]; e uma conversa aberta entre os bispos de todo o mundo sobre como renovar o Catolicismo como estilo de vida inevitável e vital".
Por esta razão, ao contrário dos concílios ecuménicos anteriores, preocupados mais em condenar heresias e em definir verdades de fé e de moral, o Concílio Vaticano II "teve como orientação fundamental a procura de um papel mais participativo para a católica na sociedade, com atenção para os problemas sociais e econômicos". Aliás, o próprio Papa João XXIII teve o cuidado de mencionar a diferença e a especificidade deste Concílio: "a Igreja sempre se opôs a [...] erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações".
Logo, o Concílio não visava condenar heresias nem proclamar nenhum dogma novo. O Concílio apenas queria dar uma nova orientação pastoral à Igreja e uma nova forma de apresentar e explicar os dogmas católicos ao mundo moderno, mas sempre fiel à Tradição. O próprio Papa João XXIII afirmou que "o que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz". Para satisfazer esta sua intenção, o Papa queria ardentemente que a Igreja mudasse de mentalidade, para poder melhor enfrentar e acompanhar as transformações do mundo moderno.

Pelas palavras da constituição Sacrosanctum Concilium, o "Concílio propõe-se fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições susceptíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja".

Resultados e respectivos documentos

Entre várias decisões conciliares, destacam-se as renovações na constituição e na pastoral da Igreja, que passou a ser mais alicerçada na igual dignidade de todos os fiéis e a ser mais virada e aberta para o mundo. Além disso, reformou-se também a Liturgia, onde a Missa de rito romano foi simplificada e passou a ser celebrada em língua vernacular.
Foi clarificada a relação entre a Revelação divina e a Tradição e foi também impulsionada a liberdade religiosa, uma nova abordagem ao mundo moderno, o ecumenismo, uma relação de tolerância com os não-cristãos e o apostolado dos leigos.
O Concílio Vaticano II não proclamou nenhum dogma, mas as suas orientações doutrinais, pastorais e práticas são de extrema importância para a Igreja actual.

Eclesiologia: Lumen Gentium (Luz dos povos)

 Igreja e Lumen Gentium

O Concílio Vaticano II, reflectindo sobre a constituição e a natureza da Igreja, reafirmou várias verdades eclesiológicas, sendo os seus juízos registados na constituição dogmática "Lumen Gentium". Este documento salientou que "a única Igreja de Cristo, como sociedade constituída e organizada no mundo, subsiste (subsistit in) na Igreja Católica".

Pastoral: Gaudium et spes (As alegrias e as esperanças)

 Pastoral e Gaudium et spes

Alguns temas eclesiológicos debatidos no "Lumen Gentium", tais como a missão de serviço ou o sacerdócio comum do Povo de Deus, são também tratados pela constituição pastoral "Gaudium et spes", que foi aprovada somente em 8 de dezembro de 1965, dia de encerramento do Concílio.


Igrejas Orientais Católicas

O decreto "Orientalium ecclesiarum", que foi aprovado no dia 21 de novembro de 1964, aborda a questão das Igrejas orientais católicas. Estas Igrejas particulares sui juris possuem características únicas e diferentes em relação à Igreja Latina (a Igreja sui juris predominante), nomeadamente ao nível histórico, cultural, teológico, litúrgico, hierárquico e de organização territorial.
Este documento afirma que, "na única Igreja de Cristo" (que subsiste na Igreja Católica), as Igrejas Latina e Orientais "…desfrutam de igual dignidade… nenhuma prevalece sobre a outra… são confiadas ao governo pastoral do Pontífice Romano". O decreto defende também que estas Igrejas orientais podem e devem salvaguardar, conservar e restaurar o seu rico património espiritual, nomeadamente ritual, através, como por exemplo, da celebração dos seus próprios ritos litúrgicos orientais e das suas práticas rituais antigas.
O documento salienta também o carácter autónomo das Igrejas orientais católicas, especificando os seus vários poderes e privilégios. Em particular, como por exemplo, afirma que os Patriarcas Orientais, "com os seus sínodos, constituem a instância suprema para todos os assuntos do Patriarcado, não excluído o direito de constituir novas eparquias e de nomear Bispos do seu rito dentro dos limites do território patriarcal, salvo o direito inalienável do Romano Pontífice de intervir em cada caso. O que foi dito dos Patriarcas vale também, de acordo com as normas do direito, para os Arcebispos maiores, que presidem a toda uma Igreja particular ou rito sui juris". Mas, é preciso também salientar o facto de nem todas as Igrejas orientais serem Patriarcados ou Arquidioceses maiores.

Revelação divina e Tradição 

 Tradição católica e Dei Verbum

A constituição dogmática "Dei Verbum", que foi aprovada no dia 18 de novembro de 1965, "aborda o tema da Revelação divina sob dois pontos de vista: a Revelação em si mesma e a sua transmissão". A relação entre estes dois pontos de vista, que geram alguma confusão entre os católicos, foi clarificada também por esta constituição.

Liturgia

A constituição "Sacrosanctum concilium" foi aprovado no dia 4 de dezembro de 1963, sendo por isso o primeiro documento resultante do trabalho conciliar. Esta constituição centra-se em torno da Liturgia, que é analisada pelos padres conciliares sob "uma tríplice dimensão teológica, eclesial e pastoral: a liturgia é obra da redenção em ato, celebração hierárquica e ao mesmo tempo comunitária, expressão de culto universal, que envolve toda a criação". Os padres conciliares descrevem ainda a Liturgia como "a primeira e necessária fonte onde os fiéis hão-de beber o espírito genuinamente cristão".

Liberdade e direitos humanos

A declaração "Dignitatis humanae" foi aprovada no dia 7 de dezembro de 1965 e, através dela, o Magistério da Igreja Católica mostrou grande "sensibilidade para com os problemas da liberdade e dos direitos do homem", nomeadamente da liberdade religiosa. O documento considera a liberdade religiosa como um "direito da pessoa e das comunidades à liberdade social e civil em matéria religiosa". Ele reconhece ainda que todos estes direitos humanos, incluindo o da liberdade, são inerentes à dignidade inalienável da pessoa humana. Após o , com a aplicação da liberdade religiosa, os países oficialmente católicos, pressionados pela Santa Sé, largaram essa posição, para apoiarem constitucionalmente a liberdade de cultos e de imprensa.

Relação com os não-cristãos e Ecumenismo 

 Ecumenismo

A declaração "Nostra aetate"(Nosso Tempo), aprovada no dia 28 de outubro de 1965, "analisou a atitude da Igreja Católica para com as religiões não-cristãs, sintetizada no pedido joanino: "Buscai primeiramente aquilo que une, antes de buscar o que divide"". Isto criou um espírito de maior tolerância e aproximação respeitosa às outras religiões não-cristãs e também à progressiva rejeição do anti-semitismo. Mas, isto nunca pretendeu negar a crença católica de que só por meio da Igreja Católica "se pode obter toda a plenitude dos meios de salvação". Mas, isto também não impede a Igreja de defender que todos (mesmo os não-cristãos) podem também ser salvos, desde que, sem culpa própria, ignoram a Palavra de Deus e a Igreja, mas que "procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade".
Este espírito de abertura a outras comunidades religiosas está também presente no decreto "Unitatis redintegratio" (Restauração da Unidade), que foi aprovado no dia 21 de novembro de 1964. Este documento é sobre o ecumenismo e "fundamenta-se em duas idéias : todo aquele que acredita em Cristo, mesmo que não pertença à Igreja Católica, encontra-se em algum tipo de comunhão" com a verdadeira Igreja de Cristo (que subsiste na Igreja Católica); e "não existe ecumenismo verdadeiro sem uma conversão interior que se aplica a todos, inclusive à Igreja Católica". Actualmente, a Igreja Católica ensina que os cristãos não-católicos são, apesar de um modo imperfeito, membros inseparáveis do Corpo Místico de Cristo (ou seja, da Igreja Católica), através do Baptismo. Eles dispõem também de muitos, mas não da totalidade, dos elementos de santificação e de verdade necessárias à salvação.

Missionação e comunicação social

O decreto "Ad gentes"("a todas a gentes"), que foi aprovado em 7 de dezembro de 1965, "reflete sobre a atividade missionária da Igreja, atitude inerente à sua natureza. A atividade missionária deve começar com o testemunho, continuar com a pregação e formar as comunidades valorizando as riquezas de cada cultura. Isto para, entre outras coisas, "ressaltar a afirmação de que a fé católica não se vincula diretamente a nenhuma expressão cultural em particular, mas deve adequar-se às diversas culturas dos povos aos quais a mensagem evangélica é transmitida."

Fonte: https://pt.wikipedia.org/?title=Conc%C3%ADlio_Vaticano_II



QUAIS AS PRINCIPAIS MUDANÇAS PROPORCIONADAS PELO VATICANO II?
Frei Betto – O Concílio Vaticano II (1962-1965) aboliu a missa em latim, a confissão auricular, o celebrante de costas para os fiéis, a ideia de que os judeus foram responsáveis pela morte de Jesus, e também de que só a Igreja Católica é via de salvação em Jesus Cristo. O Concílio introduziu o conceito de Igreja como “povo de Deus”, e não mais como “sociedade perfeita”, e estabeleceu diálogo com o mundo moderno, as ciências e as religiões não cristãs.
Muitas dessas conquistas entraram em retrocesso nos pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Este celebrou missa em latim, revalorizou a confissão auricular, voltou a afirmar que a Igreja Católica é o único meio de salvação em Jesus Cristo e não incrementou o diálogo inter-religioso.
Frente aos avanços do Concílio, há hoje um evidente retrocesso na Igreja Católica.                              



TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO
Teologia da Libertação é uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín (Colômbia, 1968), que parte de considerar que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres e de especificar que a teologia, para concretar essa opção, deve usar também as ciências humanas e sociais.
É considerada como um movimento supra-denominacional, apartidário e inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. Ela foi descrita, pelos seus proponentes como reinterpretação analítica e antropológica da fé cristã, em vista dos problemas sociais, mas, seus oponentes a descrevem como marxismorelativismo ematerialismo cristianizado.
A teologia da libertação está diretamente relacionada ao movimento ecumênico, que busca o retorno à união e comunhão de todas as religiões cristãs. Embora a mesma tenha se iniciado como um movimento dentro da Igreja Católica, na América Latina nos anos 1950-1960, o termo foi cunhado pelo padre peruano Gustavo Gutiérrez em 1971, sendo que mais de 40 anos depois se reconciliou com o Vaticano . Escreveu um dos livros mais famosos do movimento, A Teologia da Libertação. Outros expoentes são Leonardo Boff do BrasilJon Sobrino de El Salvador, e Juan Luis Segundo do Uruguai. A teologia da libertação desde os anos 90 sofreu um forte declínio, principalmente devido ao envelhecimento de suas lideranças, e a falta de participação das recentes gerações nesse movimento.


CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO
Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) é um organismo da Igreja Católica fundado em 1955 pelo Papa Pio XII a pedido dos bispos da América Latina e do Caribe.
O CELAM presta serviços de contacto, comunhão, formação, pesquisa e reflexão às 22 conferências episcopais que se situam desde o México até o Cabo de Hornos, incluindo o Caribe e as Antilhas.
Seus dirigentes são eleitos a cada quatro anos por uma assembléia ordinária que reúne os presidentes das conferências episcopais da América Latina e do Caribe.
A sede do CELAM está localizada na cidade de Santa Fé de Bogotá, na Colômbia.




«Os Concílios da Igreja»


AnoConcílioAssunto Principal

Concílios da Igreja Indivisa

50C. de JerusalémAs leis judaicas e os cristãos}
3251º C. de NiceiaContra o arianismo. Credo
3811º ConstantinoplaFinalização do Credo
432C. de ÉfesoContra o nestorianismo
451C. de CalcedóniaContra o monofisitismo princípio da união hipostática
5532º ConstantinoplaContra os nestorianos
6813º ConstantinoplaContra o monotelitismo
7672º C. de NiceiaLegaliza veneração de imagens
867 e 1064:Cismas entre as Igrejas Romana e Ortodoxas

Concílios da Igreja Romana

8694º ConstantinoplaA paz entre o Ocidente e o Oriente
11231º de LatrãoDisciplina. contra os Valdenses e Albigenses.
11392º de LatrãoIdem
11793º de LatrãoIdem
12154º de LatrãoIdem
12451º de Lião
12742º de Lião
1311C. de Viena
1414C. de ConstânciaFim da rivalidade entre os papas
1431Basileia-Ferrara- Florença-LausanaReforma e união com as igrejas orientais
15125º de Latrão

A partir de 1517: Reforma e surgimento das Igrejas Protestantes

1545Concílio de TrentoContra- Reforma
18701º Concílio VaticanoDoutrina da infalibilidade papal
19622º Concílio VaticanoAggiornamento da Igreja


 

PASTORAL BÍBLICA E ANIMAÇÃO BÍBLICA NO BRASIL


Ir. Maria Aparecida Barboza, ICM


Introdução

Vós sois as testemunhas destas coisas” (Lc 24, 48)

Ao refletir sobre o tema a “Pastoral Bíblica e Animação Bíblica no Brasil”, faz-se necessário recordar que a centralidade da Palavra de Deus tem impulsionado a vida e a ação evangelizadora de nossa Igreja. A redescoberta da Bíblia e o seu uso constante por todas as Igrejas Cristãs no Brasil, tem sido um marco significativo no crescimento da experiência da fé das comunidades espalhadas pelo nosso País. De fato, se constata que a Bíblia foi e continua sendo reconhecida e amada pelo povo como Palavra de Deus, alimento para a mística, “lâmpada para os pés e luz para o caminho” (cf. Sl 119, 105). E, como afirma Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino, a Bíblia, desde sempre, fez parte da caminhada do povo. “É nela que penduramos todo o nosso trabalho. É nesta raiz antiga que se enxerta todo o trabalho com a Bíblia junto ao povo. Sem esta fé, todo o método teria de ser diferente”. “Não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz sustenta a ti” (Rm 11,18).
Na verdade, a Palavra de Deus na Bíblia foi conquistando espaço e recuperando sua condição de valor fundamental na vida e na missão da Igreja com o advento do Concílio Vaticano II, que conclamou todos os pastores a um efetivo compromisso com a difusão da Bíblia quando diz que “o acesso às Sagradas Escrituras seja aberto amplamente aos fiéis”.
O percurso da história nos tem mostrado que a Bíblia, aos poucos foi entrando na vida do povo pela porta da experiência pessoal e comunitária. O contato com a Palavra está para além de qualquer doutrina escrita. Daí a importância de recordar o que o Papa João Paulo II, em sua visita pastoral ao Brasil, enfatizou o caráter da mensagem como algo que marca profundamente a vida de fé do povo. Assim ele se expressou: “Quem diz mensagem diz algo mais que doutrina. Quantas doutrinas de fato jamais chegaram a ser mensagem. A mensagem não se limita a propor ideias: ela exige uma resposta, pois é interpelação entre as pessoas, entre aquele que propõe e aquele que responde. A mensagem é vida”. Assim acontece a redescoberta do povo de que a Bíblia se faz presente em sua vida e caminhada não simplesmente como um livro que lhe transmite uma doutrina, mas como uma Boa Notícia reveladora da mensagem que permanece.


  1. Podemos assim afirmar que o vivo impulso dado ao incentivo para o uso da Bíblia, encontra  sua plena confirmação no Concílio Vaticano II. O mesmo Concílio declarou que o objeto primário do trabalho pastoral da Igreja é a integração das Sagradas Escrituras na vida diária dos cristãos, e confiou ao episcopado a responsabilidade de realizar esta tarefa.

  1. A Constituição Dogmática Dei Verbum, impulsionou grandes avanços, tanto no âmbito da exegese como no uso pastoral, catequético e litúrgico das Sagradas Escrituras. Podemos elencar alguns destes avanços, como:
    1. A aceitação do método histórico-crítico e o estudo dos gêneros literários, para conhecer melhor a mensagem da Sagrada Escritura. (cf. DV 12);
    2. A valorização da "Palavra de Deus na Celebração Eucarística". A valorização das duas mesas: A Mesa da Palavra e a Mesa do Pão. As duas são inseparáveis (cf.DV. 21);
    3. A promoção da unidade entre os cristãos separados. A Sagrada Escritura deve ser o fundamento da mensagem cristã e deve facilitar a aproximação entre os discípulos de Jesus (cf. DV 22);
    4. A descoberta das Sagradas Escrituras pelo povo. A Bíblia precisa ser amplamente divulgada no meio dos fiéis, através de uma linguagem acessível e correta. Notas explicativas ajudam a compreender trechos difíceis (cf. DV 22);
    5. A primazia dos Livros Sagrados. Os textos bíblicos devem estar presentes em todas as atividades pastorais da Igreja: a pregação, a catequese, as celebrações, a teologia. A Sagrada Escritura é a alma de tudo (cf. DV 24);
    6. A importância da Sagrada Escritura para a Teologia, a Catequese e as Homilias (DV, 24 e 25);
    7. O reconhecimento de uma profunda unidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Os dois se iluminam mutuamente e são inseparáveis (cf. DV 16);
    8. A Leitura Orante da Sagrada Escritura. “Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada pela oração, a fim de que se estabeleça o colóquio entre Deus e o homem” (DV 25).

  1. Hoje encontramos Bíblias para estudos, Bíblias de cunho mais pastoral, Bíblias para o uso Litúrgico-Catequético, etc. Dentre estas ofertas, podemos destacar algumas que se tornaram marcos na caminhada bíblica aqui no Brasil”.
    1.  
      1. A Bíblia da Ave Maria. Traduzida do francês por frei João José Pedreira de Castro e publicada pela Editora Ave Maria. A tradução foi feita baseada na Bíblia dos Monges de Maredsous, na Bélgica.
      2. A Bíblia Vulgata. Traduzida do latim pelo Pe. Matos Soares e editada em vários formatos pelas Edições Paulinas. Nestes vários formatos vendeu mais de um milhão e meio de exemplares nos anos 80.
      3. A Bíblia de Jerusalém. Editada pela Paulus desde 1981, é uma tradução baseada na Edição de “La Sainte Bible”, edição de 1973, sob a responsabilidade da “Ecole Biblique de Jérusalem”, um dos mais importantes centros católicos de estudos bíblicos. As introduções, as notas de rodapé, as concordâncias e os vários apêndices, fazem desta Bíblia um dos mais importantes instrumentos de estudo aqui em nosso país.
      4. A Bíblia da Editora Vozes. Publicada a partir de 1982. Foi traduzida diretamente dos textos originais hebraicos e gregos. O Novo Testamento tinha sido lançado ainda nos anos 50. Foi a primeira Bíblia a trazer as listas de leituras bíblicas para o ano litúrgico. Traz também um amplo Vocabulário de termos bíblicos.
      5. A Bíblia Pastoral, da Editora Paulus. Traduzida diretamente dos originais, numa linguagem simples e acessível, com introduções e notas que ajudam na interpretação do texto a partir da opção preferencial pelos pobres, acentuada nas Conferências de Medellin e Puebla.
      6. A Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB). Traduzida e publicada pelas Edições Loyola, baseada na Traduction Oecuménique de la Bible, de 1976. É um importante instrumento de estudos, com notas e introduções feitas por católicos, protestantes e judeus.
      7. A Bíblia – Edição da CNBB. A Assembléia Nacional da CNBB decidiu oferecer ao povo de Deus uma edição própria dos textos sagrados. Hoje esta Bíblia já está na sua 6ª edição, com Tradução exegética revisada a partir da contribuição dos liturgistas e catequetas, com o objetivo de auxiliar os agentes de pastoral na liturgia e na catequese.
      8. A Bíblia do Peregrino. Tradução da Editora Paulus, 2002.
      9. Bíblia Traduzida por João Ferreira de Almeida, Revista, Corrigida e Atualizada
Leitura da Bíblia nas Comunidades Eclesiais de Base
A luz do Concílio Vaticano II e, sobretudo da Dei Verbum, uma experiência bonita floresceu na Igreja do Brasil que é as Comunidades Eclesiais de Base, descobriram que na vida do povo, Bíblia e comunidade caminham juntas. 


     O CENTRO DE ESTUDOS BÍBLICOS (CEBI). Desde do ano 1970, o Centro de Estudos Bíblicos vem se dedicando ao Serviço da Formação Bíblica, com ênfase à questão ecumênica, a Leitura popular da Bíblia e a Leitura Orante da Bíblia. O CEBI possui núcleos em quase todos os regionais da CNBB e conta com uma Escola Bíblica em nível de Mestrado e Doutorado, em São Leopoldo, RS.

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