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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

GIORDANO BRUNO




Giordano Bruno

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Giordano Bruno
 (NolaReino de Nápoles15482 — RomaCampo de Fiori17 de fevereiro de 1600) foi um teólogofilósofo, escritor e fradedominicano italiano [carece de fontes] condenado à morte na fogueira pela Inquisição romana (Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício) por heresia.1 É também referido como Bruno de Nola ou Nolano.3

Notas biográficas[editar]



Giordano Bruno

Nascimento1548
Nola 1
Morte17 de fevereiro de 1600 (52 anos)
Roma
Influências
Influenciados
Principais interessesFilosofia e Cosmologia


Origem e formação[editar]

Filho do militar Giovanni Bruno e Fraulissa Savolino,4 seu nome de batismo era Filippo Bruno.2 Adotou o nome de Giordano quando ingressou na Ordem Dominicana, aos 15 anos de idade.2
No seminário, estudou Aristóteles e Tomás de Aquino, predominantes na doutrina Católica da época, doutorando-se em Teologia.
Suas ideias avançadas, porém, suscitaram suspeitas por parte da hierarquia da Igreja. Em 1576 foi acusado de heresia e levado a Roma para ser julgado. Poucos meses depois, abandonou o hábito2 e em 1579 deixou a Itália.5
Iniciou-se, então, o período de peregrinação de sua vida. Em Gênova, ainda em 1579, aparentemente, adotou o Calvinismo, o que negaria mais tarde, ao ser julgado em Veneza.2 Acabou sendo excomungado pelos calvinistas e expulso de Gênova.2 Viajou sucessivamente para França (Toulouse, Paris2 ), Suíça e Inglaterra.5 Em Londres, onde permaneceu de 1583 a 1585, esteve sob a proteção do embaixador francês, e frequentou o círculo de amigos do poeta inglês Sir Philip Sidney. Em 1585, Bruno retornou a Paris, indo em seguida para Marburg, Wittenberg, Praga, Helmstedt e Frankfurt, onde conseguiu publicar vários de seus escritos.

Prisão, julgamento e execução[editar]



O Julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição Romana. Relevo em bronze por Ettore FerrariCampo de' FioriRoma.


O Julgamento de Giordano Bruno pela Inquisição Romana. Relevo em bronze por Ettore Ferrari, Campo de' Fiori, Roma.
Em Roma, o julgamento de Bruno durou sete anos durante os quais ele foi preso, por último, na Torre de Nona. Alguns documentos importantes sobre o julgamento estão perdidos, mas outros foram preservados e entre eles um resumo do processo, que foi redescoberto em 1940.6 As numerosas acusações contra Bruno, com base em alguns de seus livros, bem como em relatos de testemunhas, incluíam blasfêmia, conduta imoral e heresia em matéria de teologia dogmática e envolvia algumas das doutrinas básicas da sua filosofia e cosmologia. Luigi Firpo lista estas acusações feitas contra Bruno pela Inquisição Romana:7
sustentar opiniões contrárias à fé católica e falar contra ela a seus ministros;
sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação;
sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo;
sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus;
sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa;
reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades;
acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos, e;
envolvimento com magia e adivinhação.
Giovanni Mocenigo (1558-1623), membro de um das mais ilustres famílias venezianas, encontrou Bruno em Frankfurt em 1590 e convidou-o para ir a Veneza, a pretexto de lhe ensinar mnemotécnica, a arte de desenvolver a memória, em que Bruno era perito. Segundo Will Durant 8 Bruno estava havia muitos anos na lista dos procurados pela Inquisição, ansiosa por prendê-lo por suas doutrinas subversivas, mas Veneza gozava da fama de proteger tais foragidos, e o filósofo sentiu-se encorajado a cruzar os Alpes e regressar. Como Mocenigo quisesse usar as artes da memória com fins comerciais, segundo alguns, ou esperasse obter de Bruno ensinamentos de ocultismo para aumentar seu poder, prejudicar seus concorrentes e inimigos, segundo outros, Bruno se negou a ensiná-lo.9 Segundo Durant, Mocenigo, católico piedoso, assustava-se com "as heresias que o loquaz e incauto filósofo lhe expunha", e perguntou a seu confessor se devia denunciar Bruno à Inquisição. O sacerdote recomendou-lhe esperar e reunir provas, no que Mocenigo assentiu; mas quando Bruno anunciou seu desejo de regressar a Frankfurt, o nobre denunciou-o ao Santo Ofício. Mocenigo trancou-o num quarto e chamou os agentes da Inquisição para levarem-no preso, acusado de heresia. Bruno foi trasferido para o cárcere do Santo Ofício de San Domenico de Castello, no dia 23 de maio de 1592.10
No último interrogatório pela Inquisição do Santo Ofício, não abjurou e, no dia 8 de fevereiro de 1600, foi condenado à morte na fogueira. Obrigado a ouvir a sentença ajoelhado, Giordano Bruno teria respondido com um desafio: Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam ("Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu ao ouvi-la").11
A execução de sua sentença ocorreu no dia 17 de fevereiro de 1600. Na ocasião teve a voz calada por um objeto de madeira posto em sua boca.12

Ideário[editar]





Ao contrário do que se pensa comumente, Giordano Bruno não foi queimado na fogueira por defender o heliocentrismo de Copérnico.[carece de fontes]
Um dos pontos chaves de sua cosmologia é a tese do universo infinito e povoado por uma infinidade de estrelas, como o Sol, e por outros planetas, nos quais, assim como na Terra, existiria vida inteligente.13 Sua perspectiva se define a partir das idéias de Nicolau da Cusa, Copérnico e Giovanni Battista della Porta.
As suas ideias sobre a relatividade anteciparam as de Galileu14 15 : num universo infinito, qualquer perspectiva de qualquer objeto é sempre relativa à posição do observador, há infinitos referenciais possíveis e não existe nenhum privilegiado em relação aos demais.16 Além de defender a existência de planetas extrassolares,16 pode ter introduzido algumas idéias do que seria depois a Teoria da Evolução de Darwin13
Seu livro Spaccio de la Bestia Trionfante era um ataque à religião e mostrava o ateísmo do seu autor.1
Segundo John Gribbin, em seu livro Science: A History (1543-2001), Bruno filiou-se ao hermetismo, baseado em escrituras egípcias, da época de Moisés. Entre outras referências, esse movimento utilizava os ensinamentos atribuídos ao deus egípcio Thoth, cujo equivalente grego era Hermes (daí hermetismo), conhecido pelos seguidores como Hermes Trimegistus. Bruno teria abraçado a teoria de Copérnico porque ela se encaixava bem na idéia egípcia de um universo centrado no sol.
Deus seria a força criadora perfeita que forma o mundo e que seria imanente a ele. Bruno defendia a crença nos poderes humanos extraordinários, e enfrentou abertamente a Igreja Católica e seus preceitos.3

Filosofia[editar]



Monumento erguido em 1889 por círculosmaçônicos italianos, no local onde Giordano Bruno foi executado. Campo de FioriRoma, Itália. Bronze por Ettore Ferrari.


Monumento erguido em 1889 por círculos maçônicos italianos, no local onde Giordano Bruno foi executado. Campo de Fiori, Roma, Itália. Bronze por Ettore Ferrari.
Giordano Bruno foi o grande defensor da ideia de infinito.17
"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite." (Giordano Bruno, Acerca do Infinito, o Universo e os Mundos, 1584).
Bruno era hilozoísta (pensava que tudo tem vida) e panpsiquista (pensava que tudo tem uma natureza psíquica, uma alma).
"A Terra e os astros (...), como eles dispensam vida e alimento às coisas, restituindo toda matéria que emprestam, são eles próprios dotados de vida, em uma medida bem maior ainda; e sendo vivos, é de maneira voluntária, ordenada e natural, segundo um princípio intrínseco, que eles se movem em direção às coisas e aos espaços que lhes convêm" (A ceia de cinzas).
"Todas as formas de coisas naturais têm almas? Todas as coisas são animadas? pergunta Dicson.18 Theophilo, porta-voz de Bruno, responde: Sim, uma coisa, por minúscula que seja, encerra em si uma parte de substância espiritual, a qual, se encontra o sujeito [suporte] adequado, torna-se planta, animal (...); porque o espírito se encontra em todas as coisas, e não há mínimo corpúsculo que não o contenha em certa medida e que não seja por ele animado." (Causa, Princípio e Unidade, 1584).
"E o que se pode dizer de cada parcela do grande Todo, átomo, mônada, pode se dizer do universo como totalidade. O mundo abriga em seu coração a Alma do mundo" (idem).
"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus , ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?" (idem)
"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos." (A ceia de cinzas).


Obras[editar]

De umbris idearum, 1582
Cantus Circaeus, 1582
De compendiosa architectura, 1582
Il Candelaio, 1582
Ars reminiscendi, 1583
Explicatio triginta sigillorum, 1583
Sigillus sigillorum, 1583
Le ombre delle idee, 1582
La cena de le ceneri, 1583
De l’infinito universo e mondi, 1584
De la causa, principio e uno, 1584
Spaccio de la Bestia Trionfante, 1584 1 Nota 1
Cabala del Cavallo Pegaseo, 1585
Gli eroici furori, 1585
Figuratio Aristotelici Physici auditus, 1585
Dialogi duo de Fabricii Mordentis Salernitani, 1586
Idiota triumphans, 1586
De somni interpretatione, 1586
Animadversiones circa lampadem lullianam, 1586
Lampas triginta statuarum, 1586
Centum et viginti articuli de natura et mundo adversus peripateticos, 1586
Delampade combinatoria Lulliana, 1587
De progressu et lampade venatoria logicorum, 1587
Oratio valedictoria, 1588
Camoeracensis Acrotismus, 1588
De specierum scrutinio, 1588
Articuli centum et sexaginta adversus huius tempestatismathematicos atque Philosophos, 1588
Oratio consolatoria, 1589
De magia, 1591
De vinculis in genere, 1591
De triplici minimo et mensura, 1591
De monade numero et figura, 1591
De innumerabilibus, immenso, et infigurabili, 1591
De imaginum, signorum et idearum compositione, 1591
Summa terminorum metaphisicorum, 1595
Artificium perorandi, 1612


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