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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FENÔMENO RELIGIOSO



  

O fenômeno religioso


  Francisco de Souza Brasil
   A Religião se caracteriza por uma concepção de universo na qual se nega que o mundo
 dos sentidos seja suficiente e adequado, reconhecendo uma realidade transcendente.
   No campo do estudo da Religião como expressão psicossocial temos três disciplinas

 diferentes: a hierografia (que trata da história das religiões), a hierologia (que trata da
 psicologia das religiões) e a hierosofia (que trata da filosofia das religiões). As duas
 primeiras podem ser estudadas amigavelmente por pessoas de convicções diversas
. A última, entretanto, não pode, por causa dos juízos de valor sobre o que seja verdadeiro
 ou não.
   O principal atributo do sobrenatural é o Poder, seguido de perto pelo Maravilhoso.

 O sobrenatural pode ser relacionado a objetos ou a fenômenos. Ou assumir formas 
antropomórficas ou até antropozoomórficas, como no politeísmo. Finalmente, o


 sobrenatural pode ser relacionado em sua forma mais sublime, na crença de um
 Deus único, criador do mundo e, portanto, pré-existente a ele.
    
  Religião e magia


   Em qualquer religião o elemento mágico (simbólico) está presente. O símbolo é uma
 evocação de algo que ele passa a representar. O que diferencia o símbolo religioso do
 símbolo laico é o elemento mágico, que simboliza o sobrenatural. Não se deve confundir
 religião com magia, pois a religião é uma expressão sublime do gênero humano, enquanto
 a magia é uma forma mais simplória, ou até grotesca, do relacionamento do homem com
o sobrenatural.
   Paradoxalmente, o elemento mágico se apresenta até em posturas ateístas: Augusto
 Comte, ao anunciar aos homens o Estado Positivo, que se sucederia ao Estado Metafísico,
 terminou por criar uma religião sem Deus, a Humanidade. Ela teria um símbolo
 antropomórfico, o da sua esposa, Clotilde de Vaux.
   Na simbologia, a distinção entre o laico e o religioso às vezes se situa numa zona

 nebulosa. O símbolo laico pode despertar emoções coletivas mais parecidas com a de
 um símbolo religioso. Isso pode se dever a um nacionalismo exacerbado, que leve ao culto
 de um símbolo, como a cruz suástica. Ou também, a uma religiosidade subjacente de um
 grupo social tornado laico à força, como o povo russo e seu relacionamento com o cadáver
 de Lênin durante o regime soviético.
   A magia se distingue da religião porque nela o homem julga poder conduzir o sobrenatural

. Se o mundo natural está sujeito a leis imutáveis, o sobrenatural poderia ser coagido a
dobrar-se à vontade humana por práticas ritualísticas. A magia se situa entre a religião e a
 ciência, mas é independente de ambas. Religião e magia operam no sobrenatural e como
 na ciência, que, entretanto, opera no campo natural, a magia sistematiza causas e efeitos,
 porém de natureza subjetiva, e não objetiva como na ciência. Enquanto a realidade científica
 é comprovada, as conexões mágicas são ficções de conteúdo emocional, de resultados
 inverificáveis, ou atribuíveis a efeitos psicossomáticos ou coincidências. Em relação ao
 sobrenatural, a religião o conceitua, a magia o domina e a ciência não o repele, até porque
 esta última nasceu da magia.

      O conteúdo da religião


   A religião tem elementos intelectivos, afetivos e ativos.
   Os elementos intelectivos representam a crença, que conduz ao dogma. Os afetivos

 englobam os estados emocionais. Os elementos ativos conduzem ao culto e ao ritual.
 Em outras palavras: a crença é o que se crê; a emoção é por quê se crê; o ritual, como
 se crê.
   A crença corresponde a uma expectativa. No caso da Religião, a crença é a convicção

 da realidade de algo, baseada em motivos julgados subjetivamente como suficientes.
 Se acrescentarmos à crença intelectiva um elemento de confiança, teremos a fé.
   O dogma é a cristalização da fé em doutrina, num ensinamento definido e imposto pela

 autoridade religiosa. Por isso, o dogma é incontestável e indiscutível. Substitui a certeza
 objetiva da prova pela certeza subjetiva da fé.
   Os elementos afetivos são respostas culturais destinadas a liberar o homem do temor de

 um mundo que lhe pode ser adverso. Reconfortado pela fé, com sua moral elevada, o homem
 pode agir em condições mais favoráveis.
   O misticismo representa a culminação da experiência religiosa, pois corresponde à

 identificação mais próxima possível do crente com o seu Deus. Uma das suas características
 fundamentais é de não ser um fenômeno provocado voluntariamente pelo indivíduo. Ele é
 imposto, acarretando uma alteração involuntária da consciência.
   Para que o iluminado atinja a identificação com o inefável não basta a experiência religiosa,

 já que os elementos intelectivos (crença, fé e dogma) terão que interagir. Essa interação
também está presente, tanto na magia, em formas grosseiras de fetichismo, como em São
 João da Cruz e em Santa Tereza de Ávila.
   Os elementos ativos se exteriorizam na experiência de algo, sem querer reproduzi-lo ou

repeti-lo. Mas o dogma pode afirmar a repetição: a Transubstanciação não é uma evocação
 da Santa Ceia, mas é a própria Santa Ceia que se repete a cada celebração da Missa.

      Simbologia


   A simbologia é um elemento ativo, uma condensação de energia maior do que a aparente
 trivialidade da sua forma. Ela ocorre no mundo religioso diante da imagem do Jesus
 crucificado como no mundo laico, ao observarmos a bandeira ou o Hino Nacional.
   O ritual como simbologia também não é exclusivamente religioso. Existe nos atos

 jurídicos solenes, como o casamento civil. Alguns rituais são simultaneamente religiosos
 e laicos, como a coroação do Papa ou do Rei da Inglaterra. Mais do que chefes de estado,
 eles são chefes religiosos, e dotados de poderes temporais e espirituais.
   Dada a carga emocional ou afetiva, é no campo da religião que os elementos ativos atingem

 sua expressão máxima. O mundo sobrenatural, invisível e poderoso, exige do crente uma
 atitude de respeito que se manifesta no ritual, carregado de emoção.
   Nas crises, a religião é um meio social de ajustamento, e seus rituais são a sua técnica.
   O fenômeno religioso é uma das forças sociais mais conservadoras, sustentando-se

 firmemente na tradição, sendo raras as transformações religiosas. Quando elas se operam,
 ocorrem geralmente nos elementos ativos, incorporando rituais de outras religiões.
Raramente ocorrem nos elementos afetivos, mas, quando acontecem, é por influência
 da adoção de elementos ativos, como nas evangelizações.
   No caso dos elementos intelectivos, as transformações religiosas são consideradas

heresias. Elas são revolucionárias, representando uma ruptura súbita com o passado.
 A desaparição das religiões é mais completa do que a de outros fenômenos não
 religiosos. Ninguém mais cultua os deuses gregos e romanos, mas o Direito Público
 e o Direito Privado ainda se inspiram no que Grécia e Roma produziram.
   O inconformismo artístico é punido menos severamente que o religioso, já que a

 arte evolui de formas múltiplas, mas pouco bruscas, havendo evolução gradual nos
 estilos. No máximo, há o sofrimento individual de artistas, como Beethoven e Van Gogh.
 Mas, isso não gera guerras ou genocídios.
   Há explicações teístas e ateístas para o fenômeno religioso:
   Para a psicanálise, o elemento erótico estaria na origem do sentimento religioso. Para

 a psicologia, o estado de religiosidade teria natureza emocional, decorrente de causas
 fisiológicas. Para a sociologia, a religião pode ser entendida como um sistema de crenças
 transmitidas pelo grupo por representações coletivas.
   A tese teísta se fixa na Causa primeira, a Causa das causas. Não se limita às relações,

campo das teses ateístas e cientificistas, mas recua a um Princípio incriado, criador de
 tudo e de todos.
   Ciência e fé não são opostas, mesmo que a História tenha registrado antagonismos

 exteriorizados até com violência. Cada uma delas age num plano, e a comparação entre
 realidades tão diferentes não faz sentido. Fé não é fanatismo, que se traduz na perversão
 da fé, fruto talvez da limitação humana que nos foi imposta pelo pecado original. É preciso
 considerar também que o fanatismo não é uma atitude exclusiva nos que crêem no
 sobrenatural.



4 comentários:

  1. ccr 8ºa manha Pamela Xavier nº23 Leticia Oliveira nº20 Samiris marques de lima nº30
    ela é interessante pois mostra a imporatancia da religiao em nossa vida e mostra a importancia do trascendente em nossas vidas ou seja Deus..

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  2. ccr 8° A manha Madson Matheuz n°22

    Explica que a religião em nossa vida e muito importante,e que o sobre natural só pode ser realizado por DEUS

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. ccr 8ºa manhã
    nome:robson glailton nº31
    A Religião se caracteriza por uma concepção de universo na qual se nega que o mundo
    dos sentidos seja suficiente e adequado, reconhecendo uma realidade transcendente.
    No campo do estudo da Religião como expressão psicossocial temos três disciplinas
    diferentes: a hierografia (que trata da história das religiões), a hierologia (que trata da
    psicologia das religiões) e a hierosofia (que trata da filosofia das religiões). As duas
    primeiras podem ser estudadas amigavelmente por pessoas de convicções diversas
    . A última, entretanto, não pode, por causa dos juízos de valor sobre o que seja verdadeiro
    ou não.

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