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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A CRIAÇÃO DO MUNDO NA VISÃO INDÍGENA

Grupo de estudos Pindorama

A Sabedoria dos Mitos

Susanne Rotermund



“... Entre a época pré-religiosa e a época da verdadeira consciência religiosa houve, no entanto, um estado intermediário. É deste que se originam todas as mitologias, as sagas e as histórias dos mundos espirituais dos diversos povos. É uma idéia abstrata, que nada intui dos verdadeiros processos espirituais, aquela que qualifica como pura invenção da fantasia popular todas as figuras da mitologia... Não, não se trata de fantasias poéticas dos povos...” (STEINER R., 2003, p.24)

Introdução

Rudolf Steiner ressalta no texto acima citado a importância do mito, afirmando que não se trata de meras fantasias, ou seja, eles contêm verdades ligadas aos mais profundos mistérios e aspectos da humanidade. A seguir, citamos três mitos da tradição Tupi-Guarani, ligados àquela cosmovisão, contados por Kaká Werá Jacupé em encontros diversos. Em tais mitos pudemos depreender alguns paralelos na cosmovisão antroposófica, os quais estão descritos logo após a apresentação dos referidos mitos.

a) A Criação (1)

“Tupã cria a Mãe Terra e desenha nela as formas futuras: montanhas, lagos, rios. Agora, precisa de alguém para continuar o trabalho de criação. Ele cuidou das grandes coisas: criou o primeiro ser humano, Tupi-mirim, que significa “pequeno criador”. 

“Esse primeiro ser humano não consegue habitar o mundo físico. Ele retorna a Tupã e diz que não consegue. E ele não consegue porque ele é etéreo, alado, luminoso, semelhante a um pássaro. Então, ele pergunta a Tupã: ‘Como faço para habitar esse mundo?’”

“Tupã responde: ‘procure nas quatro direções. Em cada direção você vai encontrar um mestre, que irá ensiná-lo como habitar esse mundo físico’.”

“Tupã-mirim retorna à Terra e saindo do Nascente vai ao Poente. Lá ele encontra uma pedra, e diz para ela: ‘pedra você pode me ensinar a viver aqui na terra?’ E ela diz: ‘claro que posso. Entra em mim, que você vai aprender’. Ele entra na rocha e medita na terra, pois a rocha faz meditação. Ele experimenta o corpo físico da rocha e diz: ‘ah então é isso que é viver na terra!’ E aí a rocha diz: ‘muito bem, você já aprendeu, agora pode sair’.”

“Depois ele vai em direção ao Sul, onde encontra uma palmeira (a palmeira é muito significativa na tradição). E aí ele fala para a palmeira: ‘como é que eu faço para habitar essa terra?’. Ela fala: ‘entra em mim que você vai aprender’. Ele entra e se torna à palmeira, se enraíza na terra. Então ele fala: ‘Ah isso é que é viver na terra?’ E depois a palmeira responde: pronto, você já aprendeu, agora busque outros mestres.”

“Aí, ele vai ao Norte, ao oposto, onde uma onça, que ele nunca tinha visto. Ele fala para ela: ‘você pode me ensinar a viver nessa terra?’ Ela diz: ‘claro, entre em mim’. E aí ele se torna uma onça. Pela primeira vez ele caminha pela terra, sente o cheiro, vê, corre. Então ele fala: ‘ah, então é isso!’ E a onça diz: ‘ pronto, você já aprendeu. Pode sair, siga seu caminho’.”

“Então , ele sai da onça e vai em direção a uma montanha, no Leste, e olha no alto da montanha vê uma gruta. Ele sobe. Daquela gruta sai uma luz de dentro dela. Ele entra na gruta e vê que aquela luz que ele via sai de uma serpente prateada. Uma serpente que não causava medo, mas serenidade. Ele fala: ‘você pode me ensinar a viver aqui na Terra’ Ela diz: ‘claro, eu sou o espírito da Terra.’ ‘Como faço par viver aqui’? A serpente vai caminhando em círculos, acumulando do chão um barro, e vai formando duas pernas, quadris, tronco, braços, um molde, que é o do primeiro ser humano. A mãe terra diz: ‘entra aqui que você vai aprender a viver na terra’. Ele encaixa naquele molde. E aí a mãe terra coloca dois cristais que são os olhos e aí fala: Vai lá fora que você verá o que é a terra. Quando ele sai, olha do alto da montanha e acha tudo maravilhoso, porque ele ainda não tinha visto a terra com olhos cristalinos. Tinha visto com olhos de onça, que é diferente. ‘Nossa, muito interessante’. E sente os pés na terra.”

“A mãe terra diz: ‘junto com o que te dei, você está levando meus dons. Os dons da terra, da água, do fogo e dos ventos.” “E o que faço com esses dons?”, pergunta Tupã-mirim.”

“Você tem quatro dons da minha influência. Com esses dons você me ajudará no mundo a fazer novas formas de vida. O que você quiser”, disse a serpente. “Além dos quatro dons, você recebeu também o dom de Nhandecy – dom de Tupã – e juntando os dons, você será imbatível”, completou a serpente. 

“Como é isso? Onde está o dom de Nhandecy?”, perguntou Tupã-mirim. 

“Está nas palavras”, respondeu a serpente. E completou: “e atenção, cuidado com o que pensa e com o que fala, pois o que você pensar e falar irá acontecer.”

E então ele desceu a montanha com os dons da Terra e com os dons do Céu. E experimentou o seu ‘poder’ dizendo: “arara”, e surgiu a primeira arara. Disse, então “urkurea” e apareceu uma coruja. E assim foram surgindos os pássaros e ele viu que tinha o poder da palavra. E continuou, dizendo: “jacaré” e apareceu o primeiro jacaré. E assim aconteceu com os peixes, plantas, animais.

Passado algum tempo, ele retornou à gruta e falou: “Mãe Terra, vim devolver o corpo e os dons que você me deu para viver na terra.”

E ela respondeu: “pode ficar com esse presente, esse corpo, estar sempre assim”. 

Ele diz:” eu tive a onça, a palmeira e a pedra e tudo isso eu devolvi. Já aprendi a viver aqui e agora quero voltar para a terra de meu pai.”

A Mãe Terra diz, então, para Tupã-mirim que ele pode ficar com o corpo o tempo que quiser e que, quando se cansar, pode fazer uma cova e lá deixá-lo. Isto poderia ser feito em qualquer lugar, não precisaria volta lá para devolvê-lo.

Kaká Werá esclarece: “essa parte do mito está dizendo que cada um deles elementos: a palmeira, a rocha, a onça fazem parte do mundo material, são agregados materiais, que sustentam nosso ser e quando a gente morre esses agregados se desfazem, o que é da terra vai para a terra, o que é animal vai para animal, vegetal para vegetal, mas algo permanece, que é o ser.”

“Essa parte do mundo fala muito isso: o ser humano é criado no mundo, o mundo de cima, que é o mundo luminoso, etéreo e para viver na terra tem que descer níveis e para isso ele é recebido pela corte da mãe terra, que trabalha com a realidade dos mundos físicos. Por isso os povos reverenciam tanto as quatro direções, porque são simbólicas, porque representam forças que configuram o mundo físico, que é a força dos elementos: terra, água, ar e fogo, organizam e configuram o mundo físico. e tem as três fases que o homem passa para se tornar humano: o mineral, o vegetal e o animal. E ai quando ele morre no mundo físico, na verdade, são essas fases se desagregando.” 

Ele retorna para Araimá, o mundo verdadeiro, a essência divina, Kuaracy (aspecto que Emana) ou Ñamandu (representa aspecto que agrega), mas os dois são os mesmos seres.


O Mito da Criação Tupi-guarani e a concepção antroposófica do ser humano

Todo o percurso pelo qual o personagem teve de passar, descrito nesse Mito da Criação indígena, ou seja, pelos reinos mineral, vegetal, animal e finalmente tornar-se um ser humano pode encontrar um paralelo na cosmovisão antroposófica. 

Rudolf Steiner mostra os diversos estágios pelos quais o ser humano passou até chegar à forma que possui hoje na Terra, considerando a aquisição de seus vários “corpos”: físico, etérico, astral e o ‘eu’, até chegar a sua configuração atual.

No livro “A Ciência Oculta”, Steiner esclarece detalhadamente todo esse processo e, mais resumidamente, podemos citar:

“No mesmo sentido em que o homem tem seu corpo físico em comum com os minerais e seu corpo etérico com as plantas, em seu corpo astral ele é da mesma espécie que os animais.” (Steiner, R., 2006, p. 48-49).

Mais adiante, sobre ‘eu’ humano, que no mito indígena podemos identificar naquele momento em que o personagem recebe os olhos de cristais, Rudolt Steiner afirma:

“O quarto membro que o conhecimento supra-sensível atribui à entidade humana já não é compartilhado com o mundo manifesto em redor do homem. Trata-se justamente do que o diferencia dos demais seres – algo que o torna o ápice de toda a Criação circundante. O conhecimento supra-sensível dá uma idéia desse membro adicional da entidade humana indicando que também no âmbito das vivências de vigília existe mais uma diferença essencial. Essa diferença se evidencia de imediato à observação de que, em estado de vigília, de um lado o homem se encontra continuamente no centro de vivências que têm necessariamente de ir e vir e, de outro, também tem vivências em que isso não ocorre. Tal fato ressalta especialmente aos se compararem as experiências do homem com as do animal. O animal experimenta com grande regularidade as influências do mundo exterior e, sob a influência do calor e do frio, adquire consciência da dor e do prazer, bem como, sob certos processos regulares que ocorrem em seu corpo, adquire consciência da fome e da dor. A vida do homem não se esgota em tais experiência, pois ele pode desenvolver cobiças e desejos que transcendem tudo isso.”

“Tratando-se do animal, sempre é possível – desde que se investigue suficientemente – descobrir onde, dentro ou fora do corpo, existe o motivo determinante de uma ação ou sensação. No caso do homem, isso não ocorre de maneira alguma. Ele pode criar desejos e apetites para cuja origem não haja suficientes motivos nem dentro nem fora de seu corpo. A tudo o que incide nesse domínio deve-se atribuir uma fonte especial. Essa fonte pode ser vista, segundo a ciência supra-sensível, no ‘eu’ do homem. O ‘eu’ pode, portanto, ser considerado o quarto membro da entidade humana” (idem, pp.49-50).

Continuação do mito da Criação 

A Mãe Terra nos deu o corpo, e nós o recusamos e o devolvemos.

Tupã-mirim desceu, criou tudo e nada mais tinha para criar. Resolveu, então, ir para a cachoeira de águas cristalinas e que formava um espelho d´água. Assim, ele se viu pela primeira vez e disse: “Mavutzinim!” (que significa, “que coisa bela, maravilhosa”) – e assim nasceu a primeira mulher, que é nomeada Mavutzinim. Eles caminharam sobre a terra e como ela havia vindo da água, ele quis ensinar todas as coisas a ela. “Com os dons” – ele disse – Já criei tudo.” Ela disse: “Só existem bichos cinzentos e nada coloridos.” Então, ela falou: “Panamby” – que quer dizer “borboleta”, e assim falou o nome de todos os bichos coloridos, pequenos e bonitos. E falou outros nomes de frutas saborosas e flores perfumadas e participou, assim, da criação do mundo. 

Ela perguntou a Tupã-mirir o que ele acharia de ter mais gente no mundo. E ele: “Mas como?” Então ela foi à floresta, pegou uma semente de cada árvore, pôs numa cabaça, fechou com um pedaço de pau e fez a primeira maraca. Ela chacoalhou e cantou vários sons e as sementes viraram crianças. Nasceu a primeira tribo – vemelha, amarela, azul – de várias raças, que se tornaram nossos primeiros pais. 

Nosso primeiro ancestral ensinou o que aprendeu: os primeiros fundamentos, os dons da terra e do céu, e ensinou também sobre o cuidado com o que se fala. Até que um dia Tupã-mirim se cansou e falou para Mavutzinim que a contribuição havia se completado e que ele queria voltar. Assim, entrevou sua forma à Mãe Terra e seu ser espiritual saiu e voltou para o Sol, o Sol que vem do nascente.

Ele resolveu ficar por perto para ver o crescimento dos seus filhos e netos. Passado o tempo, Mavutzinim também se foi e entregou a sua forma, porém o ser dela se transformou na Lua. Mavutzinim olha a Terra de noite e Tupã-mirim olha de dia. A lua e o sol são os nossos primeiros ancestrais.

Nessa mesma tribo, dessas mesmas sementes, haviam nascido dois irmãos considerados os primeiros, cumprindo o papel de líderes, que eram Nahnderu-guaçu (o mais velho) e Nanderykei (o mais novo). Houve um momento em que o mais novo queria conhecer o outro lado do mundo. Tentou convencer a todos, porém nem todos queriam ir. Foi assim que surgiu a primeira desavença, pois o mais velho, além de não querer atravessar o rio, disse que o mais novo fosse sozinho. Houve uma reunião do conselho e foi decidido que metade atravessaria o rio.

O mais novo, com seu grupo, atravessou o rio e sumiu por entre as matas. O mais velho ficou e preservou os fundamentos primeiros. Continuaram vivendo na floresta em casas comunitárias, conhecidas por maloca, grande oca onde viviam várias famílias. O conjunto de malocas é Taba, que significa aldeia. O povo vivia de forma comunitária, coletiva e trabalhava na orça, pesca, confecção de cerâmica e arte.

Passado um longo tempo, o irmão mais velho sonhou que Nanderykei voltaria para casa. Sonhou debaixo da lua cheia, da mãe ancestral, e ficou aguardando. O irmão mais novo, então, voltou para casa com um grupo de guerreiros que criaram as primeiras armas, a discórdia. Eles haviam se subdividido em outros grupos e Nanderykei, quando voltou, não reconheceu a tribo e nem o irmão Nanderu-guaçu. Ele derrubou o irmão e aconteceu a primeira morte com uma flecha poderosa. Nnhanderykei havia se esquecido de sua origem, de onde veio, dos parentes, dos amigos. O irmão abriu os braços para recebê-lo e morreu. O mais novo dominou a tribo e os descendentes do irmão mais novo viveram na base da discórdia até que Tijary, uma mulher anciã, teve um sonho. Nesse sonho semente, ela viu que o tempo de conflito estaria chegando ao fim. Viu o primeiro grupo que atravessou o rio se dividir em três grupos diferentes e como cada um desses grupos foi numa direção diferente. Ela viu grupos de raça branca, amarela e negra retornarem e encontrarem a raça que ficou, a vermelha. Este encontro geraria, num primeiro momento, muita confusão, mas, num segundo momento surgiria um novo povo, o povo dourado.


b) Sumé, o ser solar
A origem do Milho – sacrifício como alimento

“Existem duas versões da formação da cultura Tupi nesse mito. As duas versões falam de um dilúvio. Falam de águas que inundaram uma antiga morada, um antigo lugar. O que essas duas versões têm de igual é o dilúvio”, lembra Kaká Werá.

“Em uma dessas versões, escapam, inicialmente duas pessoas, que se agarram ao tronco de uma palmeira. Então, a palmeira salva essas duas pessoas. Um deles é chamado Tamendonari, o outro, Sumé.”

“Na outra versão, uma roda de fogo é colocada como uma canoa de fogo que voa. Assim, não são apenas dois que se salvam, mas outros também. Eles são retirados daquele lugar e vão parar num local que hoje seria onde é Amazônia, próximo ao Acre - geograficamente demarca o início da civilização Tupi.”

“Nessas duas versões existem essas diferenças, cantadas ainda em algumas regiões, e falam a história da palmeira que salva essas duas pessoas. E, que quando chegam naquele lugar, são acolhidos por uma tribo local, pelo povo local. É aí que eles se misturam com esse povo e formam uma outra raça, uma outra cultura.” 

“Os que chegam são chamados Tupanos, que é de onde vem Sumé, Tamendonari. E os que estão aqui, que já habitavam essa região são os Guarani, filhos de Guarantã. E dessa união de povos é que se forma a nação Tupi-Guarani.”

“Essa é uma história que é meio mítica, mas para alguns estudiosos, alguns observadores, esse é um acontecimento que realmente ocorreu há milhares de anos atrás.”

“O que se confunde com o mito é essa parte da história da chegada naquela região. Quando chegam lá, a terra estava passando por uma situação de calamidade, porque não existia mais alimento, caça, pesca. A tribo local passava fome.”

“Aí, um cacique, preocupado porque, não só sua família, mas toda a comunidade já estava correndo risco de extermínio, se recolhe à sua oca e pergunta, pede ajuda a Tupã, uma vez que Tupã já que o tinha salvo do dilúvio da morada anterior. Ele pergunta a Tupã como ele deve fazer para que a tribo não seja dizimada. E, Tupã, então, fala para ele se enterrar vivo, que faça um buraco, se coloque lá dentro, peça para ser enterrado e que, a partir dele será gerado um alimento que servirá a toda a tribo e a todas as gerações futuras.” 

“Ele aceita fazer esse sacrifício. Então é aberta uma cova, ele é enterrado vivo e naquele local onde ele é enterrado nasce o primeiro pé de milho, o primeiro awati, como o milho é chamado na língua Tupi.”

“Para vocês terem uma idéia, a palavra awati, “awa”, que significa ser, espírito e “ti” , que é um sufixo que indica algo precioso, uma preciosidade traduz como o milho é chamado até hoje: um ser precioso, awati.”

“No mito, então, o espírito de Sumé se transforma num sol e o corpo dele, o corpo físico, transforma-se no pé de milho, nas raízes dele. Mas seu espírito se transforma num sol e ele se torna o mentor, o espírito-mestre, o condutor de todo o nosso povo de lá para cá, de toda a raça Tupi.” 

“Seu espírito transforma-se em sol no sentido de adquirir uma expansão espiritual. E também por isso vai para o sol. A tradição Tupi considera um mundo original, chamado Araima, o próprio sol, não só físico, mas como um mundo original. Então, ele ruma para o sol.”

“Enfim, a história é essa. Há uma parte mitológica e uma parte tida como real.” 


“Sacrifício” na Cosmovisão Indígena – Sumé, um filho do Sol

Segundo Werá, “o que é importante reforçar dessa de outras histórias da tradição Tupi, é que as pessoas se sacrificam para toda a comunidade e se tornam frutos, como acontece também na história do guaraná e a da mandioca: Mani é enterrada na oca e é daí que vem a palavra mandioca. A filha é enterrada na oca e se transforma num alimento. No caso do guaraná, são os olhos de uma índia que são enterrados. O guaraná é um alimento que dá força, é muito rico, um energético. Então, há várias histórias que falam de sacrifício e é importante colocar que o sacrifício não é tido como um castigo, nem como uma situação de dor. Na verdade, significa uma elevação, uma ascensão espiritual.” 

“A tradição Tupi mostra também que a evolução verdadeira, a elevação verdadeira não é algo que se dá de maneira material, mas de forma espiritual. É o que esses mitos mostram. E, foi isso o que aconteceu com aquele que nós temos como o primeiro grande sábio da raça Tupi, um ‘filho do Sol’, que é esse cacique que é enterrado. Ele é chamado de Sumé nos mitos e também é chamado de Uibá Juba, que significa flecha dourada”, resume Kaká.


“Sacrifício” na Cosmovisão Antroposófica – O Cristo-Sol

Assim como Sumé, Cristo, um ser que veio do Sol, também é o “alimento” espiritual e terreno. Também morreu para salvar seu povo. O evento da morte do Cristo é denominada por Rudolf Steiner como “O Mistério do Gólgota”. 

Citamos abaixo uma passagem marcante de uma das palestras de Steiner, onde se pode depreender a importância desse acontecimento:

“... Sim, com o evento do Gólgota foi criado um novo centro. Desde então o Espírito do Cristo está unido à Terra. Ele se aproximou pouco a pouco, e desde essa época está presente na Terra. E cumpre aos homens aprender que o Espírito de Cristo está desde então na Terra, em cada produto da Terra; e que eles reconhecerão tudo do ponto de vista da morte se aí não avistarem implicitamente o Espírito do Cristo, mas reconhecerão tudo do ponto de vista da vida se o virem dentro do mundo.”

“Estamos apenas no início da evolução que é a evolução cristã. Seu futuro consistirá em vermos em toda a Terra o corpo do Cristo; pois desde aquela época Cristo penetrou na Terra, criando nela um novo centro luminoso e permeando-a, luzindo para o Universo e estando eternamente entretecido à aura terrestre” (STEINER, R., 1996a, p.232). 

O “sacrifício” do Cristo, que é um ser solar, teve conseqüências determinantes para a Terra como um todo. 

Cristo, na cosmovisão antroposófica, é um espírito altamente desenvolvido, cuja vinda ao mundo terreno já havia sido intuída pelos grandes Guias da humanidade em épocas pré-cristãs de “Épocas Culturais” diversas e que encarnou em Jesus de Nazaré, quando este foi batizado por João Batista no Rio Jordão. Ele possui o grau de evolução a que os seres humanos podem atingir se, em liberdade, o reconhecerem como seu Guia e Salvador. Jesus de Nazaré foi o ser humano escolhido e preparado para receber o Cristo.

A Antroposofia mostra que o Cristo veio do sol, Cristo-Sol, para encarnar em nosso planeta, há mais de 2000 anos. Este processo da vinda de Cristo para a Terra, para a humanidade, a acompanha desde os seus primórdios, ao longo de todas as épocas e culturas pré-cristãs. Na Antiguidade, também o Cristo se sacrificou para que os seres humanos pudessem conquistar valores culturais que um dia, finalmente, os tornassem ‘Homens’. Todos os frutos da Terra, que usamos em nossa alimentação, são resultado deste sacrifício. Podemos, portanto, ver uma ligação com o ser Sumé do mito indígena e com a concepção antroposófica do Cristo. 


O Milho, awati – ser precioso, e os três níveis de alimento da tradição indígena 

Kaká Werá Jecupé completa: “o milho é um alimento que está presente na cultura sul-americana há muito tempo. Alguns estudos falam em 5.000 anos. E tem muitas variedades (preto, branco, roxo). Atualmente usa-se mais o milho híbrido.” 

“Os povos andinos têm conseguido manter o milho tradicional. E os Guarani têm, hoje, uma prática de proteção para esse milho original, mantendo a essência da tradição. Eles vão para o meio da mata e abrem pequenos espaços, sem derrubar essa mata, e plantam esse milho original e depois repassam a semente desse milho, de maneira a manter a essência da tradição, os valores da tradição. O milho não significa só um alimento, mas ele significa toda uma tradição espiritual.”

“A tradição indígena é contra o transgênico. Na visão indígena o transgênico não tem espírito e nós nos alimentamos também do espírito da planta. É bem polêmica essa questão do transgênico.”

“Todo alimento tem a base dos três níveis, os três mundos: o mundo espiritual e ancestral, na seqüência o mundo vibracional energético e depois o mundo físico com sua complexidade. O nível físico é o princípio ativo: proteína, caloria etc, é extremamente importante, não há questionamentos com relação a isso. Mas a tradição indígena considera outros níveis.”

“O alimento transgênico não obedece, não alimenta nos três níveis. Pode alimentar em um dos níveis, mas não nos três. Essa é a nossa lógica.”


“Morte” na cosmovisão indígena 

Kká Werá prossegue: “na cosmovisão indígena a morte é uma ruptura entre aqueles mundos pelos quais o homem teve que passar para tornar-se um ser humano. Mundos que estão expressos no Mito da Criação, visto anteriormente: o mineral, o vegetal, o animal.”

“Na visão dos três mundos, cada ruptura entre um mundo e outro, cada passagem é uma morte.”

“A morte é a desagregação de um corpo, a princípio, o corpo físico. Na cultura indígena a energia que se desagregou retorna ao mundo original nas suas respectivas dimensões. A morte é vista como uma passagem, não como um fim. E está na ‘encruzilhada’ dos mundos e está identificada com transformação”, esclarece kaká Werá Jecupé. 

“Enfim, a morte está muito ligada a essa passagem pelos três mundos. O mundo físico é governado pelas forças físicas; o mundo intermediário é governado pelas energias elementais, que nós reverenciamos como deuses, como divindades, pois são eles que pegam a energia pura e transformam em formas, são os senhores da forma, os encantados e governam cada um o seu reino: o reino da terra, da água, do ar e do fogo; e o mundo verdadeiro, o mundo da consciência luminosa. Os sentimentos ficam no mundo intermediário. Sensações, sentimentos, estão muito ligados ao mundo intermediário. Entre o espiritual e o físico.” 

“Duas coisas podem se confundir: uma é nossa essência primordial, que da maneira que emerge é desde sempre. A outra coisa, que evolui, se transforma, é o que a gente chama de consciência. A gente retorna para o mesmo lugar, mas o que não retorna da mesma maneira é o que nós chamamos de consciência. O nosso ser, a nossa essência, talvez possa se comparar a um diamante que é tirado da terra. Você pode tirá-lo da terra e colocá-lo no mesmo lugar, depois de lapidá-lo e trabalhá-lo. É o mesmo diamante, mas tem uma qualidade de emanação diferenciada”, diz Kaká Werá.

E ele completa: “tem um sábio, que ele compara muito com a semente. Você pega uma semente de laranja. Essa semente vira um pé de laranja. Ela tem um modelo original dentro dela, que ela já era um pé de laranja nesse modelo. Esse é um mistério sagrado, mas é uma semente. Vai gerar frutos, outras sementes. Vão nascer outras, mas nenhuma será igual. Elas passarão por suas experiências quando forem postas na terra. os galhos se constituirão de forma diferente, o tronco. Existe uma coisa única, que é a experiência. Menos nos transgênicos, que é tudo igual. A experiência humana é igual. Essa semente retorna para o mesmo ponto, e vem e vai inúmeras vezes e tem um objetivo que é um mistério em cada um de nós, mas ela volta diferente”.


“Morte” na Cosmovisão Antroposófica


Da mesma forma como na cosmovisão indígena, na visão antroposófica ocorre a separação dos diversos “corpos” dos quais o ser humano se serviu durante sua vida no mundo físico-sensível.

As etapas vivenciadas no pós-morte estão detalhadamente descritas no capítulo “sono e morte” no livro “Ciência Oculta” de Rudolf Steiner. 
Seria oportuno, todavia, citarmos uma passagem do referido livro em que podemos perceber o paralelo entre a Antroposofia e os esclarecimentos que Werá faz sobre o que é eterno e o que é passageiro: 

“É nesse mundo que, depois da morte, o eu é imerso com o rsultado que traz consigo da vida física. Esse resultado ainda não está unido à parte do corpo astral não despojada no final da purificação. Aliás, só é despojada aquela parte que, depois da morte, nutria muita afinidade com as cobiças e desejos da vida física. A imersão do eu no mundo espiritual, juntamente com suas aquisições no mundo sensível, pode ser comparada ao plantio de uma semente em terra fértil. Assim como essa semente extrai as substâncias e forças de seu meio ambiente para transformar-se numa nova planta, o desenvolvimento e o crescimento são a essência do eu imerso no mundo espiritual” (STEINER, R., 2006, p. 87)


c) Iru, o cacique da ignorância 
o mal na cosmovisão indígena


Diz Kaká Werá: “é um ponto bem importante para entender algumas coisas. Na mitologia, o Mal passa a existir no seguinte momento.”

E continua: “tem uma história que diz o seguinte:”

“Quando Tupã, que é o senhor do mundo físico, que cria o mundo físico, a Terra, através da emanação do som, através das vogais, ele traz uma primeira humanidade, sempre representada por um casal. O interessante é que depois que vem essa primeira comunidade, na mitologia, ela é harmoniosa, não existe o mal. Ela é plena, não há coisas erradas. Mas quando é fundada a primeira tribo humana já havia na Terra outras qualidades de espíritos. Estes têm um governo, uma regência: quem rege estes espírito é Iru, que tem a característica de ser o espírito da ignorância. Ele tem cinco filhos. Um deles governa a noite e é chamado de Macu. Na tribo humana, as filhas do cacique são muito lindas, belíssimas. E Iru pecebe que eles têm muito poder. Então, ele propõe ao cacique da tribo humana, Akamara, que a filha desse cacique Akamara case-se com seu filho que governa a noite. Mas o cacique nega, ele não quer. Ele diz que não e que o filho dele é muito feio. Ele não é feio, ele não tem uma forma, ele assume diversas formas. Como ele tem o poder de assumir várias formas, ele se transforma de modo a seduzir Yakamara, que se apaixona por ele e nasce uma filha dessa união não-autorizada. Essa filha chama-se Kerawa, a deusa do sono, porque é filha de Macu (da noite) com Yakamara (a princesa do dia, maravilhosa). E é aí que gera-se uma tribo, decorrente desse primeiro momento, que começa a cobiçar coisas. Tem cobiça, disputa, poder, conflitos. Os filhos de Kerawa não se dão bem com os membros da tribo de sua mãe, mas querem o poder, então começa a haver muitas brigas entre eles. E também começa a haver a miscigenação, a mistura entre as duas tribos. Isso com todos os filhos de Iru. O primeiro cacique é chamado de Ianderequeri e Ianderuguçu. Tem uma mistura, que dela é que nascem as pessoas más, de má índole. Um dos filhos é Macunaíma, que Oswald de Andrade traduziu para um romance, o herói sem nenhum caráter.”

“Macunaíma é o preguiçoso, o indolente, que quer ganhar a vida fácil. É o que faz rolos. Porque vem de Macu – personificação da preguiça, da indolência.”

“Iru governa a ignorância, seu filho governa a noite, a filha dele é a deusa do sono. Ignorância, preguiça, a indolência, sono são referências que vêm de um aspecto dentro da tribo que é a escuridão como símbolo de falta de sabedoria e é aí que vem o mal. Não que ele existisse por si só. O mal por si só não faz parte da crença antiga. A falta de sabedoria, de luz, a ignorância em si pode trazer a criação do mal.”

“É diferente de outras visões que acreditam que existe o mal.”

Como surgiu Iru, o cacique da ignorância? 

Kaká Werá Jecupé responde:
“Nos nossos estudos é colocado assim: essa fonte criadora, Ñamandu, tem um aspecto de criar de uma maneira indistinta, não direcionada, permanentemente. E alguns frutos dessa criação adquiriram uma determinada qualidade que chamamos sabedoria. E outros frutos dessa criação não adquiriram essa qualidade. Talvez isso explique o nascimento de Iru. Esta afirmação é uma leitura minha. Iru foi criado pela mesma fonte dos sábios, no entanto tornou-se o rei da ignorância. Ele não adquiriu sabedoria, mas ele tem os mesmos poderes, a mesma característica. Quando chega o primeiro casal, ele já estava aqui.”

“O símbolo do primeiro casal faz parte da entidade humana que foi programada para cumprir uma etapa evolutiva. Iru, não. Talvez ele represente essas forças caóticas, que sobraram, que vêm, se manifestaram e vão tentando.”

“Kuaraci, que é o sol, não é um movimento fechado. É um movimento de ondas, de expansão, assim como Ñamandu: movimento de expansão permanente. Talvez, para entendermos melhor a separação de masculino e feminino: num primeiro momento, falamos de um princípio que irradia. Essa irradiação é o Bem e o Mal. Nesse mito, por exemplo, temos forças criativas que podem ser direcionadas para bem ou para mal. A questão da separação deve ser vista de outra forma. Tupã, Kuaraci, Ñamandu têm uma ordem de emanação que seguem níveis, dimensões.”

“Nós usamos uma linguagem: a vida se manifesta em três mundos ao mesmo tempo. Na visão tupi, mundo material, mundo espiritual e um intermediário entre esses dois. Quando a vida emerge é a partir de um “mundo”, de um nível, que se relaciona com outros níveis de um ponto mais espiritual, mais sutil para um mundo mais denso.”

“No mundo da emanação, o mundo de cima, a energia da vida se expande, mas não se polariza. Quando ela desce um nível, quando vem para o mundo intermediário, ela se polariza, se torna sol e lua, feminino e masculino, dia e noite. E, depois, quando desce mais um nível, nível material, ela se densifica e se fragmenta, se multiplica. Por esse aspecto complementar, talvez fique mais claro.”
“Então temos o mundo da emanação, que é a luz pura. Temos o mundo vibracional, onde as coisas adquirem polaridade. E um terceiro nível onde essa polaridade se multiplica.”


O mal na cosmovisão Antroposófica

A concepção antroposófica de luz e trevas, bem e mal, pode ser encontrada em diversas obras de Rudolf Steiner, e nelas podemos perceber que, assim como na cosmovisão Tupi, o mal não é algo que exista “por si só”, como expressa Kaká Werá com relação ao mito indígena.

Nesse sentido, podemos trazer um “extrato” da visão antroposófica na seguinte citação:
“... Tudo o que é mau, tudo o que é ruim tem, no entanto, seu lado bom, e está fundamentado na sabedoria do mundo. Essas entidades tinham de ser deixadas para trás no mundo a fim de submergir o homem na matéria física, somente dentro da qual ele podia aprender a dizer ‘eu’ de si mesmo, a desenvolver sua autoconsciência...” (STEINER, R., 1996a, p. 228). (2)



Ainda sobre os mitos

Para encerrarmos esse capítulo, gostaríamos de ressaltar, mais uma vez, a importância dos mitos em nossos estudos através da citação de dois textos: um de Kaká Werá Jacupé e o outro de Rudolf Steiner. 

Ambos descrevem pontos de vista bastante próximos sobre o valor e o conteúdo que os mitos podem nos trazer se observados também a partir de seus aspectos “anímico-espirituais”.

Nas palavras de Kaká Werá Jecupé: 

“Essas histórias revelam o jeito do povo indígena contar a sua origem, a origem do mundo, do cosmos, e também mostra como funciona o pensamento nativo. Os antropólogos chamam de mitos, e algumas dessas histórias são denominadas lendas. No entanto, para o povo indígena é um jeito de narrar outras realidades ou contrapartes do mundo em que vivemos. De maneira geral, pode-se dizer que o índio classifica a realidade como uma pedra de cristal lapidado que tem muitas faces. Nós vivemos em sua totalidade, porém só apreendemos parte dela através dos olhos externos. Para serem descritas, é necessário ativar o encanto para imaginarmos com são as faces que não podem ser expressas por palavras” (JECUPÉ, K. W., 1998; p. 68)

Nas palavras de Rudolf Steiner:
“Que são, então, os mitos? Uma criação do espírito, da alma criadora inconsciente. A alma é regida por leis que a fazem atuar em determinada direção para criar além de si própria. No nível mitológico ela cria em imagens, mas estas seguem leis intrínsecas da alma. Poderíamos dizer: quando a alma progride do estado de consciência mitológica para as verdades mais profundas, estas levarão o mesmo cunho que levavam anteriormente os mitos, pois em ambos a criadora é a mesma.” (STEINER, R., 1996b, p. 59).

(1) No presente contexto Kaká Werá contou apenas parte do mito da Criação. O mito completo está transcrito logo após a de fundamento antroposófico. A descrição da parte final desse mito tem como base a matéria constante do Boletim da Sociedade Antroposófica nº 54, Ano XVI, “O Canto da Criação do Mundo”, de Susanne Rotermund.

(2) Nas “entidades” a que Rudolf Steiner se refere, as luciféricas, também podemos encontrar paralelo na entidade de Iru, personagem contado por Kaká Werá Jacupe.


Bibliografia 

 JECUPÉ, Kaká Werá (1998) A Terra dos Mil Povos – História indígena do Brasil contada por um índio, São Paulo: Peirópolis
 (2001) Tupã Tenondé – A criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani, São Paulo: Peirópolis
STEINER, Rudolf (1986) A Missão das Almas dos Povos, São Paulo, Antroposófica.
 (1993) Carências da Alma em nossa época. Como superá-las?, São Paulo, Antroposófica.
 (1996a, 2ª ed.) O Evangelho segundo João – considerações esotéricas sobre sua relação com os demais evangelhos, especialmente com o Evangelho de Lucas, Antroposófica.
 (1996b, 2ª ed.) O cristianismo como fato místico – e os mistérios da Antiguidade, São Paulo, Antroposófica.
 (2003) O Apocalipse de João – A revelação bíblica da iniciação cristã, São Paulo, Antroposófica.
 (2006, 6ª ed.) A Ciência Oculta - esboço de uma cosmovisão supra-sensorial, São Paulo, Antroposófica. 
 (2008, reimpressão 2ª ed.) A Crônica do Akasha – A gênese da Terra e da Humanidade: uma leitura esotérica, São Paulo, Antroposófica.
Valorizando o Índio – Reflexões sobre a Alma Brasileira, Associação comunitária Monte Azul

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3 comentários:

  1. Grata pelo mito indígena da criação que inspirou uma encenação que fiz com as as crianças na escola onde trabalho

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  2. Sou Professor de Matemática. Estou fazendo um trabalho de conclusão de curso de Pedagogia Waldorf (Cosmogonia Antroposófica de Rudolf Steiner X Cosmogonia das Tribos indígenas brasileiras).
    Vou estudar sua bibliografia. Como você conhece a Antroposofia? Parabéns pelo trabalho. Se você pudesse me orientar, agradeceria.
    Desde já, obrigado.

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  3. SOU GRATO POR ESTE SERVIÇO COMO PROFESSOR E EDUCADOR E DESEJO QUE NESTA ORGANIZAÇÃO DAS IDEIAS DOS CONHECIMENTOS OS CURIOSOS DOS SABERES ALCANCEM SEUS OBJETIVOS NO SENTIDO DE UMA EDUCAÇÃO LIBERTADORA.

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